sábado, 27 de dezembro de 2008

O navio russo


Quando se está na 7ª ou 8ª série, digamos uma gurizada de 12, 14 anos, em história e geografia se estuda a Guerra Fria, o Mundo Bipolar, cortina de ferro, ainda sem entender direito o que significou tudo isso e nos livros vem fotos da queda do muro de Berlim. Ainda mais que a galera da minha geração teve a mente influenciada pela indústria de Holyood com filmes tipo Rambo ou Rocky que sintetizam: os estadunidenses sãos os mocinhos e os russos são os bandidos. Os russos são do mal.

Época de recesso das aulas, devido as datas festivas de Natal e Ano Novo. Nesse ínterim, muitos dos hispano-hablantes (massivamente de México e América Central) e poucos brasileiros tiram essas datas festivas com suas famílias em casa. Como é recesso, é possível dar-se ao luxo de dormir um pouquinho mais. Assim foi.

Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008, Havana. Oito e meia da manhã o Mauro me acorda e um exemplar do Granma ele mostra, o qual mencionava que naquele dia estava atracado no Porto de Havana alguns navios da Marinha da Rússia, dentre um dos quais estaria aberto a visitação. Nem pensei duas vezes, pulei do beliche pra tomar um banho, me vesti e estava pronto. Então enquanto assistíamos algumas lutas do UFC no laptop do Lorenzo, o Ycaro e o Johnny se preparavam para o passeio ao “Kremlin”.

Chegamos ao portão da faculdade e atravessamos a rua até a parada do ônibus (aqui é chamado de guagua, em Costa Rica é buseta – mas é com S, é como diminutivo de autobus).Não esperamos nem dez minutos e chegou o busão, já lotado. Bem, nos esprememos e entramos, a uma bagatela de 40 centavos de Pesos Cubanos, o equivalente a quatro centavos de Real. Tem gente que se queixa do ônibus lotado, reclamam por nunca terem andado em alguma linha desde o centro da cidade de Santa Maria (no RS) até o campus da Universidade Federal, no bairro Camobi. Eu diria mais, não só Santa Maria, mas outra qualquer cidade do Brasil. Ah, sem falar que os ônibus daqui são novos. Descemos no paradeiro de Playa e pegamos a linha P4. É ônibus lotado de novo, mas a verdade é que cotidianamente no Brasil, eu enfrentava coletivos bem piores e bem mais caros. Na parada do P4, encontramos o Danilo da Bahia “y su novia ‘uruguaxa’”, só que eles viram que o busão lotou e preferiram esperar o próximo.

Chegamos à Avenida Salvador Allende, em Centro Habana, em rente ao Policlínico Van-Trói aí pensamos: “A GENTE SIFU..., passamos da parada”. Perguntamos pra algumas senhoras onde deveríamos descer e qual o percurso pra chegar ao porto. Elas disseram que também desceriam no mesmo ponto que nós. As senhoras notaram que éramos estrangeiros e perguntaram de onde éramos: 3 brasileiros e 1 boliviano. E como sempre se repete, algum cubano percebe que somos do Brasil, sempre falam das novelas brasileiras, que são muito apreciadas aqui. Uma das senhoras falou sobre “Las siete mujeres” (A Casa das 7 Mulheres) que há pouco foi reprisado aqui em Cuba. Então o Mauro todo orgulhoso (apesar de ser colorado) disse: “Señora, eso pasó em mi ‘província’”.

Bueno, descemos em La Cumbre, no caso a estação dos trens. Era uma senhora de uns 70 anos, estava acompanhada de uma mulher de uns 40 anos, creio que sua filha. Nos explicaram tudo, onde ir, em que rua dobrar, número de quadras mais ou menos pra caminhar. Elas nos perguntaram o que fazíamos em Cuba, se era turismo, estudo, trabalho. Respondemos que estávamos estudando medicina, mas ainda marinheiros de primeira viagem (1º ano), Foi quando a senhora mais velha nos disse:”Niño, hay que estudiar mucho!! Nada de muchachitas!!! Primero los estúdios, después lãs muchachitas!!Exito en la carrera de ustedes. Que tengan una feliz Navidad y Feliz Año Nuevo”.

Respondemos cordialmente os desejos de boas festas e também gratos pelas informações e ainda acrescentamos:

- Señora, las muchachitas están juntas con la medicina. Hay que mantenerlas juntas!

Aí elas começaram a rir.

O Ycaro e eu não tínhamos tomado o café da manhã, então a gente foi em um bar comer sanduíche e tomar suco de tamarindo (acho que é mais ou menos o mesmo que tinha pra vender na tenda do Chaves). Chegou outro cubano e perguntou de onde éramos: resposta, 3 brasileiros e um boliviano. Daí pergintou de que parte do Brasil éramos,a verdade é que eram os extremos, o Ycaro de Macapá, no Amapá e o Mauro e eu do extremos sul (Porto Alegre e Santa Maria, respectivamente). Quando o Mauro disse Porto Alegre, automaticamente o tiozão cubano falou:”la ciudad de Ronaldinho”. També, de súbito o tiozão começou a narrar pro cara do bar um filme brasileiro, chamado “Ciudad de Dios”, que segundo ele “hay niños de 12 anõs de edad com pistola”. O tiozão perguntou o que fazíamos e repetimos, estudantes de medicina. Então quando estávamos saindo, o tioão com seus tênis da Nike nos disse: “Hace falta que cuando volván a SUS países, no se tornen em capitalistas”!

Caminhamos por las calles de Habana Vieja, chegamos ao Restaurante La Floridita, de onde seguimos por la Calle Obispo, um centro tusístico-comercial, até faz lembrar o calçadão da minha Santa Maria. Caminhamos umas oito quadras até chegar ao cais do porto, onde vimos uma fila (imensa), alguns navios e alguns marujos com cara de alemão (tipo aqueles magrão das colônias no interior do RS,que vão prestar serviço militar, só que sem o Chevete, que é o típico carro de milico). Na maldita fila havia cubanos (lógico), turistas europeus e alguns chineses.

Depois de ficar quase que o dia inteiro na porcaria da fila, chegamos ao navio. A primeira coisa foi o nome do navio, escrito em russo. Perguntamos pra um capitão: 1ª tentava em espanhol, ele não entendeu nada. A 2ª foi em inglês, ele também não entendeu. Aí ele começou a falar em russo, aí nós que não entendemos (se não era russo, era o “dom de línguas” pós sessão do descarrego, hehehe). Bom visitamos várias partes do navio, e isso é só uma gota dentre o oceano do potencial bélico da Rússia. Nessas ocasiões é que a gente fica triste devido ao desmembramento da União Soviética.

Ok, saímos e de lá fomos rumo a Habana Vieja. Algumas fotos na catedral, e depois em La Bodeguita Del Medio, pena que na hora acabaou a pilha. Saímos caminhando por Havana Velha e Vedado, até que chegamos a Avenida Infanta e pegamos o ônibus P1. Aí chegamos em Playa e pegamos o busão pra casa.

Valeu o dia por ter conhecido parte de um mundo desconhecido – o leste europeu. Sempre quis saber o que havia atrás da cortina, é pena não ter nascido uns 20 anos antes para poder ir ao lado de lá do muro de Berlim.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O Bom Velhinho




No Brasil pode-se apertar o botão do controle remoto e aparecer um noticiário bombardeando as massas com afirmações a respeito da “ditadura” de Fidel e suas “arbitrariedades” sobre o povo da Ilha. Ou também ir em uma banca de jornais e comprar uma revista de circulação nacional e por suposto, de grande repercussão, a qual pode trazer na capa a figura do “demônio em pessoa” e a matéria aprofunda os mitos sobre Cuba, que dão a volta ao mundo.
A verdade é que não só Cuba tem mitos a seu respeito, pois a humanidade tem suas fábulas, e em todas as épocas. Vejamos Saint Clauss, o Papai Noel, de origem em S. Nicolau, segundo alguns historiadores. A Coca-Cola Company, numa jogada (e muito boa jogada) de marketing, coloriu o Papai Noel de vermelho. O sucesso vai cruzar os séculos, porque todas as imagens do Bom Velhinho são vermelhas, exceto aos torcedores do Grêmio, que sempre elaboram um Papai Noel azul. Ou então o Papai Noel pode usar uma farda verde e nas noites de Natal ele veste a roupa vermelha. Ei, espere! Se Papai Noel é vermelho ele pode ser um “perigoso” comunista? OK, já se tem uma característica, Papai Noel é um senhor de idade, barbudo, carismático e comunista. Veja bem, com essas características se enquadra o senhor Fidel Alejandro Castro Ruz.
Eu ainda não sei como não disseram que esse senhor supracitado percorre o mundo na noite de 24 de dezembro descendo pelas chaminés, deixando presentes às criancinhas. Ah, e por falar em presente, o projeto ELAM (Escuela Latino Americana de Medicina) formando mais de 10 mil médicos para América Latina, Caribe, Estados Unidos e alguns lugares da África. Essa façanha eu creio que o Velhinho do Pólo Norte não conseguiria deixar embaixo da árvore de Natal.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Coisas de adolescentes




Ah, as junções... esse é uma apelido dado às badernas ou festas realizadas em casas de amigos! A idéia começa mais ou menos com “5 pila de cada um” (como eu já havia explicado em textos anteriores, Pila é uma moeda que circula paralelamente no Estado do Rio Grande do Sul, com a mesma cotação do Real). Depois se Vêem as gurias que serão convocadas, tipo:
- Vamos chamar a Rosinha!
- Ta loco? Ela é muito feia!!!
- Mas se vem a Rosinha, vêm também a Mariazinha e a Lurdinha, que essas são gatinhas.
- Fechou!! Ainda mais que me disseram que a Lurdinha fica tri loca depois da primeira “ceva”.
Hehehe. Geralmente há um galeto assado ou pão com salsichão. E é sempre oferecida uma caipirinha aos “galetinhos” vivos e de mini-saia que vieram à festa, pra “amaciar a carne”. A bebida geralmente entra de forma clandestina para que os pais do dono da casa não percebam. Em alguns casos rolam coisas como comprar cigarros soltos pra fumar escondido.
Não sei por que, mas as junções até parecem mais divertidas que baladas. Assim como rolam das mais lights, como assistir filme comendo pipoca e pizza (se a coisa rende, come-se as gurias também) na casa de algum dos integrantes do bando.
Ou ainda aparecer no local do encontro com o carro do velho, geralmente retirado da garagem de formas não lícitas, não permitidas e também sem o prévio conhecimento do velho.
Sempre rola aquele momento dark da festa, em que teus amigos arremessam pra ti a guria feia e sempre é largada a desculpa esfarrapada e que a infeliz finge crer:
- Olha, não é por nada, tu é bonita, legal, inteligente, mas eu tenho certeza que isso vai estragar a nossa amizade...
Ou então os menores de idade saem à rua contando miseráveis moedinhas (de sua vida assalariada e sem mesada) para a reposição de insumos para a festa. Nesse caso, se entende por insumos os líquidos de administração via oral com componentes químicos altamente voláteis e inflamáveis. E esses menores de idade vão se esquivando de tudo na rua: de brigadianos (como já disse anteriormente, no Rio Grande do Sul, brigadiano é PM); de marginais; se esquivando também de algum vizinho ou conhecido que lhes veja, ou com menos sorte, algum colega de trabalho dos pais.
Não pode faltar as cantadas baratas pra dar risada, tipo “ tu vem sempre aqui”... “tua boca é linda, mas ela tem um problema...” e outras mais.
E às vezes se tem que curar a “borrachera” (palavra de língua espanhola, muito utilizada no Rio Grande do Sul com o mesmo sentido semântico de bebedeira) na rua ou carregar amigos bêbados. Ou ficar de babá daquele que volta abraçado ao garrafão de vinho mais barato, que já estava empoeirado e fazendo seu segundo aniversário na prateleira do bolicho (pra quem não sabe, no Rio Grande do Sul, bolicho é um estabelecimento comercial que cumpre funções de bar, armazém e coisas do tipo. E bolicheiro é todo o sujeito que trabalha ou é proprietário do distinto estabelecimento). Essa do vinho barato lembra dos quentões kamikase em gélidas noites do inverno sul-riograndense.
Bueno, se pode narrar mil e um episódios, mas deixa pra lá.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Fim de Ano e suas coisas




O Natal vai chegando e Ano Novo também. Vamos curtindo nossa putrefação enquanto a virada não chega. Na virada iremos fazer promessas e traçar objetivos: a mulherada quer emagrecer, quer comprar sapatos e ter o cartão de crédito com o limite equivalente à velocidade de escape (Velocidade de escape: velocidade mínima que um corpo deve ter para conseguir abandonar o campo gravitacional da Terra ou de outro astro onde esteja situado. No caso da Terra a velocidade de escape é 11,2 km/s e em relação à Lua é 0,24 km/s).Os marmanjos querem acertar na Mega-Sena, mas se acertarem “na cabeça” no jogo do bicho, já estarão satisfeitos (já que o jogo do bicho é a única coisa que funciona seriamente no Brasil); também trocar o Fusca 68 por um Corcel II; que o seu time seja campeão e com sorte ficar preso no elevador junto com a vizinha nova. São feitas promessas: “Este ano vou economizar”, “este ano vou estudar”, “este ano paro de enrolar minha noiva e caso duma vez”... e coisas do tipo.
É preciso lembrar que neste fim de ano, o Papai Noel virá magro e com o saco murcho. Talvez o Bom Velhinho tenha tido que até vender as renas, até porque aquela que acendia o nariz estava gastando muita energia elétrica. E outra, com o aquecimento global e o descongelamento das calotas polares fazem com que o transporte via trenó vá ficando defasado. Então a entrega dos presentes vai ser de forma diferente. Escutei rumores que o “Saint Clauss” abriu uma licitação e está terceirizando o serviço de entrega (ou delivery, como prega a globalização neoliberal). Para enxugar seus gastos, ele até dispensou alguns de seus ajudantes e nem assim as ações da Lapônia subiram. E por falar em demissões, está rolando o boato de que o Sr. Wonka (da Fantástica Fábrica de Chocolate) vai demitir muitos Oompa-Loompas e que até já deu férias coletivas.
E sobre a retrospectiva 2008: dengue no Rio de Janeiro; um pequeno abalo císmico no Brasil; crise alimentícia mundial; guerra da Geórgia; crise mundial com origem nos E.U.A.; Internacional Campeão Gaúcho de 8 a 1 no Juventude (é o Apocalipse); greve dos professores no Rio Grande do Sul (a começar que a governadora nem é gaúcha, o resto nem precisa falar...) e pela segunda vez uma equipe gaúcha é prejudicada no campeonato brasileiro por interferência de interesses extra-campo:o gol impedido do São Paulo sobre o Goiás não foi anulado.
Ah, e aparecem as videntes pra fazer as previsões pra 2009, até já vou poupar serviços das mesmas e vou dizer: “Algum político vai morrer”, “o presidente Lula deve governar com cautela, pois 2009 é o ano de qualquer animal no calendário chinês e possui sintonia negativa com a constelação de Ursa Maior com ascendente em Aquário, com influência dos Anéis de Saturno”; “vai ter uma doença que vai matar muita gente”; “A AIDS ainda fará muitas vítimas”; “Muitos inocentes morrerão em atentados terroristas”; “Será o ano da prosperidade e do amor pra que souber aproveitar suas oportunidades e estar em sintonia com sua áurea”. Mais previsões: “Os governos devem parar de poluir e guerrear, senão irão acabar com a vida na Terra”.
Ainda faltam os profetas “do fim do Mundo”, com suas teorias com falsos ou nenhum embasamento Bíblico. Tem também os vários “Cristos” que aparecem, cada um dizendo ser o verdadeiro Cristo. Se juntar todos pode-se fazer, literalmente, um exército de “Jesuses” (no plural, pois são muitos). Essa idéia pode até dar uma ajudinha nas economias da China e Paraguai). Ou então uma “legião de Jesuses”, talvez uma legião com “muito boa vontade” e intenções (ainda mais se for ligar pra tua casa e te pedir dinheiro) ,uma legião que não é nada urbana.
E por falar em religião, garanto que os E.U.A. ainda vão continuar procurando o Osama. Esses yanques gostam de complicar, pois todo mundo sabe que há mil e uma maneiras de procurar o Osama, uma delas é pelo Google.
Soluções para 2009: O Papai Noel deve tentar uma fusão com o Sr. Wonka, mas no bom sentido, sem viadagem. Segundo, sobre a dengue no Rio de Janeiro, é preciso investir em atenção de saúde preventiva (ou atenção primária, para ser mais específico), na educação em saúde ao povo e medidas efetivas de combate ao mosquito. Terceiro, a crise alimentícia: deve-se investir em agricultura, ou melhor, agricultura familiar, sem interferência de interesses corporativos e estrangeiros. Uma solução mais profunda, pra resolver o mal pela raiz (ou pelo caroço da ‘questã’, como diz o Analista de Bagé) é a reforma agrária e por suposto a redistribuição de riquezas, até porque se sabe que o problema dos alimentos no mundo não é a produção e sim a distribuição. Número cinco: Greve dos professores no Rio Grande do Sul, o ideal é que a governadora deixe de aumentar o próprio soldo e aumente o dos professores. Sexto: dos supermercados serem obrigados a fechar em domingo... que abram no dia em que queiram, mas que os funcionários sejam devidamente gratificados. Sétimo: sobre a crise dos E.U.A. e suas metástases no mundo, a solução é a busca por uma alternativa ao capitalismo (creio que assim nenhum ajudante de Papai Noel ficaria desempregado, muito menos os Loompa-Loompas). Oitavo: pra driblar a putaria no Campeonato Brasileiro, a dupla GRENAL deve boicotar esse campeonato de fachada já contaminado por interesses corporativos. Nono: na questão das videntes, eu ofereço o Troféu Abacaxi para quem vai atrás das mesmas. Se bem que poderia ser feira uma exploração de apostas em dinheiro em cima das previsões delas, faria aquecer a economia e iria gerar receita ao estado, seria a “loteria bola de cristal”.

Fim de Ano e suas coisas




O Natal vai chegando e Ano Novo também. Vamos curtindo nossa putrefação enquanto a virada não chega. Na virada iremos fazer promessas e traçar objetivos: a mulherada quer emagrecer, quer comprar sapatos e ter o cartão de crédito com o limite equivalente à velocidade de escape (Velocidade de escape: velocidade mínima que um corpo deve ter para conseguir abandonar o campo gravitacional da Terra ou de outro astro onde esteja situado. No caso da Terra a velocidade de escape é 11,2 km/s e em relação à Lua é 0,24 km/s).Os marmanjos querem acertar na Mega-Sena, mas se acertarem “na cabeça” no jogo do bicho, já estarão satisfeitos (já que o jogo do bicho é a única coisa que funciona seriamente no Brasil); também trocar o Fusca 68 por um Corcel II; que o seu time seja campeão e com sorte ficar preso no elevador junto com a vizinha nova. São feitas promessas: “Este ano vou economizar”, “este ano vou estudar”, “este ano paro de enrolar minha noiva e caso duma vez”... e coisas do tipo.
É preciso lembrar que neste fim de ano, o Papai Noel virá magro e com o saco murcho. Talvez o Bom Velhinho tenha tido que até vender as renas, até porque aquela que acendia o nariz estava gastando muita energia elétrica. E outra, com o aquecimento global e o descongelamento das calotas polares fazem com que o transporte via trenó vá ficando defasado. Então a entrega dos presentes vai ser de forma diferente. Escutei rumores que o “Saint Clauss” abriu uma licitação e está terceirizando o serviço de entrega (ou delivery, como prega a globalização neoliberal). Para enxugar seus gastos, ele até dispensou alguns de seus ajudantes e nem assim as ações da Lapônia subiram. E por falar em demissões, está rolando o boato de que o Sr. Wonka (da Fantástica Fábrica de Chocolate) vai demitir muitos Oompa-Loompas e que até já deu férias coletivas.
E sobre a retrospectiva 2008: dengue no Rio de Janeiro; um pequeno abalo císmico no Brasil; crise alimentícia mundial; guerra da Geórgia; crise mundial com origem nos E.U.A.; Internacional Campeão Gaúcho de 8 a 1 no Juventude (é o Apocalipse); greve dos professores no Rio Grande do Sul (a começar que a governadora nem é gaúcha, o resto nem precisa falar...) e pela segunda vez uma equipe gaúcha é prejudicada no campeonato brasileiro por interferência de interesses extra-campo:o gol impedido do São Paulo sobre o Goiás não foi anulado.
Ah, e aparecem as videntes pra fazer as previsões pra 2009, até já vou poupar serviços das mesmas e vou dizer: “Algum político vai morrer”, “o presidente Lula deve governar com cautela, pois 2009 é o ano de qualquer animal no calendário chinês e possui sintonia negativa com a constelação de Ursa Maior com ascendente em Aquário, com influência dos Anéis de Saturno”; “vai ter uma doença que vai matar muita gente”; “A AIDS ainda fará muitas vítimas”; “Muitos inocentes morrerão em atentados terroristas”; “Será o ano da prosperidade e do amor pra que souber aproveitar suas oportunidades e estar em sintonia com sua áurea”. Mais previsões: “Os governos devem parar de poluir e guerrear, senão irão acabar com a vida na Terra”.
Ainda faltam os profetas “do fim do Mundo”, com suas teorias com falsos ou nenhum embasamento Bíblico. Tem também os vários “Cristos” que aparecem, cada um dizendo ser o verdadeiro Cristo. Se juntar todos pode-se fazer, literalmente, um exército de “Jesuses” (no plural, pois são muitos). Essa idéia pode até dar uma ajudinha nas economias da China e Paraguai). Ou então uma “legião de Jesuses”, talvez uma legião com “muito boa vontade” e intenções (ainda mais se for ligar pra tua casa e te pedir dinheiro) ,uma legião que não é nada urbana.
E por falar em religião, garanto que os E.U.A. ainda vão continuar procurando o Osama. Esses yanques gostam de complicar, pois todo mundo sabe que há mil e uma maneiras de procurar o Osama, uma delas é pelo Google.
Soluções para 2009: O Papai Noel deve tentar uma fusão com o Sr. Wonka, mas no bom sentido, sem viadagem. Segundo, sobre a dengue no Rio de Janeiro, é preciso investir em atenção de saúde preventiva (ou atenção primária, para ser mais específico), na educação em saúde ao povo e medidas efetivas de combate ao mosquito. Terceiro, a crise alimentícia: deve-se investir em agricultura, ou melhor, agricultura familiar, sem interferência de interesses corporativos e estrangeiros. Uma solução mais profunda, pra resolver o mal pela raiz (ou pelo caroço da ‘questã’, como diz o Analista de Bagé) é a reforma agrária e por suposto a redistribuição de riquezas, até porque se sabe que o problema dos alimentos no mundo não é a produção e sim a distribuição. Número cinco: Greve dos professores no Rio Grande do Sul, o ideal é que a governadora deixe de aumentar o próprio soldo e aumente o dos professores. Sexto: dos supermercados serem obrigados a fechar em domingo... que abram no dia em que queiram, mas que os funcionários sejam devidamente gratificados. Sétimo: sobre a crise dos E.U.A. e suas metástases no mundo, a solução é a busca por uma alternativa ao capitalismo (creio que assim nenhum ajudante de Papai Noel ficaria desempregado, muito menos os Loompa-Loompas). Oitavo: pra driblar a putaria no Campeonato Brasileiro, a dupla GRENAL deve boicotar esse campeonato de fachada já contaminado por interesses corporativos. Nono: na questão das videntes, eu ofereço o Troféu Abacaxi para quem vai atrás das mesmas. Se bem que poderia ser feira uma exploração de apostas em dinheiro em cima das previsões delas, faria aquecer a economia e iria gerar receita ao estado, seria a “loteria bola de cristal”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Santa Clara, Villa Clara_CUBA


Uma vez ouvi falar de Santa Clara, capital da província de Villa Clara, no centro de Cuba. Seria onde estaria um monumento ao Che e até um memorial com seus restos mortais e museo com alguns objetos que lhe pertenceram. Ok.
Depois de muito esperar em Havana por um ônibus até Guantânamo (no extremo oriente), decidimos pegar um carro e irmos direto à Santa Clara, a qual desde antes já estava no percurso. Estávamos eu; Johnny (de La Paz, na Bolívia); Luiz (de Brasília) e Ycaro (do Amapá). Passamos algumas horas na estrada, então chegamos à conhecida “Cidade do Che”. Procuramos a Escola de Ciências Médicas e lá nos hospedamos. Conhecemos um pouco da cidade, é uma cidade com ares de cidade pequena (eu não sei com precisão, mas tem entre 100 mil e 500 mil habitantes).
Suas construções antigas lembram aquelas novelas ou minisséries filmadas no interior de Minas Gerais, ou então algumas cidades pequenas do Rio Grande do Sul, como São Pedro do Sul, Rosário do Sul, Lavras do Sul, Caçapava do Sul, ou até Alegrete. Tudo isso, como eu disse, pelos ares de cidade pequena, como a praça no centro da cidade e o seu coreto, algumas ruas estreitas pavimentadas com paralelepípedos (como vielas européias).
Tem também um Boulevar, sendo o coração comercial da cidade, faz lembrar um pouco o Calçadão de Santa Maria. O povo também afável e receptivo, fazendo lembrar cidades pequenas da fronteira do Rio Grande do Sul. Durante a manhã pode-se observar livrarias abertas e seus preços acessíveis, como também a Biblioteca; vários vendedores de flores e observar tudo isso tomando um cafezinho, que custa 20 centavos de Peso Cubano (cerca de 2 centavos, eu disse 2 centavos de Real, no máximo 5).
Sobre o monumento do Che, trata-se de uma grande estátua do mesmo. E embaixo há o museo e o memorial. No museo encontram-se fotos ampliadas e objetos que pertenceram ao Che. Desde histórico escolar; uma credencial de enfermeiro; bombinha de asma; jaleco; farda e resumindo, até armas em que ele utilizou em algumas batalhas. Há também o diploma de médico, expedido pela Faculdade de Medicina de Buenos Aires.
No Memorial descansam os restos mortais de Ernesto Guevara de la Serna e de outros guerrilheiros que morreram em combate na Bolívia. Há também uma chama que nunca se apaga, simbolizando que os ideais dos heróis mortos permanecem vivos. E tudo num clima de reverência, desde os presentes no recinto terem de tirar suas coberturas, até o modo de como a pessoa que ali trabalha nos dá as devidas explicações.
Nesses dois lugares, memorial e museo, as pessoas certem uma certa emoção, talvez por estarem tão próximas de alguém que admiram. O ponto negativo é que não se pode tirar fotos ou fazer filmagens no interior desses lugares. E como disse Che:
“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás.”
“Hasta la victória, siempre”

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um ¨causo¨de bailão
















É noite de bailão. O regime deu certo, pois Rosicreyde perdeu meio quilo e conseguiu entrar em sua calça jeans nova,que é vermelha. Coloca uma bluzinha com listras horizontais vermelhas e pretas (cor sim cor não, como dizem). tipo a do Fred Kruger. Enquanto se arruma, seu celular toca, é Herrody Nelvaldo (seu ficante). Então começama falar nos três segundos. Ok, tudo combinado. Rosi segue se arrumando, aí vem sua amiga que está na sala para passar a chapinha no seu cabelo. Começa então a maquiagem: sombra, base, pó de arroz (eu disse pó de arroz) e não podia faltar batom em quantidade de pá-de-concha (como diz um tio meu) e daqueles bem rosa pink (que brilha no escuro), lançamento das revendedoras dos cosméticos ¨FON FON¨ (que por sinal, todo mundo tem uma vizinha que é revendedora de cosméticos ¨FON FON´, diga-se de pasagem).
Ainda ¨farta se aperfumá¨, que Rosi, ... esqueci, ela prefere que chamem de Rosy.. bueno, continuando... Rosy (com Y, como ela gosta) tem dúvida entre Alma de Flores e Amor Gaúcho. Na dúvida vai os dois.
Não demora muito, e chega Herrody Nelvaldo (vulgo Edy, também com Y), na Variant do seu chefe e com alguns amigos. Enquanto a moça se arruma, ele fica na sala com os sogros e os amigos. Por sinal, o sogro já está ¨duro de fanta¨ (expressão utilizada no Rio Grande do Sul que tem a mesma função semântica que “bêbado”), mas não vem ao caso, não tem nada a ver com o causo, pois a ordem dos tratores não altera o viaduto, quer dizer, a ordem dos fatores não altera a hipotenuza, ou os catetos, ou o produto... bom, deixa pra lá, eu não gosto de matemática, mesmo. Resumindo: o véio estava meio bêbado. Bom, Edy está com sapatos brancos, carpim marrom, calça quadriculada (tipo as do Augustinho da Grande Família) e uma dessas camisas de pagodeiro. No pulso direito, um relógio “cebolão”, tipo os do Faustão, porém da classe econômica, no outro uma pulseira dourada (se é de ouro já não sei...) Não pode faltar o cinto com fivela cowntry e a fatiota (pra quem não sabe é paletó) cor de tijolo.
Bueno, a moça se apronta e o povo vai. São Edy e mais dois amigos e Rosy e mais três amigas. Primeiro teve que acomodar esse povo na Belina. Opa, esqueci, era uma Variant. A primeira coisa foi o arranque, que teve que ser removido e colocado no fundo, depois do banco de trás, mas logicamente depois de exercer sua devida função no elegante automóvel. Deixe-me explicar, o ¨arranque¨ eram os dois amigos de Edy, que sempre que tinha que empurrar o carro, cujos nomes: Óschinto e Dyôn Lêno.
Depois do feito, pararam em um bolicho (pra quem não sabe, bolicho é uma espécie de bar, armazém ou estabelecimento do tipo, onde se vende de tudo um pouco, ¨sortido que nem baldeação em Cacequi, como diria o Analista de Bagé¨) e compraram um refrigerante e uma cachaça do tipo ¨bariga mol¨(marriga mole - aquelas que vem em garrafa de plástico, bem bagaceira mesmo. Para poder efetuar a compra, fizeram uma vaquinha e cada um deu um Pila (Pila, segundo dizem, é uma moeda que circula paralelamente no Estado do Rio Grande do Sul e tem a mesma cotação do Real), foi feita a chamada concentração, pra não gastar dinheiro no baile. Ah, chega na porta bo bailão, os preços:
HOMENS: 3 PILA
MULHERES:NÃO PAGAM
O porteiro é um ¨coroa¨desdentado, com um colete e um cacetete na mão. Bueno, as gurias entraram tranquilamente. Os très caras sofreram a ¨revista¨, e ainda um dos seguranças passou um desses detector de metais portátil, que parece um aspiradorzinho de pó. O detector fez alguns barulhos fora do normal, aí o segurança deu uns tapas e voltou ao ¨normal¨.O problema é que o produto era chinês e a nota fiscal era de um revendedor paraguaio. Sei que o aparelho apitou, mas não era nada mais que a fivela de Edy. Bueno (esse bueno já se tornou um vício de linguagem, e se isso fosse uma redação de vestibular eu já estaria reprovado), o povo pagou a mesa e foi se acomodar. Dyôn foi até a copa comprar umas cervejas e no balcão havia um balaio cheio de camisinhas. Lêno nem pensou duas vezes, pegou um punhado e colocou no bolso do casaco. Chegou até a mesa com as cervejas e os copos e deu duas camisinhas pra cada um dos companheiros.
Enquanto isso, Roxane (amiga de Rosy) tira da bolsa uma carteira de cigarros da marca ‘Oliú’ (eu disse ‘Oliú’, como o povo diz). Antes de começar o baile, vai rolando uma musiquinha ambiente, vai o povo chegando o povo e se acomodando.
Silencio, luzes no palco e ouve-se uma voz:

- Teste! Som! Som! 1, 2, 3! Teste! Som! Alô!
Uma microfonia interrompe. As luzes se apagam e ascende só um canhão de luz que ¨alumia¨ um sujeito no palco. O sujeito deve ter 1,80 m de altura, cabelo com gel (ou Gouméx) penteado para trás, barba feita, óculos (desses tipo ¨raiban de brigadiano¨, os chamados Amber Vision. E pra quem não sabe, brigadiano é PM no Rio Grande do Sul), bigode e seu sorriso ostenta um dente de ouro. Tem um ombro ligeiramente mais alto que o outro. Seu paletó é de microfibra e tem finas listras brancas verticais (estilo Al Capone), afinal, alguma coisa tem que ser elegante nessa história. Usa uma camisa com gola italiana, estampada com amebas e botões abertos até a altura do peito. No pescoço uma corrente dourada, no pulso esquerdo um relógio dourado e no direito uma pulseira também dourada. Em uma das mãos trazia um charuto aceso, que com certeza não era cubano. Na sua fivela dourada vinha seu nome escrito em diagonal: Nérso Sirva, seu nome era também o nome do bailão. Bailão do Nérso Sirva, a melhor casa de baile da cidade e região, onde ainda existe os ¨baile de família¨. Seguindo a descrição, tentando não perder a linearidade da coisa. Bueno, sua calça é azul, tipo de motorista de ônibus. O seu sapato preto de bico fino estava lustroso como “cusco” (no Rio Grande do Sul, cusco significa cachorro) de cozinheira, porque a tarde passou pela praça e o engraxate Bozó deu uma caprichada na escova (engraxate Bozó é um personagem real e famoso, do ambiente urbano da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul). A descrição faz até lembrar o Wander Wildner (gaúcho, ícone do rock gaúcho, foi vocalista das bandas punk gaúchas REPLICANTES e SANGUE SUJO. Hoje ele é cantor de punk rock brega), ou o empresário Miranda, do filme Os 2 filhos de Francisco. Com sua voz grave, Nérso Sirva começa a falar:
- Muito boa noite amigos e amigas do meu coração. É satisfação ver a casa cheia, “derramando gente pelas chinelas: 2 par dançando”! É com muito prazer que a Casa de Shows Nérso Sirva traz pra vocês a Banda Magia de Baile, lançando seu novo CD “Valsa, amor e cerveja”, campeão de vendas. Prepare seu coração, é pra bailar gurizada.
Surgem efeitos especiais no palco e a música começa. São vários músicos, cabe descrever seu uniforme: camisa cor de laranja, calça e coletes brancos. No corte de cabelo não há muitas variações, os que não usam o topetinho amarelo (tipo o do Chimbinha, da Calypso) usam um mullet (tufinho de cabelo ligeiramente comprido (e ridículo) na nuca, tipo os antigos do Chitãozinho & Xororó. O que importa é que eles começam a tocar e o povo a dançar. Uma das regras é que não se nega dança. Então um sujeito larga o copo na mesa, tira o palito do canto da boca e vai tirar aquela loirinha pra dançar. Começam a bailanta e o diálogo, ela pergunta o que ele faz da vida:
- Qual é o teu ramo?
- Ora, eu so dotori!
- Ué, mas dotori do que? Dos rinho, dos filgo, do zóio?
- Eu so dotori de hospitali, que é dotori de tudo isso que tu disse.

E seguem bailando. Próximo da cidade do baile há uma colônia de alemães, e alguns falam português com sotaque bem carregado. Então, no outro canto da sala, enquanto o par baila, vai trocando idéia:
- Como é que é teu nome, “cúria” ? [TRADUÇÃO: como é teu nome, guria?]
- O meu nome é “Chissele”. [T: meu nome é Gizele]
- Então tu é tocaia “ta minha moto”. [T:Então tu é xará da minha moto – fazendo alusão a moto XL].
Há também colônias de italianos, que também falam com sotaque carregado. São também chamados de gringos, e um deles trabalha na copa. E eis que chega outro da mesma etnia para comprar bebida:
- Mi dá um copo di vigno. [T: Dá-me um copo de vinho].
- Di garafa o di garafón? [T: de garrafa ou de garrafão]
- Di garafón qui é mais amargón. [T: de garrafão que é mais amargo]
- Mais alguma coza? [T: mais alguma coisa]
- Uma fatia de quezo i polenta. [T: uma fatia de queijo e polenta].
Segue o baile com seus pares caricaturais dançando ao som de “Valsa, Amor e Cerveja”. Em meio a desordem, os casais os casais vão se batendo sem querer uns nos outros. De vez em quando alguns marmanjos se exaltam e começa alguma peleia, mas o segurança coloca a indiada pra fora e segue o baile.
Rosy e suas amigas vão perceber que a chapinha de cabelo vai perdendo o efeito e a maquiagem está se borrando, então se dirigem ao banheiro. Roxane tira da sua bolsa uma bisnaga de mostarda, mas o conteúdo era Neutrox para passarem no cabelo e assim fazem. Também retocam de pá-de-concha o baton rosa pink cintilante. Depois da típica demora, voltam para a mesa.
Sempre tem aquela gurizada que vai pra aprontar e dar risada. Essas casas de baile antigas, ainda tem na parte de fora, longe da sala de, a “casinha”, onde o pessoal faz as necessidades, também chamada de patente. Então quando o banheiro está lotado, se tem duas opções: mija nos “arvoredi” lá fora ou na patente. E sei que o seu Dorival já andava meio borracho e quis dar uma mijada. O banheiro estava longe e ele com preguiça de ir nos “arvoredi” então estava indo até a patente. Acontece que a gurizada empurrou a patente alguns centímetros para trás, algo que não poderia se notar na noite.
Então seu Dorival abre a porta da “casinha” e quando dá o próximo passo cai num buraco cheio de merda. É motivo de riso pra quem presencia, então começa a rogar praga contra todos. Bueno, segue o baile.

[TO BE CONTINUED]
BREVE MAIS CASOS DE BAILÃO

sábado, 29 de novembro de 2008

E as dicas de moda…


Às vezes a gente fica sabendo dos modismos no Brasil, que vão desde gírias que os “brothers” usam no confinamento da casa mais vigiada do país até os modos mais complexos (e excêntricos) de comportamento. Tem o lance das umlheres fruta no Brasil. Mas como julgar se determinada mulher é a mulher maçã, moranguinho, etc? Bueno, a mulher pêra é aquela que tem os peitos pêra, “per aqui na altura dos joelhos”. A mulher melancia é aquela que ninguém come sozinho. Essa última lembra as grandes corporações no Brasil, fazendo fusões, porque isoladas elas “não dão no couro”, ou seja, não consegue comer sozinho o mercado. Da mesma forma, muitas vezes a mulher e o mercado podem se tornar um abacaxi. Ok, chega de falar em mercado.

Tem a moda das calças apertadas (mais apertada que bombacha de fresco), que é uma variável da sua ancestral “pantalona” (os coroas que o digam). Ou camisetas apertadas, talvez bisnetas da camisa “volta ao mundo” (chamem de novo os coroas). Assim a moda segue, apertada como as finanças do povo. E tem aqueles que fazem para andar na “estica”, ou na linguagem da moda, estar fashion (ou seria star fashion, num letreiro brilhando). E tem aquela da mulherada colocar uma cinta por cima da blusa e dizer que é chique e elegante. E há aqueles que saem com a marca estampada (só falta fazer isso na testa) como se fossem um outdoor, na real pagando pra que ele mesmo faça o “merchan”. Existe também as dos tênis com não sei quantos sistemas de amortecedor, que é a descendente do ki-chute.

Como diz o outro “depois que inventaram a máquina de debulhar milho, eu não duvido mais de nada”. Tem gente que pensa que é bonito ser feio. Moda é foda.

Sobre tudo um pouco...


Dá-lhe! E vai injeção de capital no mercado pra salvar o mundo da crise, e ficar mais cheio que pinico em baile. Acho que eles devem se inspirar na Colgate – salvando o mundo das cáries. Enquanto há uma comoção mundial sobre salvar a economia de capital flutuante, no mesmo planeta há registro de mais de 900 milhões de pessoas passando fome.

Enquanto esperamos que especuladores salvem o mundo, há muito mais tempo os fans de Guns’n’Roses estavam esperando a “democracia chinesa”, lançado há pouco. Os críticos definiram como um projeto experimental de Axel Rose, sendo o único integrante da formação original da banda que participa do disco e foi o álbum mais caro da história. Aproveitando a comoção financeira, poderia se fazer um mega concerto com Axel e outros para levantar fundos para driblar o caos do mundo business, ao invés de ir para alguma caridade específica.

O Brasil meteu 6 a 2 em Portugal e infelizmente o São Paulo vai sendo campeão brasileiro de novo. O problema é que faltam duas rodadas e o São Paulo tem vantagem de cinco pontos sobre o vice-líder, que é o Grêmio. Aqui entre brasileiros (na república de estudantes onde vivo) isso gera muitas discussões: O pernambucano que torce pelo São Paulo fica enchendo o saco porque o Internacional tomou 3. A questão é que o sãopaulino não quer admitir que o São Paulo é freguês do futebol sul-riograndense. E se chegar a ser campeão, foi pela ajuda do colorado. Porque o jogo só acaba quando termina.

O progresso, em busca de lucros, destruiu e continua destruindo o meio ambiente e ao longo do tempo gerando o aquecimento global, que culmina em drásticos câmbios de clima. Um exemplo próximo são essas chuvas em Santa Catarina. Enquanto engravatados tentam salvar as doletas e esquentar o planeta, o povo está fodido no sul do Brasil e no mundo há quase 1 bilhão de seres humanos passando fome. O que se espera é que o sistema, a nível global, busque um bode expiatório ao problema.

Texto escrito em 26/11/08

A Nova Ordem Mundial


A onda do momento é a crise, abalando as estruturas da economia mundial. Imaginem, até nas baladas as chavecadas:

- Bolsa de Boston ou NY?

- Prefiro Tóquio, cansei de BOVESPA...

(Essa foi péssima, talvez ainda seja melhor o velho “tu vem sempre aqui?”, ou “te conheço de algum lugar?”. Chavecadas (ou cantadas furadas) a parte, ainda mais que em tempos de crise a verba pra balada sofre uma “enxugada”, essa história de capital flutuante vai nos levando a uma nova (des)ordem mundial. Desde a atual Reserva Federal tirando seu “anelzinho”da reta... antes era assim: o país que tivesse suas reservas em verdinhas, ia até lá e trocava por ouro (creio que em barras) – isso até lembra o Silvio, o Lombarde e o Roque, em rítimo de festa.

Ah, a crise de 29 em que eu já falei algumas vezes... só acho que não falei no Al Capone. Bom, mas tudo começou mais ou menos em 29, tipo depois, na década de 40, quizeram reparar a coisa. Ocorreram coisas como a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial. Teve influência de Keynes, mercado com intervenção do estado. Até foi feita a proposta de criação de um banco central mundial para se ter uma moeda padrão. É notório que essa idéia não vingou, então estabeleceu-se o padrão Dólar. Alguns entendidos do assunto, hoje, defendem essa proposta do banco central mundial, sendo assim criada uma nova (des)ordem mundial.

Ainda partindo de 29, e outras crises mais, observou-se como seqüelas das mesmas, o fortalecimento da direita, tendo os clássicos exemplos de Hitler e Mussolini. Mussolini reconheceu oficialmente o Vaticano como estado. Talvez em alguns momentos de crises alguns setores da humanidade possam cometer o erro de unificar política e religião e como conseqüência buscar bodes expiatórios, como fizeram com os judeus na Alemanha nazista.

Ou então, juntando governo + religião, as instituições financeiras e políticas podem apelar ao Papa, afinal já que ele é “Pedro”, que pesque a solução. Seria o caso de chefes de estado assinando acordos a portas fechadas no Vaticano?

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/11/15/acordo_de_lula_e_papa_cria_cidadao_de_segunda_classe_diz_especialista_2114678.html



http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=512JDB002





A suposta criação de um Banco Central Mundial com moeda única seria como misturar água e óleo. Seria forjar uma conjuntura para a suposta livre circulação do capital. Isto iria dividir a população em castas, sob a marca da nova ordem mundial: as que podem e as que não podem comprar nem vender. Talvez marcas na mão, na testa ou no cartão de crédito, com o alvará do novo banco. Imagine, tu chega em um posto de gasolina pra abastecer (com gasolina comum, aditivada é muito cara), passa o cartão que daí é recusado. Então a moça do caixa diz:

- Desculpe, o senhor não tem a marca, mas podemos resolver, ok.

Liga ao bankphone e resolve. O magrão já está com a marca, seja na mão, seja na testa, ou talvez caolho, devido ao preço das coisas.

Texto escrito em 23/11/2008

sábado, 22 de novembro de 2008

E a crise?

Bah!! Desde que me conheço por gente, ou desde quando eu comecei a achar que eu era gente, ligava a Tv ouvia falar mal de Cuba, inventava as coisas mais absurdas possíveis, tipo as que eu já escrevi no blog. Deixa pra lá...
A questão é que agora tem essa crise econômica mundial encabeçada pelos E.U.A, ou melhor, o câncer dos E.U.A. e suas malditas metástases. O Brasil possui muitas empresas multi e transnacionais de capital estadunidense, esse é o caroço da questão, como diria o Analista de Bagé. Ah, não podemos esquecer que o tio Sam é um dos nossos grandes compradores. Com base nesses fatos e outros, analistas internacionais prevêem as vacas emagrecendo e indo pro brejo. Por exemplo, talvez alguns desempregados na General Motors. Quando a GM chegou no Rio Grande do Sul disseram que ela geraria muitos empregos indiretos. Pois é, agora vai gerar desempregos diretos, indiretos e ainda espalhando a metástase como efeito dominó.
Essa foi só uma ilustração para simplificar o tema. A\recessão vai se esparramar mais que espirro em farofa. Como diriam alguns, a merda vai voltar pro cu. Ta, mas o que isso tem a ver com Cuba? Bah, tem muita coisa que outra hora eu explico... Apesar dos pesares, nenhum trabalhador cubano vai ficar desempregado, nenhuma criança cubana vai deixar de receber seu leite diário ou chegar à evasão escolar (bom, se isso ocorrer eles chamam a Tia da Moto – pra quem não entendeu outra hora eu explico, coisas da minha cidade...). Tão pouco o preço da comida se elevará a níveis estratosféricos, continuará o mesmo. Por exemplo, 1kg de arroz, um cubano paga o equivalente entre R$ 0,04 e R$ 0.08 (entre quatro e oito centavos de Real).
Desculpem a simplicidade do texto, mas era pra reduzir a complexidade da economia mundial a exemplos mais didáticos. E desculpem-me por falar em merda e cu, uma vez me disseram que era feio falar palavrão. Prometo queda próxima vez eu não falo. Agora, em uma coisa vocês vão ter que concordarem comigo. A coisa está uma merda.

sábado, 8 de novembro de 2008


O Messias Democrata

Hoje o mundo comemora a vitoria do democrata Barak Hussein Obama, um homem de idéias progressistas. O mundo depositou nele suas esperanças, como se ele fosse o Messias. E dos principais milagres que ~e esperado do novo messias ~e ofim da Invasão do Iraque, fim do Bloqueio a Cuba e dar Viagra ao mercado financeiro. Resumindo, estão esperando que ele faça um mundo melhor, Paz na Terra e compreensão entre os homens de boa vontade – como dizem os cartões de Natal.
Assim como Jesus Cristo veio de família pobre e nasceu em Nazare, num estábulo, o novo ¨salvador da humanidade¨ eh negro e filho de imigrantes, fator que faz uma pessoa ser discriminada no pais da Estatua da Liberdade. O progresso eh que ele eh o 44º presidente dos Estados Unidos, mas o primeiro negro entre o seleto grupo, mas o primeiro presidente negro entre o seleto grupo. O contraponto eh de que não há registros que digam que os três reis magos foram visitar Obama quando mesmo veio ao mundo. Na verdade são as tropas estadunidenses que fazem ¨visitas¨ hoje nas regiões de onde eram os reis magos...
Jesus era judeu, ou seja, da tribo de Judah, pertencente a Israel, o povo escolhido por Deus. Os E.U.A. se julgam um povo pré-destinado a prosperar, ou seja, pré-destinados pelo Criador. O verdadeiro Messias foi morto, também porque seus pensamentos eram diferentes das correntes de sua época e supostamente oferecia um suposto perigo político (principalmente ao império romano – mama mia!). Se por acaso o senhor Obama for divergente da cartilha já seguida na Casa Branca, se desviar o peh de guardar a lei e profanar os costumes da ¨America¨, será derrubado, retalhado ou ateh morto. E pior, se pegarem ele saindo com uma estagiahria, vai dar pano pra manga.
Quando se cria uma grande expectativa em algo, eh lógico que se decepcionam. Por exemplo, a seleção brasileira na Copa de 2006, ou então o Barcelona não ter levado pra casa o Mundial Interclubes do mesmo ano.
Ainda pode-se fazer a observação do velho clichê, de se ter cuidado quando a pessoa eh muito boazinha, tipo o lobo em pele de cordeiro. Dos loucos e psicopatas já declarados e identificados, suas ações já são previsíveis, mas o perigo estah nos bonzinhos... como diz o ditado ¨boi manso eh que arrebenta a porteira¨.
Traçando um paralelo com o Brasil, eh possível dizer que o povo esperava mudanças estruturais a partir de 2003, e ainda depois, nohs ¨deixamos o homem trabalhar¨. Ocorreram avanços, verdade seja dita – mas não na proporção em que esperávamos . O problema eh que não depende soh do cacique, eh preciso que se tenha no mínimo a maioria do parlamento a favor. Isso pode ser obtido pela distribuição de cargos a partidos fisiológicos, assim creio que Obama irah fazer, como distribuir alguns cargos aos republicanos.
E mais que isso, o pior eh que em medidas desesperadoras, poderah haver perigo de perseguições a grupos que são minoria, utilizados como bode expiatohrio, os supostos culpados pelos males da nação e do mundo. Sempre foi assim com os que pensavam diferente da maioria.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Regionalismo - Bonito como laranja de amostra

Outro dia, estávamos conversando e eu falei com o Mauro (de Porto Alegre), algo sobre ter visto um “cusco” e era daqueles bem “guaipeca”. O início e o reto da conversa eu não me lembro, só sei que causou expanto e curiosidade dos demais brasileiros no recinto... O que é cusco? O que é guipeca? Capaz, loco! É cachorro e vira-lata respectivamente.
Ou então, “hoje tem ‘guizado’ no almoço”. O que é isso? Carne moída. Ou então o Saulo (outro de Porto Alegre) com sua namorada carioca... ele disse:
- Baaaah!!!!!!!!
Ela:
- Bah o que?
- Que tri... tri legal!!!!
O que se sabe é que a carioca ficava mais perdida que sapo em cancha de bocha, ou mais perdida que cebola em salada de frutas.
Ou então “teve uma peichada na esquina.”
Que é isso, peixe assado?
Não isso é uma batida de carros.
E aquela:
- Bah, vou dar uma banda ali na feira pra comprar uma melança...
Traduzindo, seria: Vou dar uma volta ali na feira pra comprar uma melancia.
É bom também lembrar das chinas, pra quem está longe do Rio grande, as chinas de lá fazem falta hehehe.
Certa feira estávamos reunidos em um grupo de brasileiros, uma guria de São Paulo disse pra outra também oriunda do mesmo estado:
- Ai, Fulana, “chupisca” daqui, vai...!!!!
Bueno, depois dessa nem preciso dizer, os gaúchos presentes deram muita risada. No Rio Grande do Sul, chupisco quer dizer outra coisa... (bom, outro dia me aprofundo no lingujar pornô-gaúchesco, porque a temática de hoje é mais cumprida que guspe de bêbado ou esperança de pobre.
E as ocasiões em que largávamos expressões, como “roda de carreta chega cantando e sai gemendo”; “cavalo de borracho sabe onde o bolicho dá sombra”; “ancioso que nem anão em comício”, era necessário traduzir ao pessoal.
Ah, aqui em Cuba está passando a Casa das Sete mullheres, então esses dias eu ia passando e uma funcionária viu a bandeira do RS e me perguntou. Aí expliquei e ela lembrou da série e então começou a fazer um monte de perguntas e eu todo faceiro respondendo. Fiquei faceiro que nem china em dia de pagamento de quartel.

sábado, 4 de outubro de 2008

Crise pior que 29

Wall Street em 1929 gerou um colapso no mundo. Dizem que é trágico ver novos ricos, pois querem ostentar que aumentou seu poder aquisitivo, mais trágico que isso foi ver os novos pobres: muitos dos que se tornaram novos pobres cometeram suicídio – conseqüência do crack (o crack da bolsa, não o da pedrinha). A mesma mão invisível que movia o mercado foi a mesma que meteu sem cuspe seu grande dedo invisível no próprio mercado.

VERSOS ÍNTIMOS
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!
Augusto dos Anjos


Todos os que rejeitavam a intervenção estatal sobre as regras, limites e taxas sobre as transações mercantis, chegavam ao estado pedindo o “tiro de misericórdia” ou melhor, injeção de capital que tivessem efeitos de morfina ou ainda milagres. Isso lembra quando o tio Getúlio teve que comprar parte da mega produção de café e Santos ficou com aroma de café torrado. Talvez a fumaça cumpria a função de incenso para que as orações desesperadas chegassem aos céus e os céus fizessem os milagres de multiplicação dos lucros e cura dos prejuízos. Entretanto, Deus dá livre arbítrio e disse “do teu suor ganhará o teu pão”, do suor se gerou tanto café que inflacionou o preço do pão.
Hoje se viu que o tio Sam foi perdendo um pouco da hegemonia, pois hoje tem os Tigres Asiáticos, União Européia, etc. A maioria dos paises em sua soberania possui uma instituição do estado que coloca parâmetros na economia, mantém uma moeda nacional, como também a imprime, cunha e distribui no mercado interno.No Brasil, a instituição que deve fazer esse papel é o Banco Central, mas a atuação também depende do presidente do Banco Central. Eu sei que o presente texto não é de conteúdo pornográfico, mas muitas vezes ocorre uma troca de papéis. Ou seja, o mercado e seus especuladores passam a ter mais soberania que esse Banco Central e/ou seu equivalente – isso é a troca de papéis. Pior é quando o presidente deste banco é conivente.
Por exemplo, nos E.U.A. existe a Reserva Federal, uma associação de vários bancos privados que fazem o serviço de “banco central”, aliás, no país da NASA há somente bancos privados. Acontece que a cúpula de Whashington quer salvar o mundo mais uma vez e pedir um goro empréstimo a tal instituição. A Reserva Federal vai ter que imprimir bilhetes em espécie (significa cédulas de papel moeda, agora se tu que lê não entende, pega o Aurélio e me deixe usar palavras difíceis... vai que isso impressione as gurias). O problema é que imprimir dinheiro tem custos, ou então vamos ter que aplicar à realidade “O Homem que copiava”. Cada impressão de “verdinha”vai custar cerca de US$ 0,07 (sete centavos de Dólar) das mesmas, tanto seja de um ou de 100 dólares. Bush pensa que injetando money na economia vai funcionar. Vai gerar muitas divisas circulando, mas não tendo mercadorias ao equivalente, gera um aumento dos preços das mesmas. Já dizia o tio Patinhas que não existe dinheiro fácil. É muito cômodo o governo terceirizar o serviço de “fabricação” de dinheiro, o que vai custar muito caro ao povo.
Os presidentes yankees que tentaram colocar a Reserva Federal sob a tutela do estado, coincidentemente acabaram assassinados. Bom, essa é mais uma das teorias conspirativas a respeito da morte de Kennedy (será que a Marylin Monroe sabia algo a respeito? Bem vou perguntar pra algum agente da CIA. Talvez o Kennedy fosse colocá-la em algum cargo diretivo da Reserva....). Economia não é uma ciência exata, dinheiro não é a salvação do mundo e se continuar assim, talvez o dólar vai ter a mesma serventia de adubo – mas não ainda, porque continua caro.


(texto escrito em 02/10/2008)

Debates peptídicos

Agora estou numa classe do estilo “plantão tira dúvidas”, com a diferença de que é cobrada a freqüência. A outra diferença é que o conteúdo é bioquímica e que os exercícios feitos não são do último vestibular da FUVEST, UFRGS ou UFSM. Ah, esqueci de comentar que meus colegas e o professor falam espanhol. Somos duas turmas distintas, que se juntam em uma sala pra ter uma aula desse tipo.
Na minha turma, só tem eu de brasileiro, na outra tem a Isabela, de Brasília e o Michel, do Rio d Janeiro. Ao subdividir as turmas em grupos menores, para o bom andamento das atividades curriculares (como diz a pedagogia), ficamos separados. Então, no meu subgrupo, só eu falo português. Tem gente da Bolívia, Nicarágua, Panamá, Chile, Equador, Honduras, etc. Todos falando espanhol e com seus respectivos sotaques, os quais aos poucos e a duras penas eu vou aprendendo a reconhecer.
Devo reconhecer que prestar uma satisfação científica ao professor sobre algum processo bioquímico detalhado e em português não é tarefa das mais fáceis, imaginem em espanhol. Outro dia tive a grande oportunidade de testemunhar uma ferrenha discussão sobre aspecto dos aminoácidos. Coisa que até faria lembrar uma discussão entre um gremista e um colorado em dia de GRENAL, ou um petista e um tucano em dia de eleição. Nunca pensei que ocorreria uma espécie de debate sobre quem saberia mais a respeito de aminoácidos. A verdade é que nem me lembro bem sobre as argumentações peptídicas a respeito, ainda mais quando se está pensando no quadríceps da Ivete; na campanha do Grêmio; em Nasdaq e Bovespa; crise nos EUA; eleições municipais no Brasil, traçar a conjuntura e ainda fazer elos com eventos finais.
Acima de tudo, creio que uma mesa redonda sobre o bíceps femural e quadríceps da Ivete (talvez os seus gastrocnêmicos) seria mais produtivo. O segundo ponto que estaria na pauta seria a Cláudia Leite.

(texto escrito em 03/10/2008)

domingo, 28 de setembro de 2008

Sepultura em Havana

Eu me pergunto quanto custa o acesso à cultura no Brasil. Preços de cinema, teatros, shows e etc. Vejo com bons olhos as políticas de democratização do acesso à cultura., como os cineclubs, festivais nas praças (música, cinema, etc.), sebos e lugares onde se trocam livros. Sobre bandas internacionais, eu fico a imaginar quanto custaria uma entrada ao show do Manah, do Audioslave ou do Sepultura, no Brasil.É, com certeza não seria barato, até porque são grupos musicais de qualidade, e logicamente seria mais caro que o show da Calypso ou do Calcinha Preta.
Acontece, que em Cuba, já vieram as bandas mencionadas (as primeiras três, né), e os respectivos concertos oram de graça. Manah já esteve aqui faz alguns anos e logo virá novamente. Audioslave apresentou-se aqui em 2005, no início de 2006 passou na HBO e logo lançaram o DVD. É pena que nessa época eu ainda não estava aqui para testemunhar. Há alguns dias foi o Sepultura, com a nova formação. Assim como a banda de Chris Cornell, apresentaram-se na Tribuna Anti-Imperialista, no Malecon, havia muita gente. E digo mais, coisas que no Brasil ninguém imagina, aqui em Cuba tem a galera do rock, tem a galera do underground. Povo cabeludo com camisetas de várias bandas, como Sepultura, Metallica, Misfits, Cannibal Corpse, Black Sabbath, etc.
Havia um cubano que segurava no alto uma bandeira brasileira, o que tornou-se um ponto de referência ao povo tupiniquim presente, até chegarem e darem-se em conta que foram “enganados”por um pseudo-brasileiro hehehehe. A verdade é queali haviam muitos brasileiros concentrados.
O que também me chamou a atenção, é que mesmo sendo de graça, era bem mais seguro que estar em um show de rock no Brasil. Bom, o clímax foi quando Derek Green cantou “Roots bloody roots”, depois Andréas Kisser começou a “brincar” na guitarra e largou alguns solos de baião, bem na “brasilidade”.
Depois do show, encontramos uma gaúcha de Santana do Livramento, que faz Pós-Graduação em Psicologia aqui, juntamos a galera e fomos “dar uma banda” (do linguajar urbano sul - riograndense, significa dar uma volta, ex.: Vamos dar uma banda no Calçadão. Significa o mesmo que: Vamos dar uma volta no calçadão.) em Havana Velha.
Resumindo, Cuba proporciona eventos culturais a preços populares ou de graça, sem que haja um déficit de qualidade. O show rendeu muitos comentários aqui, ouvi dizer que passou na MTV do Brasil. Ah. Sei que virou notícia na CNN.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sobre Anedotas

Quando eu estava no Brasil, sempre escutei que cubano não podia entrar nos hotéis de Cuba, ou então que eles não podiam ter posse de dólares. Também tem aquela história de que o difícil não é saír de Cuba pelo mar em uma lata de sardinha, mas a dificuldade estaria em conseguir a lata de sardinha. Ah também um texto extenso, uma anedota, que circula na internet e também em alguns jornais: é de uma cubana que vive nos EUA com sua tia já idosa, eis que a tia vem a falecer. A mulher resolve fazer o translado do corpo à Ilha e veste no cadáver inúmeras calças jeans da Lévis, alguns anéis de ouro nos dedos e outras coisas mais. Ainda diz para aproveitarem a madeira do esquife para que fizessem algum móvel. Quando eu vi isso, eu ri, pois tenho senso de humor, também achei engraçado a que ponto chega a ingenuidade humana de crer que se possa ocorrer casos semelhantes e saem dizendo por aí que na Ilha Caribenha é tudo proibido. Sobre cubanos entrarem em hotéis, eu já vi muitos, no cyber café, ou no bar tomando coca-cola. Também falam de cubanos que nunca foram à Varadeiro, lógico, o estado não pode ninguém a ir a Varadeiro. Assim como eu, creio que há muitos brasileiros que nunca entraram no Copacabana Palace, ou no hotel Hilton ou não conhecem o arquipélago de Fernando de Noronha. Aqui o povo tem passe livre a ume hotel nos padrões Hilton, só que hoje é do estado, chamado Habana Libre.
Ou então sobre cubanos terem dólares... Veja bem, aqui há o “dólar cubano” (peso cubano convertido), é uma moeda que circula paralelamente e tem cotação superior ao dólar estadunidense, e por suposto, a população tem acesso. E tem aquela já velha no Brasil, que comunista come criancinha, é ateu e terrorista. Aqui em Cuba eu nunca vi nenhum ritual de antropofagia, muito menos sites na internet que promovem turismo sexual, tão pouco infantil. Também não tem sacerdotes pedófilos. E por falar em sacerdotes, Cuba não é um país ateu, é uma país laico. O estado cubano proporciona liberdade de culto para todo e qualquer credo religioso, desde cultos afro, até igrejas pentencostais. Também não há feriados religiosos, ou seja, nenhuma religião é mais , ou então menos privilegiada, prestigiada que a outra. As pessoas respeitam as crenças umas das outras por mais antagônicas que sejam. Os sacerdotes e seus rebanhos fanáticos também não ficam interferindo no estado ou na cultura, religião e governo aqui são muito bem segmentados. No Brasil os sacerdotes decidem até quais carros alegóricos podem ou não saír na Sapucaí. Há muitos feriados religiosos no Brasil, impondo uma determinada crença aos outros. Do ponto de vista econômico, os feriados são nocivos, a circulação do capital reduz, e se a BOVESPA fica fechada um dia, já é um desastre para o Brasil.
Sobre terrorismo, sabe-se que Fidel Castro já sofreu mais de 600 atentados, todos direta ou indiretamente ligado com uma Agência de Inteligência muito conhecida e atuante no mundo. Cuba já sofreu atentados financiados por uma grande potência mundial.
Ah, se eu sair de Cuba em uma lata de sardinha, não é difícil. Nos mercados há muitas latas de atum para vender, é só guardar uma e quando tiver vontade de sair da Ilha, é só sair. Até estou pensando, nas férias eu pego uma lata dessas, como remo uso uma colher, aí algum dia eu chego no Brasil para provar que se pode fazer isso.

sábado, 2 de agosto de 2008

No Colégio


Todo mundo lembra da época do colégio. Como todas as coisas universais na vida, a fase escolar é outra coisa que, assim como mãe, muda só o endereço. Da galera do fundão nem precisa falar, muito menos dos alunos mais aplicados que sempre sentam na frente, os CDF: os “cabeças força”, bom, nem deveria ter feito esse enfeite de mau gosto, todo mundo sabe o que significa CDF. Tem o povo que chegava atrasado e só entrava na segunda aula. Ah, outra coisa, tinham as gincanas. Não é Gin com cachaça, não. É tipo uma competição saudável entre equipes divididas (geralmente) por sorteios. Em quase todos os colégios do Brasil e em quase todos os anos teve uma equipe “criativa” chamada Até Cubanos (e não tem nada a ver com revolução, a moral é ler de trás pra frente). As provas iam desde arrecadação de donativos, até quem tivesse a avó mais velha. E depois da gincana, aquela equipe que se empenhou bastante e não conseguiu o primeiro lugar, quase sempre ia ao diretor exigir uma “CPI”.

É clássico também tirar alguém pra dizer que está de aniversário e começar a cantar parabéns numa aula pior que horário eleitoral. Geralmente nessas ocasiões, em um mês, o sujeito envelhecia uns 20 anos. Sobre as gurias... Acho que todos tiveram aquela colega que foi ser modelo em São Paulo. E tem também a bonitona frustrada, que tem inveja da que foi a São Paulo. E havia também aquela menina horrorosa que andava com a bonitona invejosa, como se beleza fosse algo contagioso. Outro sujeito não pode faltar, é aquele cara tímido, que dorme em quase todas as aulas e fica fazendo caricatura dos colegas e professores.

Um elemento essencial que não falta nem em enlatado americano, é o atleta playboy garanhão. O sonho dele é a popularidade, tal qual nos enlatados, não só ele, mas a turma que anda com ele. Detalhe: o sonho de muitos na escola é andar com eles. Não pode faltar o otário que tenta entrar na casta dos populares, aquele que inventa que já transou com mais de mil, e na realidade, ainda cultiva pêlos na palma da mão. E por falar em virgem, gordo sofre: sempre tem um gordo o que os colegas ficam tirando ele pra virgem.

Quanto aos professores, tem aqueles que se leva a lembrança pro resto da vida, juntamente com aqueles que se tornam teus amigos. E por falar em amigos, depois que termina o colegial, não é fácil reuni-los. Com sorte, pode-se vê-los, e ainda meio que relance, de passagem e sempre com pressa. Geralmente esses encontro s são no campus da universidade, na rua ou na balada. E como assunto dessas esbarradas, é sempre planejado um churrasco que na verdade nunca sai, hehe.

Espero que o tempo passe rápido e eu retorne logo ao Brasil, para rever alguns dos personagens citados no texto e agilizar o churrasco.

OBS.: Este texto é uma ficção, qualquer semelhança com a vida real não passa de mera coincidência.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Coisas da ditadura

Outro dia, conversando com muitas pessoas no messenger, elas ficam me perguntando sobre Cuba. Muitas delas, e eu sei que a culpa não é das mesmas, já tem uma visão pré-concebida da ilha. Alguns falam demonstrando tamanha “propriedade do saber” como se soubessem mais do que eu, que vivo em Cuba – acontece é que essas pessoas estão há alguns milhares de quilômetros do Caribe. Como uma vez me disseram que Fidel Castro é membro da Maçonaria. No mundo circulam muitas histórias, e em cada história muitas versões, e “quem conta um conto, aumenta um ponto”.
Ou então, por brincadeira, disseram que iriam mandar de presente a Fidel Alejandro Castro Ruz, uma bandeira dos Estados Unidos da América (EUA), respondi que tudo bem, afinal na universidade onde eu estudo há muitos estadunidenses. Não só onde eu estou, em Havana, mas por toda a ilha. Acontece que Cuba nada tem contra o povo dos EUA, porque lá há muita gente endo explorada e vítima da miséria. O grande problema é a política imperialista adotada pela elite e pelo governo “yankee”.
É falado dos cubanos que fogem da ilha. É engraçado, porque se um brasileiro vai morar nos EUA, ele não é fugitivo, ele é imigrante. Ou então o grande contingente populacional de mexicanos (muitos clandestinos) que vivem nos EUA. Pode-se falar também aos quantos uruguaios, argentinos, bolivianos que estão no Brasil e não estão legalizados e nem por isso são chamados de fugitivos É fato que na Flórida há muitos canais de rádio que bombardeiam Cuba com idéias anti-revolucionárias e vendendo a ilusão do “AMERICAN DREAM”. É lógico que as pessoas vão ficar curiosas e alimentar essa ilusão. É só atravessar o mar e chegar em Miami, pois está a menos e 150 km do “Perigo Vermelho”. Nos EUA, todo o cubano, que consegue tocar os pés na areia da Flórida pode conseguir seu “GREENCARD”, basta alegar (e somente dessa maneira se consegue) que teve problemas políticos com o regime. Chegam em Miami e vêem que aquilo era só ilusão, trinta dólares mal dá passar dois dias, então ele vê que coisas que ele tinha acesso gratuito como saúde, educação, moradia, onde ele possuía seu emprego garantido, já não é bem assim.
E há pessoas também que crêem com veemência e ainda reproduzem em seus discursos que Cuba vive uma ditadura. Pois bem, isso até soa como piada, em um país onde não há analfabetismo, não há crianças vivendo nas ruas, nem passando fome e também não há idosos nas filas de hospitais. E outra, onde há democracia, porque se Raúl Castro é presidente, houveram eleições para que ele chegasse lá. Ah, algo importante: os membros do parlamento cubano não possuem um salário astronômico, nem auxílio combustível e tão pouco um auxílio para comprar ternos da ARMANI – eles recebem conforme sua profissão, seja m´dico, professor, agricultor, metalúrgico, etc.
Há mercarias que vêm de outros países, mas não podem vir diretamente devido ao bloqueio econômico imposto pelos EUA. Por exemplo, se Cuba compra algumas toneladas de aveia do Chile, essa mercadoria não virá diretamente: primeiro ela deve ser descarregada na Venezuela ou na China, para então, de algum desses dois lugares ela chegar à ilha. Toda essa trajetória desnecessária faz encarecer os preços dos produtos.
E voltando a falar sobre ditadura, que nessa “ditadura” eu estudo medicina de graça, não somente eu, mas também jovens de 21 países da América Latina e EUA na Escuela Latino Americana de Medicina (ELAM). Não se pode esquecer que EUA, El Salvador e Porto Rico não mantém relações diplomáticas com Cuba. Além de estudar de graça, temos moradia, uniformes, material escolar, livros, material de higiene pessoal, quatro refeições diárias e ainda 100 pesos cubanos mensais. A “ditadura” nos oferece tudo isso, agora eu gostaria de saber o que países “livres” como EUA e Brasil fazem para proporcionar uma mínima infra-estrutura aos seus estudantes.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Versões X Fatos



Algumas pessoas se acham donas da verdade, ao conversar com amostras desta estirpe, muitas vezes nem perco meu tempo discutindo, um dos motivos é por educação e o outro é porque meu ouvido não é pinico. Nessas ocasiões a gente faz de conta que acredita e faz as palavras do nosso interlocutor entrarem por um ouvido e saírem por outro.
Não importam os fatos, mas sim as versões. Por mais mentirosa que seja uma versão, ela vai ser exposta tantas vezes quantas sejam necessárias até que se torne uma verdade absoluta. Então alguém um pouco mal informado adquire a verdade absoluta, se tornando o dono da verdade e acreditando piamente nela.
São ocasiões como essas em que muitos se fazem de vítimas e o grande vilão maquiavélico frio e calculista da novela das oito é o outro. Tipo, se um irmão mais novo faz alguma "presepada" e culpa o mais velho, o caçula fica tão repetitivo e pentelho que os pais acabam se convencendo de que ele é o correto. Como o ...do irmão mais velho "está na reta", ele que leva a pior. Assim ocorrem as histórias de que as torturas usadas na ditadura militar no Brasil foram brandas. Ou então que os militantes da esquerda (na época todos taxados de comunistas) eram terroristas. Sim, claro, medidas de segurança, pois naquele momento o Brasil era o "país do futuro", "ninguém segura esse país", conquistamos o Tri em 70, a nação estava estável.
E há aquela verdade sobre os países que hoje compõem o eixo do mal, segundo o juízo do "xerife do mundo: Irã; Coréia do Norte; Venezuela e Cuba. Eu não me recordo de nenhum desses países invadirem outro para roubarem as jazidas de petróleo, muito menos matar civis inocentes. Pois essa é uma versão tão pentelha que se tornou uma verdade.
Ou então um presidente que tivemos, que por dois mandatos consecutivos, entregou o Brasil em mãos do capital estrangeiro. Após seu "reinado", esse senhor ganhou títulos em muitas universidades conceituadas. Depois lança um livro, e na cerimônia de lançamento um grupo de humoristas que antes o criticavam, vão lá dar uma "puxada de saco" ("Assim não pode, assim não dá"! ). As versões foram tão insistentes e pentelhas que muitos consideram que ele foi um grande estadista.
Será que em algum lugar qualquer não estão falando de mim ou de ti? Será que não estão passando adiante alguma versão, por mais mentirosa que seja, mas que seja insistente, convincente e pentelha, que "se torne" verdade? Talvez nessa "verdade" eu e/ou tu sejamos o vilão maquiavélico, frio e calculista da novela das oito? Ou então por eu estar vivendo em um país que compõe o "Eixo do Mal" eu seja um terrorista. Há também a possibilidade de eu estar tão insistente, pentelho e repetitivo até chegar ao ponto de te convencer de minha versão para os fatos e tu ainda te tornar um dono da verdade. Tu tem duas opções: Seja um dono da verdade ou deixe que minha verdade entre por um ouvido e saia pelo outro.

Fugitivos



Ás vezes eu conecto à internet para falar com minha família, que está no Brasil, pois é um meio de comunicação relativamente viável, visto a dificuldade de comunicação externa devido ao bloqueio econômico imposto a Cuba. Numa dessas vezes, as pessoas, no messenger, me perguntavam sobre os cubanos que "fogem" da Ilha. O engraçado é que eu moro no litoral e nunca vi nenhuma balsa feita de carro velho cruzando o mar. Outra coisa, quando um brasileiro entra nos Estados Unidos pelo norte do México, com a "mão amiga" dos coiotes, ele não é chamado fugitivo, tão pouco os mexicanos. Ah, tem também os bolivianos clandestinos em São Paulo, onde servem de mão de obra barata ( e baratíssima) na indústria têxtil, e nem por isso são chamados de fugitivos.
A verdade é que, realmente, muitos cubanos moram nos EUA, assim como há muitos brasileiros também.. No Brasil há pessoas com curso superior que ao invés de exercer seu ofício em sua pátria mãe, preferem ir aos EUA, Europa ou qualquer outro país desenvolvido para lavarem pratos ou cortarem grama e são chamados de imigrantes e não fugitivos. Devo esclarecer uma coisa: não estou desmerecendo o trabalho de quem lava pratos ou corta grama, pois todo o trabalho dignifica e enobrece homem.
Se for parar e pensar na lógica das pessoas que divulgam a "idéia de fugitivo", eu afirmo que eu e mais um bando de brasileiros somos fugitivos. Estamos fugindo de um sistema desumano, o qual não oferece infra-estrutura adequada para que um estudante tenha formação profissional de qualidade. Estamos fugindo porque o povo não tem acesso à educação, saúde, moradia, segurança e cultura. Eu só sinto muito por não vir nenhum helicóptero da mídia sensacionalista nos filmar enquanto atravessávamos o mar de ideologias em um AeroWillis improvisado em balsa – o mais perigoso são os tubarões e as piranhas tentando nos derrubar.

sábado, 19 de julho de 2008

Brasil x Argentina

O brasileiro tem a memória curta, mas eu lembro bem de algumas coisas. Lembro bem das propostas de aumento do salário dos deputados, nós não saímos às ruas para protestar. Recordo também da proposta eleitoreira da “imaculada” oposição sobre o fim da CPMF. Tudo bem, acaba-se com uma carga tributária quase que insignificante, a qual gerava gordas receitas aos nossos cofres e implantam o IOF, que mete a faca direto no rim do brasileiro, ou como dizem: “meteu sem cuspe”.

Pelé é melhor que Maradona, quanto a isso não há dúvidas, mas a verdade é que nós temos muito o que aprender com os hermanos argentinos, “che boludo”! No contato que temos com com eles (aqui na universidade), nota-se que são pessoas cultas e politizadas. Na Argentina, se sobe o preço da gasolina, ou do pão, pronto... o povo já vai às ruas com panelaços e quebrando tudo. Essa é a única forma de pressionar o governo até que se consigam o que querem. A verdade é que eles distinguem quem são os vilões e quem não. No Brasil, quem decide quem o vilão é a mídia e depois nos convence de sua escolha. As madres da Praça de Maio, na Argentina também é muito conhecida. Lá vão as mães e familiares protestarem por seus filhos desaparecidos durante a ditadura militar.

Um dos nossos problemas é que quando os deputados querem “lutar pelos próprios direitos” e esquecem os nossos, quando a economia de mercado regula o preço do pão nosso de cada dia, nós ficamos mais preocupados com quem vai ganhar o Big Brother, quem o Dunga vai colocar no meio campo, qual o desfecho da novela das oito ou então quem é a nova namorada do “Fenômeno”.

É muito difícil um time brasileiro jogar na Bombonera, todos sabem, a pressão é forte. Pode-se fazer uma ilustração de como as coisas deveriam ser: figuradamente, a Bombonera o Brasil, a torcida o nosso povo e os jogadores o governo. O povo deveria fazer tanta pressão para conseguir seus objetivos. Perdão pela comparação, pois eu também tenho meus traumas com a Bombonera. Digo ainda, que de uma coisa não há dúvida: Pelé é melhor que Maradona.

Soda e Lei Seca (Hic!)

É comum alguém chegar em alguma rodoviária e pedir um cafezinho. A moça do balcão sempre pergunta se é com açúcar ou adoçante. Ou em algum pub, whiskey com ou sem gelo. Como já há algum tempo. A tua avó mandava tu ir ao bolicho (pra quem não sabe, é tipo um armazém) da esquina pra comprar um litro de leite. Chegava lá, tu pedia pro bolicheiro (é o veio que trabalha no bolicho, ou é dono) e ele enrolava a embalagem numa folha de jornal. Aí ele perguntava se tu iria pagar agora ou na caderneta, e ainda receber o troco em balas. Pois é, o comércio nos oferecia essas opções. Como hoje o leite industrializado possui altos teores de soda cáustica, e o pior é que não temos a opção de escolher com soda ou sem soda. Logo, tu vai chegar no mesmo bolicho (repito, pra quem não sabe é tipo um armazém) e vai pedir uma “soda com leite”,e o pior é que não é soda limonada. Talvez as opções oferecidas vão ser de caixinha, saquinho, desnatado ou integral. E mais feio que isso, vai ser um fanho pedindo uma “soda com leite” e ainda de saquinho.

Temos que ser otimistas e ter um pensamento visionário, talvez o advento da soda cáustica no leite sejam uma das inovações da nutrição, assim como os transgênicos. Tu vai na tua nutricionista e ela vai dizer que tu precisa aumentar os níveis séricos de soda cáustica, assim como uma maior ingesta de transgênicos. Então o café da manhã vai ser leite e soda cáustica com sucrilhos transgênicos.

E agora a Lei Seca no Brasil, que motorista não pode beber, nada de álcool pode ser captado no bafômetro. Como quem não bebe pede leite, logo terão de retificar a lei para que também seja proibido conduzir veículo com qualquer teor de soda cáustica no organismo. A lei veio em boa hora, espero que ela tenha uma balança positiva. Essa lei também vai abrir novos mercados, como o de bebidas com álcool sintético, que não é detectado por bafômetro, ou ainda de carros com piloto automático como acessório de série e ainda injeção de glicose no kit de primeiros socorros. Imagina, tu vem da balada “enxaguado” e o piloto-automático da tua Belina no comando. Ah, o IPVA de veículos com piloto automático será mais caro.

Ah, vale lembrar que a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) virá com mudanças para o pessoal do AA. A carteira terá uma marca d`água quase que imperceptível: AA. E para quem já é membro do grupo de ajuda mútua, sairá mais caro para tirar a carteira, pois precisa-se de dinheiro para financiar as investigações do DETRAN.

Também a nova lei pode fazer vigorar nos brasileiros um espírito “Al Capone”, além do narcotráfico, vai ter “álcool tráfico”. E o bebum da sargeta é só a ponta do iceberg. Sem falar da receita eu vai gerar ao estado, desde as multas, dos bebunse até as propinas pagas para que ele não seja autuado por “goró” no volante. É melhor nem imaginar, pois como dizia o Chaves, “eu preferia ter ido ver o filme do Pelé.