quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sobre Anedotas

Quando eu estava no Brasil, sempre escutei que cubano não podia entrar nos hotéis de Cuba, ou então que eles não podiam ter posse de dólares. Também tem aquela história de que o difícil não é saír de Cuba pelo mar em uma lata de sardinha, mas a dificuldade estaria em conseguir a lata de sardinha. Ah também um texto extenso, uma anedota, que circula na internet e também em alguns jornais: é de uma cubana que vive nos EUA com sua tia já idosa, eis que a tia vem a falecer. A mulher resolve fazer o translado do corpo à Ilha e veste no cadáver inúmeras calças jeans da Lévis, alguns anéis de ouro nos dedos e outras coisas mais. Ainda diz para aproveitarem a madeira do esquife para que fizessem algum móvel. Quando eu vi isso, eu ri, pois tenho senso de humor, também achei engraçado a que ponto chega a ingenuidade humana de crer que se possa ocorrer casos semelhantes e saem dizendo por aí que na Ilha Caribenha é tudo proibido. Sobre cubanos entrarem em hotéis, eu já vi muitos, no cyber café, ou no bar tomando coca-cola. Também falam de cubanos que nunca foram à Varadeiro, lógico, o estado não pode ninguém a ir a Varadeiro. Assim como eu, creio que há muitos brasileiros que nunca entraram no Copacabana Palace, ou no hotel Hilton ou não conhecem o arquipélago de Fernando de Noronha. Aqui o povo tem passe livre a ume hotel nos padrões Hilton, só que hoje é do estado, chamado Habana Libre.
Ou então sobre cubanos terem dólares... Veja bem, aqui há o “dólar cubano” (peso cubano convertido), é uma moeda que circula paralelamente e tem cotação superior ao dólar estadunidense, e por suposto, a população tem acesso. E tem aquela já velha no Brasil, que comunista come criancinha, é ateu e terrorista. Aqui em Cuba eu nunca vi nenhum ritual de antropofagia, muito menos sites na internet que promovem turismo sexual, tão pouco infantil. Também não tem sacerdotes pedófilos. E por falar em sacerdotes, Cuba não é um país ateu, é uma país laico. O estado cubano proporciona liberdade de culto para todo e qualquer credo religioso, desde cultos afro, até igrejas pentencostais. Também não há feriados religiosos, ou seja, nenhuma religião é mais , ou então menos privilegiada, prestigiada que a outra. As pessoas respeitam as crenças umas das outras por mais antagônicas que sejam. Os sacerdotes e seus rebanhos fanáticos também não ficam interferindo no estado ou na cultura, religião e governo aqui são muito bem segmentados. No Brasil os sacerdotes decidem até quais carros alegóricos podem ou não saír na Sapucaí. Há muitos feriados religiosos no Brasil, impondo uma determinada crença aos outros. Do ponto de vista econômico, os feriados são nocivos, a circulação do capital reduz, e se a BOVESPA fica fechada um dia, já é um desastre para o Brasil.
Sobre terrorismo, sabe-se que Fidel Castro já sofreu mais de 600 atentados, todos direta ou indiretamente ligado com uma Agência de Inteligência muito conhecida e atuante no mundo. Cuba já sofreu atentados financiados por uma grande potência mundial.
Ah, se eu sair de Cuba em uma lata de sardinha, não é difícil. Nos mercados há muitas latas de atum para vender, é só guardar uma e quando tiver vontade de sair da Ilha, é só sair. Até estou pensando, nas férias eu pego uma lata dessas, como remo uso uma colher, aí algum dia eu chego no Brasil para provar que se pode fazer isso.

sábado, 2 de agosto de 2008

No Colégio


Todo mundo lembra da época do colégio. Como todas as coisas universais na vida, a fase escolar é outra coisa que, assim como mãe, muda só o endereço. Da galera do fundão nem precisa falar, muito menos dos alunos mais aplicados que sempre sentam na frente, os CDF: os “cabeças força”, bom, nem deveria ter feito esse enfeite de mau gosto, todo mundo sabe o que significa CDF. Tem o povo que chegava atrasado e só entrava na segunda aula. Ah, outra coisa, tinham as gincanas. Não é Gin com cachaça, não. É tipo uma competição saudável entre equipes divididas (geralmente) por sorteios. Em quase todos os colégios do Brasil e em quase todos os anos teve uma equipe “criativa” chamada Até Cubanos (e não tem nada a ver com revolução, a moral é ler de trás pra frente). As provas iam desde arrecadação de donativos, até quem tivesse a avó mais velha. E depois da gincana, aquela equipe que se empenhou bastante e não conseguiu o primeiro lugar, quase sempre ia ao diretor exigir uma “CPI”.

É clássico também tirar alguém pra dizer que está de aniversário e começar a cantar parabéns numa aula pior que horário eleitoral. Geralmente nessas ocasiões, em um mês, o sujeito envelhecia uns 20 anos. Sobre as gurias... Acho que todos tiveram aquela colega que foi ser modelo em São Paulo. E tem também a bonitona frustrada, que tem inveja da que foi a São Paulo. E havia também aquela menina horrorosa que andava com a bonitona invejosa, como se beleza fosse algo contagioso. Outro sujeito não pode faltar, é aquele cara tímido, que dorme em quase todas as aulas e fica fazendo caricatura dos colegas e professores.

Um elemento essencial que não falta nem em enlatado americano, é o atleta playboy garanhão. O sonho dele é a popularidade, tal qual nos enlatados, não só ele, mas a turma que anda com ele. Detalhe: o sonho de muitos na escola é andar com eles. Não pode faltar o otário que tenta entrar na casta dos populares, aquele que inventa que já transou com mais de mil, e na realidade, ainda cultiva pêlos na palma da mão. E por falar em virgem, gordo sofre: sempre tem um gordo o que os colegas ficam tirando ele pra virgem.

Quanto aos professores, tem aqueles que se leva a lembrança pro resto da vida, juntamente com aqueles que se tornam teus amigos. E por falar em amigos, depois que termina o colegial, não é fácil reuni-los. Com sorte, pode-se vê-los, e ainda meio que relance, de passagem e sempre com pressa. Geralmente esses encontro s são no campus da universidade, na rua ou na balada. E como assunto dessas esbarradas, é sempre planejado um churrasco que na verdade nunca sai, hehe.

Espero que o tempo passe rápido e eu retorne logo ao Brasil, para rever alguns dos personagens citados no texto e agilizar o churrasco.

OBS.: Este texto é uma ficção, qualquer semelhança com a vida real não passa de mera coincidência.