sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Muertos en México


Antes de vir pra Cuba e conviver com gente de todos os cantos da América Latina, quando se falava em México, o que me vinha na cabeça era um tiozão bigodudo e borracho, sentado na calçada escorado na parede de uma casa, a qual está crivada de bala, as abas do sombreiro tapando a cara, o corpo coberto com um poncho, e na mão descansa uma garrafa de tequila pela metade (meio cheia, ou meio vazia – depende do ponto de vista, hehehe). Próximo dali, uns mariachis cantam alguma música, aí começa o tiroteio e as balas zunindo. Depois chega o Zorro pra acalmar o entrevero. Simultaneamente na velha capela, o padre tranca a porta e diz que na casa de Deus ninguém vai entrar armado, enquanto donzelas e velhas senhoras com um véu na cabeça e rosário nas mãos ajoelhadas, rezando à Virgem de Guadalupe. Longe estão os cactos no deserto, em algum bar os marmanjos bebem e na porra do piano alguém toca La Cucaracha.
Ok, creio que a maioria das pessoas pensa mais ou menos nisso. A questão é que segunda-feira passada, dia dois de novembro (no Brasil é feriado, dia de finados) no México foi celebrado o dia dos mortos, feriado lá.
Para divulgar suas tradições, a galera do México montou um altar no colégio, que eu bati umas fotos, conversei com o povo e perguntei o significado. Segundo os próprios mexicanos, é o seguinte, é celebrado desde os maias e os astecas. Mictlán, deus do país dos mortos, em dois de novembro, permite a ida dos mortos ao mundo terreno visitar seus familiares. Por isso são feitas as oferendas nos altares, com coisas que o finado mais gostava, no caso comidas, bebidas (geralmente é tequila, pois segundo o colega, no México é raro que alguém não goste de tequila). Supõe-se que os mortos saem de Mictlán (não bastasse o nome do deus do lugar, supostamente é nome do país dos mortos) a meia noite, antes de chegar ao altar, há um caminho de velas, que é para eles não se perderem. O altar deve ter os quatro elementos (terra, fogo, água e ar), alguns colocam sal e outras coisas mais. Deve ter três níveis diferentes: o mais alto representa o céu; o médio representa a Terra; o mais baixo o “inframundo”, de onde saem os mortos para irem ao segundo nível. Diz-se que depois da data, as comidas são retiradas do altar e jogadas fora, pois supostamente perderam sua essência porque os mortos a consumiram, ou seja, está sem sabor. Além do altar, há cidades onde são feitas procissões, em que as pessoas vão mascaradas, vestidas de caveira e etc. Trata-se de uma tradição mexicana de sátira com a morte, é raro, pois é único país onde se debocha com a morte, onde são feitas as brincadeiras – segundo o mexicano.
Um filme que retrata esse dia dos mortos e a procissão da multidão lúgubre e mascarada é Era uma vez no México, em que nessa ocasião a elite e os militares conspiram para um golpe de estado (incrível né, nem no cinema a milicada se aquieta). A multidão mascarada resiste às forças militares com armas na mão em prol da democracia e legitimidade mexicana. Bom, no palácio presidencial quem comanda o entrevero com a função de defender o presidente é o Antonio Banderas, um mariachi pistoleiro e seu grupo. Sem falar que nesse escarcéu, os agentes da CIA estão mais metidos que piolho em costura. Bom, só comentei o filme porque nele faz alusão ao dia dos mortos no México. Que antes de tudo, que fique claro que eu não compartilho dessas crenças, apenas acho válido divulgar as tradições da América Latina. Era isso!



·         Texto publicado no mesmo blog em novembro de 2009.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Férias em Santa Maria e a conjuntura


Outras férias em Santa Maria e sua conjuntura

            Ah, as férias... quem diria, ficar o ano inteiro nessa ansiedade, e por fim almejar passar férias em Santa Maria. Que beleza, graças a D-us rever família, amigos, etc. Bah, mas teve algo, dessa vez é ano de eleições municipais.... sim, cheguei a ver o início dessa “odisseia” de campanhas eleitorais.
            O Brasil vive uma democracia jovem, e até se pode dizer ainda imatura, após um período de 21 anos de trevas da nossa inquisição da ditadura militar. Pois bem, o fato de essa democracia ser jovem, não a torna imune de certas palhaçadas... vejamos em um contexto santa-mariense....   A disputa da prefeitura está sendo disputada aparentemente por 5 projetos diferentes. Eu não diria tanto, em resumo são apenas 2: os exploradores e os explorados, a história e os fatos não nos permitem negar a existência da luta de classes, por mais sutil que seja.  Não vou seguir nessa ideia, mas sabemos que é verdade... ok, faz de conta que eu não disse nada. Pronto, vamos trabalhar com a perspectiva de que há 5 forças “diferentes”. Santa Maria é a noiva donzela e as 5 forças são os 5 pretendentes.... bah viajei, ok vamos voltar....
De um lado, estão os conservadores, que oscilam desde uma “suave” direita até figuras de matizes fascistas.  Bem, essas forças reacionárias se subdividem na chapa da situação, composta majoritariamente por fisiológicos e ultraconservadores. A outra chapa direitista compõe-se dos declaradamente neoliberais, que em seu desespero buscam apoio, marketing e propaganda entre as camadas sociais menos favorecidas.
Após isso, vem a chapa de centro,um forte matiz socialdemocrata com suas oscilações à direita e à esquerda, aparentemente opaca e sem muita força política. Continuando, vem duas forças trotskistas... uma, aglutinando basicamente uma juventude universitária alternativa, e a outra fazendo o “bloco do eu sozinho”.
Falta ainda analisar os personagens que irão povoar os contos do parlamento municipal.... bom, eles fazem parte das forças descritas anteriormente, mas muitos deles nem sabem o que significam as tendências, ideologias e práticas das agremiações políticas as quais estão filiados... ok, vamos começar nosso “freak show” do horário eleitoral... tem o “Tiozão do Gás”, o “Homem estátua”, “o Palhaço Bobão”, o “tio dono do Bailão”...  Faltou também  que sempre tem a galerinha do rádio, promovendo-se em suas campanhas assistencialistas. Tem também os religiosos em todas as tendências eclesiásticas, do alto clero, baixo clero, etc, tipo o pastor Aleluia Irmão, ou pai axé, etc.
O que eu digo, bem, todas as pessoas tem o direito de se candidatarem ao que quiserem, desde síndico do edifício até manda chuva do Planalto... mas cabe ao eleitor critérios pra votar.... É inadmissível eleger ao parlamento municipal pessoas sem critério nenhum.... não quero propor nenhum critério excludente, mas não podemos ser governados por analfabetos! E quando digo analfabetos, não em refiro ao sentido acadêmico da palavra... há muitos políticos com curso superior, mas como dizia minha avó “diploma não diminui a orelha do burro”.
Sobre a disputa da prefeitura, houve um debate em um canal local de TV. Ok... Pena que excluíram (um eufemismo para boicote) um dos candidatos, isso é uma agressão à nossa jovem democracia. Não que eu esteja de acordo com as propostas do candidato afetado, mas ao menos ele teria direito ao debate.
Quanto às propostas, as mais bonitas, de fato são da chapa da esquerda universitária trotskista, ousadas e românticas, mas não faço a mínima ideia de como eles conseguirão tais avanços. Agora, quanto ao fato de ser realista, de praticidade e para que não sigamos em um retrocesso histórico, a chapa centralista socialdemocrata me parece mais viável... até  pra ir preparando terreno e assentando alicerces para que num futuro próximo  avanços sociais e econômicos de abrangência ampla e popular sejam conquistados. Ainda acredito na utopia, mesmo que tenhamos que 

domingo, 23 de setembro de 2012

The war on democracy

The war on democracy




Há pouco eu estava revendo um documentário, de um jornalista australiano gabaritado e mundialmente reconhecido por seus inúmeros trabalhos e prêmios, falo de John Pilger. Bom, me refiro especificamente a um documentário chamado “The war on democracy”. Bom, ele faz, digamos uma investigação pela América Latina!!!! Começa pela Venezuela, mostra as situações de pobreza e que o governo do Chávez faz para que a situação melhore!! Ah, mas antes que acusem o senhor Pilger de não ser imparcial, ele também pára para escutar o que os opositores de Chávez tem a falar! Eles se queixam que se está levando a cabo uma “revolução bolchevique”... Pois bem, a análise feita é que os ricos continuam com suas belíssimas mansões em seus “cowntry clubs”, continuam com seus jatinhos e viagens de fim de semana à Miami e Nova Iorque. A Venezuela, país com uma arrojada economia petroleira, fonte infinita de riquezas, sedia feiras de automóveis, e não são simples automóveis, trata-se de Ferrari, Maserati.... Os ricos continuam em suas mansões e com suas vidas, em momento algum foi feita alguma intervenção em suas vidas ou patrimônios. Antes, as empresas de cunho estratégico para o país (como petroleiras e de energia elétrica) estavam sob o domínio de multinacionais de capital estrangeiro, ou seja, os lucros não ficavam dentro do país... Nisso sim o governo teve culhão para nacionalizar, e o lucro canalizar para investimentos de infraestrutura e desenvolvimento social. O programa “Bairro adentro” começou a subir morros (favelas) com escolas e programas de alfabetizações, clinicas e assistência médica para as famílias, salários para as donas de casa. A constituição do país foi impressa e distribuída gratuitamente, para que o povo tenha conhecimento de seus direitos. Também há supermercados estatais onde o povo pode comprar comida e produtos de limpeza a preços de baixo custo e nas embalagens vem impresso trechos da constituição.

Ainda é feita a análise de que o capitalismo nunca esteve tão bem na Venezuela. É também feito uma pequena análise da tentativa de golpe de estado na Venezuela em 2002, arquitetado por alguns setores militares, as oligarquias (entre eles proprietários de canais de TV) e “El Império”.

E durante parte da entrevista, o presidente Hugo Chávez fala:





“te digo que acá tratamos de no tener choques com ‘El Império’, pero es inevitable. Yo fui a la Casa Blanca, le di la mano a Clinton! Incluso por teléfono: ‘How are you, Mr Clinton?’ / ‘How are you, Mr Chávez?’. Nosotros aqui tratamos lo imposible: hacer una revolucion sin chocar con “El Império”, pero eso es imposible…”







Desde 1946, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles eleitos democraticamente, desses, 40 com intervenções militares diretas. E também indiretas, como as ditaduras militares na América Latina ocorridas na segunda metade do século XX. Exemplos de países que sofreram interferência dos E.U.A. : Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Equador, Granada, Guatemala, Guiana, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Outro exemplo, é da intervenção dos EUA na Guatemala, ainda nos anos 50. Pois bem, 2% da população local, em conjunto com multinacionais estadunidense controlavam a economia e os recursos naturais do país, cujo um dos grandes acionistas de uma das principais empresas era da Secretaria de Estado do governo estadunidense, e o irmão dele, um dos comandantes da “Agencia Central de Inteligencia”. Havia sido eleito democraticamente para a presidência da república um sujeito chamado Jacobo Arbenz Guzmán. Era um presidente progressista, no que se diz respeito à soberania nacional, desenvolvimento econômico e distribuição de renda. Começou uma tentativa de reforma agrária, e foi nacionalizando as terras das empresas multinacionais estrangeiras (dentre elas da American United Fruit), o que irritou Washington, que atacou diretamente em uma intervenção armada sob o pretexto de uma ameaça comunista, pois aqueles eram tempos de “Guerra Fría”. O interessante, é que o documentário apresenta depoimentos de ex- agentes da CIA que na época trabalharam nos bastidores do golpe e admitem suas ações. Bom, depois de consolidado o golpe, foi instituído um governo que era conveniente aos interesses imperiais.

O filme também discorre sobre o golpe de estado no Chile em 11 de setembro de 1973, encabeçado pelo general fascista Augusto Pinochet contra o então presidente eleito democraticamente Dr. Salvador Allende. A sede do governo (Palácio de La Moneda) foi bombardeado por aviões, e o Presidente Allende e seu correligionários firmes na resistência até que foram assassinados pelas forças reacionárias. O documentário apresenta documentos comprovando ações diretas da CIA, bem como entrevistando ex-agentes que participaram nessa ação infame.

A “Escola das Américas” também é apresentada, trata-se de uma instalação militar estadunidense no estado da Geórgia, onde militares latino-americanos iam para fazerem seus “cursos de atualização e formação militar”, que consistia em aprender técnicas de tortura para serem usadas contra os subversivos capturados.

Em Cochabamba, na Bolivia, no ano 2000 a água foi privatizada e estava sob as mãos de uma multinacional extrangeira. Em 2003, o então presidente Gonzalo Sánchez, o qual passou boa parte de sua vida nos EUA, e falava inglês melhor que espanhol, recuou em uma lei de proteção aos recursos naturais do país... era uma contradição exportar gás a preço de banana enquanto a população cozinhava com lenha. O povo foi às ruas protestar, então o presidente mandou o exército reprimir a manifestação, o que gerou o assassinato de vários civis inocentes.



Bom, eu fiz um breve “resumão” do documentário, é interessante vê-lo, pois faz uma abordagem profundas de inúmeras questões de interesse de nosso continente.







link do vihdedo no youtube



http://www.youtube.com/watch?v=YoJOVNbz0l4


quinta-feira, 5 de abril de 2012

um labirinto?






Camagüey, CUBA, cinco de abril de 2012


E naquela paisagem onírica surreal, como se tivesse saído de um quadro cubista... e na paisagem haviam labirintos!! A iluminação de um dos labirintos era, digamos, “diferente”, partes chegavam a luz do sol, outros a luz da lua, e outras partes luz de neon. Bem como haviam partes nubladas, partes em penumbra. No caminho havia algumas portas e janelas, uma abertas, outras entreabertas e outras fechadas com cadeado e correntes! No caminho espalhados vários quebra cabeças com peças misturadas, incrivelmente, uns quebras cabeças era complementários dos outros. Havia também alguns jogos de tabuleiro, e as peças posicionadas como se os jogos seguissem em andamento!!! Havia uma suave brisa, que carregava páginas soltas de inúmeros livros e tentativas de esboços de um mapa do labirinto.
A cada pouco, encontrava-se pedaços pequenos de espelho, que ao todo poderiam juntar-se e fazer um espelho do tamanho de uma porta. Havia também muitas fotos de pessoas e cartões postais de várias cidades, e cartas também. Em uma mesa repousava um cálice de vinho e no cinzeiro um cigarro aceso, dando a entender que aquilo era tudo tão recente, mas ao mesmo tempo a pessoa “dona do cigarro” se divertia com o labirinto. Na cadeira havia um lenço feminino, e tinha um cheiro particular, um suave perfume!!! Havia trilha sonora o tempo todo, mas era bem suave, bem como haviam risadas femininas ao fundo,intercaladas poucas vezes por soluços de pranto.
Entrei em um corredor que aos poucos ficava mais estreito e ao final havia uma porta, fácil de abrir, que depois dava para uma ampla ante-sala, como se fosse uma sala de espera de um consultório, uma secretária bonita, educada, no canto um revisteiro, e no outro canto um desses bebedouros de água mineral. Nessa ante-sala havia 3 portas, e todas trancadas. Tentei a primeira, forcei com o ombro, e até que consegui abrir. Era um céu azul, mas recuei, a porta dava para um abismo. Fechei rápido!!! Tentei a segunda: dava para o mar.... um infinito, uma partes cristalinas e outras mais escuras... fechei de novo. Forcei a fechadura da última e voltei ao início do labirinto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dica de LIVRO

Dica de Livro

Camagüey, CUBA, 16 de novembro de 2011

Pois, é, aqui sou eu de novo, incomodando e enchendo o saco do povo, mas agora é o seguinte, é algo legal, é uma dica de livro, digamos, algo mais voltado pra galera que estuda/ trabalha/ atua na área da saúde, mas também por interatuar com história, ciências sociais e etc. Bom, antes de vir pra Cuba de novo, meu primo Duda Naysinger me presenteou com um livro chamado “História da medicina”, de Willian Bynum, faz parte da coleção da “L&PM POCKET”. Muito bom livro, aborda temas cruciais, também fala de Florence Nightingale, precursora da enfermagem moderna. Fala também das grandes epidemias que assolaram a humanidade. A abordagem, por ser um tanto quanto generalista não é profunda, mas vale a pena essa leitura. O que também achei interessante foi relatar os trabalhos de Doll e Hill, sobre medicina e estilo de vida, sobre conexões entre tabaco e doenças, especificamente câncer de pulmão (coisa que em mil oitocentos e cacetada a escritora estadunidense, Ellen G. White, já mencionava o caráter nada saudável sobre hábitos tabagistas (Interessante: quem quiser buscar artigos de Ellen White relacionados a saúde, boa alimentação, estilo de vida, vale a pena).
Pode-se observar as intervenções que ligam o capitalismo e os lucros com a manutenção de certos processos de morbidade, mas enfim, como disse, não aprofunda a análise e também não dá muito o nome aos bois de específicos rebanhos. Mas enfim, é um bom livro.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Camila e o Fernandinho

Camagüey, CUBA, 13 de novembro de 2011

Certa feita as pessoas lembravam do Fernandinho e da Camila, uns “aborrescentes” de seus mais ou menos 17 ou 18 anos, coisa que não fugia dessa faixa. Pois bem, amigos, um tanto quanto “porra loca” para suas idades, com muitas coisas em comum, gostos, percepções, ideais e aquela vontade louca de conhecer o mundão. Altos papos filosóficos e por aí a coisa ia se desfiando, desde chimarrão, churrasco, rock gaúcho, Janis Joplin, discos de vinil, e canções do Mano Lima. Depois do rápido contato real, eram encontros cada vez mais raros através da “highway da super-informação” (como diz aquela música dos “Engenheiros do Hawaii”. Cada qual com seus causos da vida, e a vida nos causos, apesar da distância e carinho, causos verdadeiros. Certa feita o Fernandinho tinha dito que havia algo no ar, mas um tanto quanto abstrato, e era ainda mais bonito por ser abstrato.
Cada qual com seus ideais, utopias e aspirações, muitas convergiam, outras divergiam. Entre elas, pelo menos duas em comum... Ela seguiu uma utopia, ele seguiu outra... quer dizer, não é que ele seguiu outra, ele queria seguir aquela “uma” também, mas eu prefiro acreditar que ele adiou um pouco, não se sabe por quanto tempo, mas ele adiou!! Ela também, ela seguiu a uma, mas sempre demonstrou interesse e inclinação para a “outra”, talvez o Fernandinho prefira pensar que Camila também adiou essa utopia chamada “outra”. Talvez chegue o dia em que ambos, nesse aspecto filosófico-prático-ideal e real (por que não?) estejam próximos, bem próximos, ambos com uma e com a outra aspiração sendo real, e inspirando esses dois loucos personagens.
Em uma ocasião tiveram a idéia de viajar com uma mochila (ou mala de garupa) no lombo, um saco de dormir e uma barraquinha de carona, cruzando litoral, serra, fronteira e outras bandas, escrever um diário de bordo e aprender muito com isso. Também se plantou a semente da ambição de estender essa viagem e cometer essa façanha a nível de América-Latina... mas aquela coisa, nunca deu... cada qual com seus problemas, suas vidas e as supostas soluções de seus “perros” problemas.
Hoje Fernandinho, tem um hobby, olhar coisas mais ou menos do gênero “realismo fantástico”, assim ele assiste os tele-jornais, mas como ele é cético, e já disse, “realismo fantástico”. Um dos hobbies é olhar tele-jornais nas férias. Bom, eu não sei, dizem que além de tudo, uma das coisas que Camila curte, além de rock´n´roll, são questões ligadas a América Latina e cosas sobre saúde!! Agora se ela é cética com isso... só se perguntarmos a ela.
Por outro lado, creio que ambos viram quem 100% das veredas que escolheram tomar em determinado ponto na viagem, cada qual com suas decepções e ver que as idéias e as suas práticas estão longe de serem totalmente perfeitas. E ainda assim, cada qual tem a profunda e sincera crença, que mesmo com os defeitos humanos embutidos, suas idéias são as mais corretas possíveis, isso eu admiro nos dois!!! Quero comemorar com os dois, no dia em que esses caminhos se cruzarem de novo...


PS.: qualquer semelhança com a coincidência, é pura realidade (assim já dizia o grupo uruguaio de murga “Agarrate Catalina”)

A Camila e o Fernandinho

Camagüey, CUBA, 13 de novembro de 2011

Certa feita as pessoas lembravam do Fernandinho e da Camila, uns “aborrescentes” de seus mais ou menos 17 ou 18 anos, coisa que não fugia dessa faixa. Pois bem, amigos, um tanto quanto “porra loca” para suas idades, com muitas coisas em comum, gostos, percepções, ideais e aquela vontade louca de conhecer o mundão. Altos papos filosóficos e por aí a coisa ia se desfiando, desde chimarrão, churrasco, rock gaúcho, Janis Joplin, discos de vinil, e canções do Mano Lima. Depois do rápido contato real, eram encontros cada vez mais raros através da “highway da super-informação” (como diz aquela música dos “Engenheiros do Hawaii”. Cada qual com seus causos da vida, e a vida nos causos, apesar da distância e carinho, causos verdadeiros. Certa feita o Fernandinho tinha dito que havia algo no ar, mas um tanto quanto abstrato, e era ainda mais bonito por ser abstrato.
Cada qual com seus ideais, utopias e aspirações, muitas convergiam, outras divergiam. Entre elas, pelo menos duas em comum... Ela seguiu uma utopia, ele seguiu outra... quer dizer, não é que ele seguiu outra, ele queria seguir aquela “uma” também, mas eu prefiro acreditar que ele adiou um pouco, não se sabe por quanto tempo, mas ele adiou!! Ela também, ela seguiu a uma, mas sempre demonstrou interesse e inclinação para a “outra”, talvez o Fernandinho prefira pensar que Camila também adiou essa utopia chamada “outra”. Talvez chegue o dia em que ambos, nesse aspecto filosófico-prático-ideal e real (por que não?) estejam próximos, bem próximos, ambos com uma e com a outra aspiração sendo real, e inspirando esses dois loucos personagens.
Em uma ocasião tiveram a idéia de viajar com uma mochila (ou mala de garupa) no lombo, um saco de dormir e uma barraquinha de carona, cruzando litoral, serra, fronteira e outras bandas, escrever um diário de bordo e aprender muito com isso. Também se plantou a semente da ambição de estender essa viagem e cometer essa façanha a nível de América-Latina... mas aquela coisa, nunca deu... cada qual com seus problemas, suas vidas e as supostas soluções de seus “perros” problemas.
Hoje Fernandinho, tem um hobby, olhar coisas mais ou menos do gênero “realismo fantástico”, assim ele assiste os tele-jornais, mas como ele é cético, e já disse, “realismo fantástico”. Um dos hobbies é olhar tele-jornais nas férias. Bom, eu não sei, dizem que além de tudo, uma das coisas que Camila curte, além de rock´n´roll, são questões ligadas a América Latina e cosas sobre saúde!! Agora se ela é cética com isso... só se perguntarmos a ela.
Por outro lado, creio que ambos viram quem 100% das veredas que escolheram tomar em determinado ponto na viagem, cada qual com suas decepções e ver que as idéias e as suas práticas estão longe de serem totalmente perfeitas. E ainda assim, cada qual tem a profunda e sincera crença, que mesmo com os defeitos humanos embutidos, suas idéias são as mais corretas possíveis, isso eu admiro nos dois!!! Quero comemorar com os dois, no dia em que esses caminhos se cruzarem de novo...


PS.: qualquer semelhança com a coincidência, é pura realidade (assim já dizia o grupo uruguaio de murga “Agarrate Catalina”)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A gauchada jantando fora

A gauchada jantando fora
Camagüey, CUBA, 30 de outubro de 2011

Então, indiana macanuda... Bah, ficou combinado que ontem iríamos juntar o povo e jantar fora. Bueno, da indiada daqui, éramos eu, o Alemão de Parobé, o Lucas de Parobé, o Marcéu de Porto Alegre, A Riana de Porto Alegre, a Giovana (de Porto Alegre), a Luciana (de Minas Gerais), o Fúlvio (da Colômbia), a Joana (de Getúlio Vargas), o Simon (do Pará) e a Paula (do Uruguay).
Bom, primeiro nos reunimos em frente a casa do Marcéu e depois fomos à “plaza Del Gallo”, bem no centro da cidade, pra esperar parte do povo. Bom, depois de toda a tropa reunida, fomos ao “La Bigornia”, tipo um restaurante que em sábado de noite tem música ao vivo, tocam jazz e MPB (sim, músicos cubanos tocando MPB, de fato). Ah, sim, os bom momentos com essa galera são coisas impares.
A gente deu muita risada, mas a pior de todas, foi quando a vocalista La da banda ia tocar uma bossa-nova, não me lembro que canção... bom, ela anunciou que quem soubesse era pra ir lá cantar com ela. Bom, então ficamos botando pilha no Marcéu, que é o nosso cantor oficial, a vocalista percebeu e se aproximou dele, mas ele alegou não saber a letra. Eis que então a indiada começou a botar pilha em mim... A vocalista (que por sinal era gata) se aproximou de mim com o microfone, a gurizada duvidou então eu comecei a cantar os primeiros versos do “Canto alegretense”. Todo mundo deu risada, inclusive a vocalista. Bueno, entonces voltamos cedo pra casa, pois a indiada do sexto ano teria que levantar tri cedo no domingo pra poder tirar umas fotos pra formatura.
Acho que era isso.
Besos a todas y abrazos a todos

A gauchada jantando fora

A gauchada jantando fora
Camagüey, CUBA, 30 de outubro de 2011

Então, indiana macanuda... Bah, ficou combinado que ontem iríamos juntar o povo e jantar fora. Bueno, da indiada daqui, éramos eu, o Alemão de Parobé, o Lucas de Parobé, o Marcéu de Porto Alegre, A Riana de Porto Alegre, a Giovana (de Porto Alegre), a Luciana (de Minas Gerais), o Fúlvio (da Colômbia), a Joana (de Getúlio Vargas), o Simon (do Pará) e a Paula (do Uruguay).
Bom, primeiro nos reunimos em frente a casa do Marcéu e depois fomos à “plaza Del Gallo”, bem no centro da cidade, pra esperar parte do povo. Bom, depois de toda a tropa reunida, fomos ao “La Bigornia”, tipo um restaurante que em sábado de noite tem música ao vivo, tocam jazz e MPB (sim, músicos cubanos tocando MPB, de fato). Ah, sim, os bom momentos com essa galera são coisas impares.
A gente deu muita risada, mas a pior de todas, foi quando a vocalista La da banda ia tocar uma bossa-nova, não me lembro que canção... bom, ela anunciou que quem soubesse era pra ir lá cantar com ela. Bom, então ficamos botando pilha no Marcéu, que é o nosso cantor oficial, a vocalista percebeu e se aproximou dele, mas ele alegou não saber a letra. Eis que então a indiada começou a botar pilha em mim... A vocalista (que por sinal era gata) se aproximou de mim com o microfone, a gurizada duvidou então eu comecei a cantar os primeiros versos do “Canto alegretense”. Todo mundo deu risada, inclusive a vocalista. Bueno, entonces voltamos cedo pra casa, pois a indiada do sexto ano teria que levantar tri cedo no domingo pra poder tirar umas fotos pra formatura.
Acho que era isso.
Besos a todas y abrazos a todos

El exílio

Camagüey, CUBA, 27 octubre de 2011

Chegou a data da partida ao exílio. Uma nova realidade, uma nova querência... Era tempo de recomeçar uma nova vida. Não se poderia esquecer o passado, mas era tempo de superar velhos traumas e provar novos; época de cometer erros inéditos para si mesmo; cometer novos pecados para que Deus lhe concedesse novos perdões. Um novo exílio em todos os sentidos. Coração e corpo já feridos por injustiças da vida e do sistema, mas isso faz parte da existência de cada um, hay que probarselas. Um exílio para curar velhas feridas e abrir novas!!! Um exílio em um copo e depois em um belo par de pernas, considerando este último, no hay exílio mejor.
Depois de pisar em terra firme, era hora de reconhecimento de área, tal qual uma criança vai experimentando o mundo ao seu redor, e também hora de receber boas vindas no exílio. Boas vindas sem propagandas e proselitismo, apenas um convite em sacar próprias conclusões evitando análises superficiais. Ainda na excitação (no bom sentido, ao menos por enquanto...) de elevados ideais e “inabaláveis” (????) princípios ideológicos. Muitas vezes é possível compartilhar um chimarrão com conterrâneos pra lembrar o sabor do pago, contar histórias e causos da nossa terra. O tempo e suas malditas facetas, às vezes atuando como vilão, outras como o nobre “mocinho”, horas como um parceiro que abrevia a si mesmo para que cheguem tuas férias, outras como um carrasco em que se faz expandir a sensação de sofrimento. Outros momentos ele vem como um juiz revelador, esclarecendo muitas coisas.
Pero a mí me gusta más el exilio en el exilio... un exilio que espera más de tres años, sin proselitismo, ni discursos decorados embasados en cualquier tipo de dogma. A mí me vale más el exilio en el cuerpo de ella, una mutua protección que celebra valores de sincera amistad!!! Si, el exilio por todo lo que uno ha sufrido por sostener elevados sentimientos e ideas!!! Carpe diem, carpe nocten. Un exilio no tan profundo como un tatuaje, pero tan representativo cuanto una. No específicamente un exilio, sino. O mejor, además de exilio, un refugio recíproco.