sábado, 4 de outubro de 2008

Crise pior que 29

Wall Street em 1929 gerou um colapso no mundo. Dizem que é trágico ver novos ricos, pois querem ostentar que aumentou seu poder aquisitivo, mais trágico que isso foi ver os novos pobres: muitos dos que se tornaram novos pobres cometeram suicídio – conseqüência do crack (o crack da bolsa, não o da pedrinha). A mesma mão invisível que movia o mercado foi a mesma que meteu sem cuspe seu grande dedo invisível no próprio mercado.

VERSOS ÍNTIMOS
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!
Augusto dos Anjos


Todos os que rejeitavam a intervenção estatal sobre as regras, limites e taxas sobre as transações mercantis, chegavam ao estado pedindo o “tiro de misericórdia” ou melhor, injeção de capital que tivessem efeitos de morfina ou ainda milagres. Isso lembra quando o tio Getúlio teve que comprar parte da mega produção de café e Santos ficou com aroma de café torrado. Talvez a fumaça cumpria a função de incenso para que as orações desesperadas chegassem aos céus e os céus fizessem os milagres de multiplicação dos lucros e cura dos prejuízos. Entretanto, Deus dá livre arbítrio e disse “do teu suor ganhará o teu pão”, do suor se gerou tanto café que inflacionou o preço do pão.
Hoje se viu que o tio Sam foi perdendo um pouco da hegemonia, pois hoje tem os Tigres Asiáticos, União Européia, etc. A maioria dos paises em sua soberania possui uma instituição do estado que coloca parâmetros na economia, mantém uma moeda nacional, como também a imprime, cunha e distribui no mercado interno.No Brasil, a instituição que deve fazer esse papel é o Banco Central, mas a atuação também depende do presidente do Banco Central. Eu sei que o presente texto não é de conteúdo pornográfico, mas muitas vezes ocorre uma troca de papéis. Ou seja, o mercado e seus especuladores passam a ter mais soberania que esse Banco Central e/ou seu equivalente – isso é a troca de papéis. Pior é quando o presidente deste banco é conivente.
Por exemplo, nos E.U.A. existe a Reserva Federal, uma associação de vários bancos privados que fazem o serviço de “banco central”, aliás, no país da NASA há somente bancos privados. Acontece que a cúpula de Whashington quer salvar o mundo mais uma vez e pedir um goro empréstimo a tal instituição. A Reserva Federal vai ter que imprimir bilhetes em espécie (significa cédulas de papel moeda, agora se tu que lê não entende, pega o Aurélio e me deixe usar palavras difíceis... vai que isso impressione as gurias). O problema é que imprimir dinheiro tem custos, ou então vamos ter que aplicar à realidade “O Homem que copiava”. Cada impressão de “verdinha”vai custar cerca de US$ 0,07 (sete centavos de Dólar) das mesmas, tanto seja de um ou de 100 dólares. Bush pensa que injetando money na economia vai funcionar. Vai gerar muitas divisas circulando, mas não tendo mercadorias ao equivalente, gera um aumento dos preços das mesmas. Já dizia o tio Patinhas que não existe dinheiro fácil. É muito cômodo o governo terceirizar o serviço de “fabricação” de dinheiro, o que vai custar muito caro ao povo.
Os presidentes yankees que tentaram colocar a Reserva Federal sob a tutela do estado, coincidentemente acabaram assassinados. Bom, essa é mais uma das teorias conspirativas a respeito da morte de Kennedy (será que a Marylin Monroe sabia algo a respeito? Bem vou perguntar pra algum agente da CIA. Talvez o Kennedy fosse colocá-la em algum cargo diretivo da Reserva....). Economia não é uma ciência exata, dinheiro não é a salvação do mundo e se continuar assim, talvez o dólar vai ter a mesma serventia de adubo – mas não ainda, porque continua caro.


(texto escrito em 02/10/2008)

Debates peptídicos

Agora estou numa classe do estilo “plantão tira dúvidas”, com a diferença de que é cobrada a freqüência. A outra diferença é que o conteúdo é bioquímica e que os exercícios feitos não são do último vestibular da FUVEST, UFRGS ou UFSM. Ah, esqueci de comentar que meus colegas e o professor falam espanhol. Somos duas turmas distintas, que se juntam em uma sala pra ter uma aula desse tipo.
Na minha turma, só tem eu de brasileiro, na outra tem a Isabela, de Brasília e o Michel, do Rio d Janeiro. Ao subdividir as turmas em grupos menores, para o bom andamento das atividades curriculares (como diz a pedagogia), ficamos separados. Então, no meu subgrupo, só eu falo português. Tem gente da Bolívia, Nicarágua, Panamá, Chile, Equador, Honduras, etc. Todos falando espanhol e com seus respectivos sotaques, os quais aos poucos e a duras penas eu vou aprendendo a reconhecer.
Devo reconhecer que prestar uma satisfação científica ao professor sobre algum processo bioquímico detalhado e em português não é tarefa das mais fáceis, imaginem em espanhol. Outro dia tive a grande oportunidade de testemunhar uma ferrenha discussão sobre aspecto dos aminoácidos. Coisa que até faria lembrar uma discussão entre um gremista e um colorado em dia de GRENAL, ou um petista e um tucano em dia de eleição. Nunca pensei que ocorreria uma espécie de debate sobre quem saberia mais a respeito de aminoácidos. A verdade é que nem me lembro bem sobre as argumentações peptídicas a respeito, ainda mais quando se está pensando no quadríceps da Ivete; na campanha do Grêmio; em Nasdaq e Bovespa; crise nos EUA; eleições municipais no Brasil, traçar a conjuntura e ainda fazer elos com eventos finais.
Acima de tudo, creio que uma mesa redonda sobre o bíceps femural e quadríceps da Ivete (talvez os seus gastrocnêmicos) seria mais produtivo. O segundo ponto que estaria na pauta seria a Cláudia Leite.

(texto escrito em 03/10/2008)