domingo, 28 de setembro de 2008

Sepultura em Havana

Eu me pergunto quanto custa o acesso à cultura no Brasil. Preços de cinema, teatros, shows e etc. Vejo com bons olhos as políticas de democratização do acesso à cultura., como os cineclubs, festivais nas praças (música, cinema, etc.), sebos e lugares onde se trocam livros. Sobre bandas internacionais, eu fico a imaginar quanto custaria uma entrada ao show do Manah, do Audioslave ou do Sepultura, no Brasil.É, com certeza não seria barato, até porque são grupos musicais de qualidade, e logicamente seria mais caro que o show da Calypso ou do Calcinha Preta.
Acontece, que em Cuba, já vieram as bandas mencionadas (as primeiras três, né), e os respectivos concertos oram de graça. Manah já esteve aqui faz alguns anos e logo virá novamente. Audioslave apresentou-se aqui em 2005, no início de 2006 passou na HBO e logo lançaram o DVD. É pena que nessa época eu ainda não estava aqui para testemunhar. Há alguns dias foi o Sepultura, com a nova formação. Assim como a banda de Chris Cornell, apresentaram-se na Tribuna Anti-Imperialista, no Malecon, havia muita gente. E digo mais, coisas que no Brasil ninguém imagina, aqui em Cuba tem a galera do rock, tem a galera do underground. Povo cabeludo com camisetas de várias bandas, como Sepultura, Metallica, Misfits, Cannibal Corpse, Black Sabbath, etc.
Havia um cubano que segurava no alto uma bandeira brasileira, o que tornou-se um ponto de referência ao povo tupiniquim presente, até chegarem e darem-se em conta que foram “enganados”por um pseudo-brasileiro hehehehe. A verdade é queali haviam muitos brasileiros concentrados.
O que também me chamou a atenção, é que mesmo sendo de graça, era bem mais seguro que estar em um show de rock no Brasil. Bom, o clímax foi quando Derek Green cantou “Roots bloody roots”, depois Andréas Kisser começou a “brincar” na guitarra e largou alguns solos de baião, bem na “brasilidade”.
Depois do show, encontramos uma gaúcha de Santana do Livramento, que faz Pós-Graduação em Psicologia aqui, juntamos a galera e fomos “dar uma banda” (do linguajar urbano sul - riograndense, significa dar uma volta, ex.: Vamos dar uma banda no Calçadão. Significa o mesmo que: Vamos dar uma volta no calçadão.) em Havana Velha.
Resumindo, Cuba proporciona eventos culturais a preços populares ou de graça, sem que haja um déficit de qualidade. O show rendeu muitos comentários aqui, ouvi dizer que passou na MTV do Brasil. Ah. Sei que virou notícia na CNN.