sábado, 27 de dezembro de 2008

O navio russo


Quando se está na 7ª ou 8ª série, digamos uma gurizada de 12, 14 anos, em história e geografia se estuda a Guerra Fria, o Mundo Bipolar, cortina de ferro, ainda sem entender direito o que significou tudo isso e nos livros vem fotos da queda do muro de Berlim. Ainda mais que a galera da minha geração teve a mente influenciada pela indústria de Holyood com filmes tipo Rambo ou Rocky que sintetizam: os estadunidenses sãos os mocinhos e os russos são os bandidos. Os russos são do mal.

Época de recesso das aulas, devido as datas festivas de Natal e Ano Novo. Nesse ínterim, muitos dos hispano-hablantes (massivamente de México e América Central) e poucos brasileiros tiram essas datas festivas com suas famílias em casa. Como é recesso, é possível dar-se ao luxo de dormir um pouquinho mais. Assim foi.

Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008, Havana. Oito e meia da manhã o Mauro me acorda e um exemplar do Granma ele mostra, o qual mencionava que naquele dia estava atracado no Porto de Havana alguns navios da Marinha da Rússia, dentre um dos quais estaria aberto a visitação. Nem pensei duas vezes, pulei do beliche pra tomar um banho, me vesti e estava pronto. Então enquanto assistíamos algumas lutas do UFC no laptop do Lorenzo, o Ycaro e o Johnny se preparavam para o passeio ao “Kremlin”.

Chegamos ao portão da faculdade e atravessamos a rua até a parada do ônibus (aqui é chamado de guagua, em Costa Rica é buseta – mas é com S, é como diminutivo de autobus).Não esperamos nem dez minutos e chegou o busão, já lotado. Bem, nos esprememos e entramos, a uma bagatela de 40 centavos de Pesos Cubanos, o equivalente a quatro centavos de Real. Tem gente que se queixa do ônibus lotado, reclamam por nunca terem andado em alguma linha desde o centro da cidade de Santa Maria (no RS) até o campus da Universidade Federal, no bairro Camobi. Eu diria mais, não só Santa Maria, mas outra qualquer cidade do Brasil. Ah, sem falar que os ônibus daqui são novos. Descemos no paradeiro de Playa e pegamos a linha P4. É ônibus lotado de novo, mas a verdade é que cotidianamente no Brasil, eu enfrentava coletivos bem piores e bem mais caros. Na parada do P4, encontramos o Danilo da Bahia “y su novia ‘uruguaxa’”, só que eles viram que o busão lotou e preferiram esperar o próximo.

Chegamos à Avenida Salvador Allende, em Centro Habana, em rente ao Policlínico Van-Trói aí pensamos: “A GENTE SIFU..., passamos da parada”. Perguntamos pra algumas senhoras onde deveríamos descer e qual o percurso pra chegar ao porto. Elas disseram que também desceriam no mesmo ponto que nós. As senhoras notaram que éramos estrangeiros e perguntaram de onde éramos: 3 brasileiros e 1 boliviano. E como sempre se repete, algum cubano percebe que somos do Brasil, sempre falam das novelas brasileiras, que são muito apreciadas aqui. Uma das senhoras falou sobre “Las siete mujeres” (A Casa das 7 Mulheres) que há pouco foi reprisado aqui em Cuba. Então o Mauro todo orgulhoso (apesar de ser colorado) disse: “Señora, eso pasó em mi ‘província’”.

Bueno, descemos em La Cumbre, no caso a estação dos trens. Era uma senhora de uns 70 anos, estava acompanhada de uma mulher de uns 40 anos, creio que sua filha. Nos explicaram tudo, onde ir, em que rua dobrar, número de quadras mais ou menos pra caminhar. Elas nos perguntaram o que fazíamos em Cuba, se era turismo, estudo, trabalho. Respondemos que estávamos estudando medicina, mas ainda marinheiros de primeira viagem (1º ano), Foi quando a senhora mais velha nos disse:”Niño, hay que estudiar mucho!! Nada de muchachitas!!! Primero los estúdios, después lãs muchachitas!!Exito en la carrera de ustedes. Que tengan una feliz Navidad y Feliz Año Nuevo”.

Respondemos cordialmente os desejos de boas festas e também gratos pelas informações e ainda acrescentamos:

- Señora, las muchachitas están juntas con la medicina. Hay que mantenerlas juntas!

Aí elas começaram a rir.

O Ycaro e eu não tínhamos tomado o café da manhã, então a gente foi em um bar comer sanduíche e tomar suco de tamarindo (acho que é mais ou menos o mesmo que tinha pra vender na tenda do Chaves). Chegou outro cubano e perguntou de onde éramos: resposta, 3 brasileiros e um boliviano. Daí pergintou de que parte do Brasil éramos,a verdade é que eram os extremos, o Ycaro de Macapá, no Amapá e o Mauro e eu do extremos sul (Porto Alegre e Santa Maria, respectivamente). Quando o Mauro disse Porto Alegre, automaticamente o tiozão cubano falou:”la ciudad de Ronaldinho”. També, de súbito o tiozão começou a narrar pro cara do bar um filme brasileiro, chamado “Ciudad de Dios”, que segundo ele “hay niños de 12 anõs de edad com pistola”. O tiozão perguntou o que fazíamos e repetimos, estudantes de medicina. Então quando estávamos saindo, o tioão com seus tênis da Nike nos disse: “Hace falta que cuando volván a SUS países, no se tornen em capitalistas”!

Caminhamos por las calles de Habana Vieja, chegamos ao Restaurante La Floridita, de onde seguimos por la Calle Obispo, um centro tusístico-comercial, até faz lembrar o calçadão da minha Santa Maria. Caminhamos umas oito quadras até chegar ao cais do porto, onde vimos uma fila (imensa), alguns navios e alguns marujos com cara de alemão (tipo aqueles magrão das colônias no interior do RS,que vão prestar serviço militar, só que sem o Chevete, que é o típico carro de milico). Na maldita fila havia cubanos (lógico), turistas europeus e alguns chineses.

Depois de ficar quase que o dia inteiro na porcaria da fila, chegamos ao navio. A primeira coisa foi o nome do navio, escrito em russo. Perguntamos pra um capitão: 1ª tentava em espanhol, ele não entendeu nada. A 2ª foi em inglês, ele também não entendeu. Aí ele começou a falar em russo, aí nós que não entendemos (se não era russo, era o “dom de línguas” pós sessão do descarrego, hehehe). Bom visitamos várias partes do navio, e isso é só uma gota dentre o oceano do potencial bélico da Rússia. Nessas ocasiões é que a gente fica triste devido ao desmembramento da União Soviética.

Ok, saímos e de lá fomos rumo a Habana Vieja. Algumas fotos na catedral, e depois em La Bodeguita Del Medio, pena que na hora acabaou a pilha. Saímos caminhando por Havana Velha e Vedado, até que chegamos a Avenida Infanta e pegamos o ônibus P1. Aí chegamos em Playa e pegamos o busão pra casa.

Valeu o dia por ter conhecido parte de um mundo desconhecido – o leste europeu. Sempre quis saber o que havia atrás da cortina, é pena não ter nascido uns 20 anos antes para poder ir ao lado de lá do muro de Berlim.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O Bom Velhinho




No Brasil pode-se apertar o botão do controle remoto e aparecer um noticiário bombardeando as massas com afirmações a respeito da “ditadura” de Fidel e suas “arbitrariedades” sobre o povo da Ilha. Ou também ir em uma banca de jornais e comprar uma revista de circulação nacional e por suposto, de grande repercussão, a qual pode trazer na capa a figura do “demônio em pessoa” e a matéria aprofunda os mitos sobre Cuba, que dão a volta ao mundo.
A verdade é que não só Cuba tem mitos a seu respeito, pois a humanidade tem suas fábulas, e em todas as épocas. Vejamos Saint Clauss, o Papai Noel, de origem em S. Nicolau, segundo alguns historiadores. A Coca-Cola Company, numa jogada (e muito boa jogada) de marketing, coloriu o Papai Noel de vermelho. O sucesso vai cruzar os séculos, porque todas as imagens do Bom Velhinho são vermelhas, exceto aos torcedores do Grêmio, que sempre elaboram um Papai Noel azul. Ou então o Papai Noel pode usar uma farda verde e nas noites de Natal ele veste a roupa vermelha. Ei, espere! Se Papai Noel é vermelho ele pode ser um “perigoso” comunista? OK, já se tem uma característica, Papai Noel é um senhor de idade, barbudo, carismático e comunista. Veja bem, com essas características se enquadra o senhor Fidel Alejandro Castro Ruz.
Eu ainda não sei como não disseram que esse senhor supracitado percorre o mundo na noite de 24 de dezembro descendo pelas chaminés, deixando presentes às criancinhas. Ah, e por falar em presente, o projeto ELAM (Escuela Latino Americana de Medicina) formando mais de 10 mil médicos para América Latina, Caribe, Estados Unidos e alguns lugares da África. Essa façanha eu creio que o Velhinho do Pólo Norte não conseguiria deixar embaixo da árvore de Natal.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Coisas de adolescentes




Ah, as junções... esse é uma apelido dado às badernas ou festas realizadas em casas de amigos! A idéia começa mais ou menos com “5 pila de cada um” (como eu já havia explicado em textos anteriores, Pila é uma moeda que circula paralelamente no Estado do Rio Grande do Sul, com a mesma cotação do Real). Depois se Vêem as gurias que serão convocadas, tipo:
- Vamos chamar a Rosinha!
- Ta loco? Ela é muito feia!!!
- Mas se vem a Rosinha, vêm também a Mariazinha e a Lurdinha, que essas são gatinhas.
- Fechou!! Ainda mais que me disseram que a Lurdinha fica tri loca depois da primeira “ceva”.
Hehehe. Geralmente há um galeto assado ou pão com salsichão. E é sempre oferecida uma caipirinha aos “galetinhos” vivos e de mini-saia que vieram à festa, pra “amaciar a carne”. A bebida geralmente entra de forma clandestina para que os pais do dono da casa não percebam. Em alguns casos rolam coisas como comprar cigarros soltos pra fumar escondido.
Não sei por que, mas as junções até parecem mais divertidas que baladas. Assim como rolam das mais lights, como assistir filme comendo pipoca e pizza (se a coisa rende, come-se as gurias também) na casa de algum dos integrantes do bando.
Ou ainda aparecer no local do encontro com o carro do velho, geralmente retirado da garagem de formas não lícitas, não permitidas e também sem o prévio conhecimento do velho.
Sempre rola aquele momento dark da festa, em que teus amigos arremessam pra ti a guria feia e sempre é largada a desculpa esfarrapada e que a infeliz finge crer:
- Olha, não é por nada, tu é bonita, legal, inteligente, mas eu tenho certeza que isso vai estragar a nossa amizade...
Ou então os menores de idade saem à rua contando miseráveis moedinhas (de sua vida assalariada e sem mesada) para a reposição de insumos para a festa. Nesse caso, se entende por insumos os líquidos de administração via oral com componentes químicos altamente voláteis e inflamáveis. E esses menores de idade vão se esquivando de tudo na rua: de brigadianos (como já disse anteriormente, no Rio Grande do Sul, brigadiano é PM); de marginais; se esquivando também de algum vizinho ou conhecido que lhes veja, ou com menos sorte, algum colega de trabalho dos pais.
Não pode faltar as cantadas baratas pra dar risada, tipo “ tu vem sempre aqui”... “tua boca é linda, mas ela tem um problema...” e outras mais.
E às vezes se tem que curar a “borrachera” (palavra de língua espanhola, muito utilizada no Rio Grande do Sul com o mesmo sentido semântico de bebedeira) na rua ou carregar amigos bêbados. Ou ficar de babá daquele que volta abraçado ao garrafão de vinho mais barato, que já estava empoeirado e fazendo seu segundo aniversário na prateleira do bolicho (pra quem não sabe, no Rio Grande do Sul, bolicho é um estabelecimento comercial que cumpre funções de bar, armazém e coisas do tipo. E bolicheiro é todo o sujeito que trabalha ou é proprietário do distinto estabelecimento). Essa do vinho barato lembra dos quentões kamikase em gélidas noites do inverno sul-riograndense.
Bueno, se pode narrar mil e um episódios, mas deixa pra lá.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Fim de Ano e suas coisas




O Natal vai chegando e Ano Novo também. Vamos curtindo nossa putrefação enquanto a virada não chega. Na virada iremos fazer promessas e traçar objetivos: a mulherada quer emagrecer, quer comprar sapatos e ter o cartão de crédito com o limite equivalente à velocidade de escape (Velocidade de escape: velocidade mínima que um corpo deve ter para conseguir abandonar o campo gravitacional da Terra ou de outro astro onde esteja situado. No caso da Terra a velocidade de escape é 11,2 km/s e em relação à Lua é 0,24 km/s).Os marmanjos querem acertar na Mega-Sena, mas se acertarem “na cabeça” no jogo do bicho, já estarão satisfeitos (já que o jogo do bicho é a única coisa que funciona seriamente no Brasil); também trocar o Fusca 68 por um Corcel II; que o seu time seja campeão e com sorte ficar preso no elevador junto com a vizinha nova. São feitas promessas: “Este ano vou economizar”, “este ano vou estudar”, “este ano paro de enrolar minha noiva e caso duma vez”... e coisas do tipo.
É preciso lembrar que neste fim de ano, o Papai Noel virá magro e com o saco murcho. Talvez o Bom Velhinho tenha tido que até vender as renas, até porque aquela que acendia o nariz estava gastando muita energia elétrica. E outra, com o aquecimento global e o descongelamento das calotas polares fazem com que o transporte via trenó vá ficando defasado. Então a entrega dos presentes vai ser de forma diferente. Escutei rumores que o “Saint Clauss” abriu uma licitação e está terceirizando o serviço de entrega (ou delivery, como prega a globalização neoliberal). Para enxugar seus gastos, ele até dispensou alguns de seus ajudantes e nem assim as ações da Lapônia subiram. E por falar em demissões, está rolando o boato de que o Sr. Wonka (da Fantástica Fábrica de Chocolate) vai demitir muitos Oompa-Loompas e que até já deu férias coletivas.
E sobre a retrospectiva 2008: dengue no Rio de Janeiro; um pequeno abalo císmico no Brasil; crise alimentícia mundial; guerra da Geórgia; crise mundial com origem nos E.U.A.; Internacional Campeão Gaúcho de 8 a 1 no Juventude (é o Apocalipse); greve dos professores no Rio Grande do Sul (a começar que a governadora nem é gaúcha, o resto nem precisa falar...) e pela segunda vez uma equipe gaúcha é prejudicada no campeonato brasileiro por interferência de interesses extra-campo:o gol impedido do São Paulo sobre o Goiás não foi anulado.
Ah, e aparecem as videntes pra fazer as previsões pra 2009, até já vou poupar serviços das mesmas e vou dizer: “Algum político vai morrer”, “o presidente Lula deve governar com cautela, pois 2009 é o ano de qualquer animal no calendário chinês e possui sintonia negativa com a constelação de Ursa Maior com ascendente em Aquário, com influência dos Anéis de Saturno”; “vai ter uma doença que vai matar muita gente”; “A AIDS ainda fará muitas vítimas”; “Muitos inocentes morrerão em atentados terroristas”; “Será o ano da prosperidade e do amor pra que souber aproveitar suas oportunidades e estar em sintonia com sua áurea”. Mais previsões: “Os governos devem parar de poluir e guerrear, senão irão acabar com a vida na Terra”.
Ainda faltam os profetas “do fim do Mundo”, com suas teorias com falsos ou nenhum embasamento Bíblico. Tem também os vários “Cristos” que aparecem, cada um dizendo ser o verdadeiro Cristo. Se juntar todos pode-se fazer, literalmente, um exército de “Jesuses” (no plural, pois são muitos). Essa idéia pode até dar uma ajudinha nas economias da China e Paraguai). Ou então uma “legião de Jesuses”, talvez uma legião com “muito boa vontade” e intenções (ainda mais se for ligar pra tua casa e te pedir dinheiro) ,uma legião que não é nada urbana.
E por falar em religião, garanto que os E.U.A. ainda vão continuar procurando o Osama. Esses yanques gostam de complicar, pois todo mundo sabe que há mil e uma maneiras de procurar o Osama, uma delas é pelo Google.
Soluções para 2009: O Papai Noel deve tentar uma fusão com o Sr. Wonka, mas no bom sentido, sem viadagem. Segundo, sobre a dengue no Rio de Janeiro, é preciso investir em atenção de saúde preventiva (ou atenção primária, para ser mais específico), na educação em saúde ao povo e medidas efetivas de combate ao mosquito. Terceiro, a crise alimentícia: deve-se investir em agricultura, ou melhor, agricultura familiar, sem interferência de interesses corporativos e estrangeiros. Uma solução mais profunda, pra resolver o mal pela raiz (ou pelo caroço da ‘questã’, como diz o Analista de Bagé) é a reforma agrária e por suposto a redistribuição de riquezas, até porque se sabe que o problema dos alimentos no mundo não é a produção e sim a distribuição. Número cinco: Greve dos professores no Rio Grande do Sul, o ideal é que a governadora deixe de aumentar o próprio soldo e aumente o dos professores. Sexto: dos supermercados serem obrigados a fechar em domingo... que abram no dia em que queiram, mas que os funcionários sejam devidamente gratificados. Sétimo: sobre a crise dos E.U.A. e suas metástases no mundo, a solução é a busca por uma alternativa ao capitalismo (creio que assim nenhum ajudante de Papai Noel ficaria desempregado, muito menos os Loompa-Loompas). Oitavo: pra driblar a putaria no Campeonato Brasileiro, a dupla GRENAL deve boicotar esse campeonato de fachada já contaminado por interesses corporativos. Nono: na questão das videntes, eu ofereço o Troféu Abacaxi para quem vai atrás das mesmas. Se bem que poderia ser feira uma exploração de apostas em dinheiro em cima das previsões delas, faria aquecer a economia e iria gerar receita ao estado, seria a “loteria bola de cristal”.

Fim de Ano e suas coisas




O Natal vai chegando e Ano Novo também. Vamos curtindo nossa putrefação enquanto a virada não chega. Na virada iremos fazer promessas e traçar objetivos: a mulherada quer emagrecer, quer comprar sapatos e ter o cartão de crédito com o limite equivalente à velocidade de escape (Velocidade de escape: velocidade mínima que um corpo deve ter para conseguir abandonar o campo gravitacional da Terra ou de outro astro onde esteja situado. No caso da Terra a velocidade de escape é 11,2 km/s e em relação à Lua é 0,24 km/s).Os marmanjos querem acertar na Mega-Sena, mas se acertarem “na cabeça” no jogo do bicho, já estarão satisfeitos (já que o jogo do bicho é a única coisa que funciona seriamente no Brasil); também trocar o Fusca 68 por um Corcel II; que o seu time seja campeão e com sorte ficar preso no elevador junto com a vizinha nova. São feitas promessas: “Este ano vou economizar”, “este ano vou estudar”, “este ano paro de enrolar minha noiva e caso duma vez”... e coisas do tipo.
É preciso lembrar que neste fim de ano, o Papai Noel virá magro e com o saco murcho. Talvez o Bom Velhinho tenha tido que até vender as renas, até porque aquela que acendia o nariz estava gastando muita energia elétrica. E outra, com o aquecimento global e o descongelamento das calotas polares fazem com que o transporte via trenó vá ficando defasado. Então a entrega dos presentes vai ser de forma diferente. Escutei rumores que o “Saint Clauss” abriu uma licitação e está terceirizando o serviço de entrega (ou delivery, como prega a globalização neoliberal). Para enxugar seus gastos, ele até dispensou alguns de seus ajudantes e nem assim as ações da Lapônia subiram. E por falar em demissões, está rolando o boato de que o Sr. Wonka (da Fantástica Fábrica de Chocolate) vai demitir muitos Oompa-Loompas e que até já deu férias coletivas.
E sobre a retrospectiva 2008: dengue no Rio de Janeiro; um pequeno abalo císmico no Brasil; crise alimentícia mundial; guerra da Geórgia; crise mundial com origem nos E.U.A.; Internacional Campeão Gaúcho de 8 a 1 no Juventude (é o Apocalipse); greve dos professores no Rio Grande do Sul (a começar que a governadora nem é gaúcha, o resto nem precisa falar...) e pela segunda vez uma equipe gaúcha é prejudicada no campeonato brasileiro por interferência de interesses extra-campo:o gol impedido do São Paulo sobre o Goiás não foi anulado.
Ah, e aparecem as videntes pra fazer as previsões pra 2009, até já vou poupar serviços das mesmas e vou dizer: “Algum político vai morrer”, “o presidente Lula deve governar com cautela, pois 2009 é o ano de qualquer animal no calendário chinês e possui sintonia negativa com a constelação de Ursa Maior com ascendente em Aquário, com influência dos Anéis de Saturno”; “vai ter uma doença que vai matar muita gente”; “A AIDS ainda fará muitas vítimas”; “Muitos inocentes morrerão em atentados terroristas”; “Será o ano da prosperidade e do amor pra que souber aproveitar suas oportunidades e estar em sintonia com sua áurea”. Mais previsões: “Os governos devem parar de poluir e guerrear, senão irão acabar com a vida na Terra”.
Ainda faltam os profetas “do fim do Mundo”, com suas teorias com falsos ou nenhum embasamento Bíblico. Tem também os vários “Cristos” que aparecem, cada um dizendo ser o verdadeiro Cristo. Se juntar todos pode-se fazer, literalmente, um exército de “Jesuses” (no plural, pois são muitos). Essa idéia pode até dar uma ajudinha nas economias da China e Paraguai). Ou então uma “legião de Jesuses”, talvez uma legião com “muito boa vontade” e intenções (ainda mais se for ligar pra tua casa e te pedir dinheiro) ,uma legião que não é nada urbana.
E por falar em religião, garanto que os E.U.A. ainda vão continuar procurando o Osama. Esses yanques gostam de complicar, pois todo mundo sabe que há mil e uma maneiras de procurar o Osama, uma delas é pelo Google.
Soluções para 2009: O Papai Noel deve tentar uma fusão com o Sr. Wonka, mas no bom sentido, sem viadagem. Segundo, sobre a dengue no Rio de Janeiro, é preciso investir em atenção de saúde preventiva (ou atenção primária, para ser mais específico), na educação em saúde ao povo e medidas efetivas de combate ao mosquito. Terceiro, a crise alimentícia: deve-se investir em agricultura, ou melhor, agricultura familiar, sem interferência de interesses corporativos e estrangeiros. Uma solução mais profunda, pra resolver o mal pela raiz (ou pelo caroço da ‘questã’, como diz o Analista de Bagé) é a reforma agrária e por suposto a redistribuição de riquezas, até porque se sabe que o problema dos alimentos no mundo não é a produção e sim a distribuição. Número cinco: Greve dos professores no Rio Grande do Sul, o ideal é que a governadora deixe de aumentar o próprio soldo e aumente o dos professores. Sexto: dos supermercados serem obrigados a fechar em domingo... que abram no dia em que queiram, mas que os funcionários sejam devidamente gratificados. Sétimo: sobre a crise dos E.U.A. e suas metástases no mundo, a solução é a busca por uma alternativa ao capitalismo (creio que assim nenhum ajudante de Papai Noel ficaria desempregado, muito menos os Loompa-Loompas). Oitavo: pra driblar a putaria no Campeonato Brasileiro, a dupla GRENAL deve boicotar esse campeonato de fachada já contaminado por interesses corporativos. Nono: na questão das videntes, eu ofereço o Troféu Abacaxi para quem vai atrás das mesmas. Se bem que poderia ser feira uma exploração de apostas em dinheiro em cima das previsões delas, faria aquecer a economia e iria gerar receita ao estado, seria a “loteria bola de cristal”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Santa Clara, Villa Clara_CUBA


Uma vez ouvi falar de Santa Clara, capital da província de Villa Clara, no centro de Cuba. Seria onde estaria um monumento ao Che e até um memorial com seus restos mortais e museo com alguns objetos que lhe pertenceram. Ok.
Depois de muito esperar em Havana por um ônibus até Guantânamo (no extremo oriente), decidimos pegar um carro e irmos direto à Santa Clara, a qual desde antes já estava no percurso. Estávamos eu; Johnny (de La Paz, na Bolívia); Luiz (de Brasília) e Ycaro (do Amapá). Passamos algumas horas na estrada, então chegamos à conhecida “Cidade do Che”. Procuramos a Escola de Ciências Médicas e lá nos hospedamos. Conhecemos um pouco da cidade, é uma cidade com ares de cidade pequena (eu não sei com precisão, mas tem entre 100 mil e 500 mil habitantes).
Suas construções antigas lembram aquelas novelas ou minisséries filmadas no interior de Minas Gerais, ou então algumas cidades pequenas do Rio Grande do Sul, como São Pedro do Sul, Rosário do Sul, Lavras do Sul, Caçapava do Sul, ou até Alegrete. Tudo isso, como eu disse, pelos ares de cidade pequena, como a praça no centro da cidade e o seu coreto, algumas ruas estreitas pavimentadas com paralelepípedos (como vielas européias).
Tem também um Boulevar, sendo o coração comercial da cidade, faz lembrar um pouco o Calçadão de Santa Maria. O povo também afável e receptivo, fazendo lembrar cidades pequenas da fronteira do Rio Grande do Sul. Durante a manhã pode-se observar livrarias abertas e seus preços acessíveis, como também a Biblioteca; vários vendedores de flores e observar tudo isso tomando um cafezinho, que custa 20 centavos de Peso Cubano (cerca de 2 centavos, eu disse 2 centavos de Real, no máximo 5).
Sobre o monumento do Che, trata-se de uma grande estátua do mesmo. E embaixo há o museo e o memorial. No museo encontram-se fotos ampliadas e objetos que pertenceram ao Che. Desde histórico escolar; uma credencial de enfermeiro; bombinha de asma; jaleco; farda e resumindo, até armas em que ele utilizou em algumas batalhas. Há também o diploma de médico, expedido pela Faculdade de Medicina de Buenos Aires.
No Memorial descansam os restos mortais de Ernesto Guevara de la Serna e de outros guerrilheiros que morreram em combate na Bolívia. Há também uma chama que nunca se apaga, simbolizando que os ideais dos heróis mortos permanecem vivos. E tudo num clima de reverência, desde os presentes no recinto terem de tirar suas coberturas, até o modo de como a pessoa que ali trabalha nos dá as devidas explicações.
Nesses dois lugares, memorial e museo, as pessoas certem uma certa emoção, talvez por estarem tão próximas de alguém que admiram. O ponto negativo é que não se pode tirar fotos ou fazer filmagens no interior desses lugares. E como disse Che:
“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás.”
“Hasta la victória, siempre”

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um ¨causo¨de bailão
















É noite de bailão. O regime deu certo, pois Rosicreyde perdeu meio quilo e conseguiu entrar em sua calça jeans nova,que é vermelha. Coloca uma bluzinha com listras horizontais vermelhas e pretas (cor sim cor não, como dizem). tipo a do Fred Kruger. Enquanto se arruma, seu celular toca, é Herrody Nelvaldo (seu ficante). Então começama falar nos três segundos. Ok, tudo combinado. Rosi segue se arrumando, aí vem sua amiga que está na sala para passar a chapinha no seu cabelo. Começa então a maquiagem: sombra, base, pó de arroz (eu disse pó de arroz) e não podia faltar batom em quantidade de pá-de-concha (como diz um tio meu) e daqueles bem rosa pink (que brilha no escuro), lançamento das revendedoras dos cosméticos ¨FON FON¨ (que por sinal, todo mundo tem uma vizinha que é revendedora de cosméticos ¨FON FON´, diga-se de pasagem).
Ainda ¨farta se aperfumá¨, que Rosi, ... esqueci, ela prefere que chamem de Rosy.. bueno, continuando... Rosy (com Y, como ela gosta) tem dúvida entre Alma de Flores e Amor Gaúcho. Na dúvida vai os dois.
Não demora muito, e chega Herrody Nelvaldo (vulgo Edy, também com Y), na Variant do seu chefe e com alguns amigos. Enquanto a moça se arruma, ele fica na sala com os sogros e os amigos. Por sinal, o sogro já está ¨duro de fanta¨ (expressão utilizada no Rio Grande do Sul que tem a mesma função semântica que “bêbado”), mas não vem ao caso, não tem nada a ver com o causo, pois a ordem dos tratores não altera o viaduto, quer dizer, a ordem dos fatores não altera a hipotenuza, ou os catetos, ou o produto... bom, deixa pra lá, eu não gosto de matemática, mesmo. Resumindo: o véio estava meio bêbado. Bom, Edy está com sapatos brancos, carpim marrom, calça quadriculada (tipo as do Augustinho da Grande Família) e uma dessas camisas de pagodeiro. No pulso direito, um relógio “cebolão”, tipo os do Faustão, porém da classe econômica, no outro uma pulseira dourada (se é de ouro já não sei...) Não pode faltar o cinto com fivela cowntry e a fatiota (pra quem não sabe é paletó) cor de tijolo.
Bueno, a moça se apronta e o povo vai. São Edy e mais dois amigos e Rosy e mais três amigas. Primeiro teve que acomodar esse povo na Belina. Opa, esqueci, era uma Variant. A primeira coisa foi o arranque, que teve que ser removido e colocado no fundo, depois do banco de trás, mas logicamente depois de exercer sua devida função no elegante automóvel. Deixe-me explicar, o ¨arranque¨ eram os dois amigos de Edy, que sempre que tinha que empurrar o carro, cujos nomes: Óschinto e Dyôn Lêno.
Depois do feito, pararam em um bolicho (pra quem não sabe, bolicho é uma espécie de bar, armazém ou estabelecimento do tipo, onde se vende de tudo um pouco, ¨sortido que nem baldeação em Cacequi, como diria o Analista de Bagé¨) e compraram um refrigerante e uma cachaça do tipo ¨bariga mol¨(marriga mole - aquelas que vem em garrafa de plástico, bem bagaceira mesmo. Para poder efetuar a compra, fizeram uma vaquinha e cada um deu um Pila (Pila, segundo dizem, é uma moeda que circula paralelamente no Estado do Rio Grande do Sul e tem a mesma cotação do Real), foi feita a chamada concentração, pra não gastar dinheiro no baile. Ah, chega na porta bo bailão, os preços:
HOMENS: 3 PILA
MULHERES:NÃO PAGAM
O porteiro é um ¨coroa¨desdentado, com um colete e um cacetete na mão. Bueno, as gurias entraram tranquilamente. Os très caras sofreram a ¨revista¨, e ainda um dos seguranças passou um desses detector de metais portátil, que parece um aspiradorzinho de pó. O detector fez alguns barulhos fora do normal, aí o segurança deu uns tapas e voltou ao ¨normal¨.O problema é que o produto era chinês e a nota fiscal era de um revendedor paraguaio. Sei que o aparelho apitou, mas não era nada mais que a fivela de Edy. Bueno (esse bueno já se tornou um vício de linguagem, e se isso fosse uma redação de vestibular eu já estaria reprovado), o povo pagou a mesa e foi se acomodar. Dyôn foi até a copa comprar umas cervejas e no balcão havia um balaio cheio de camisinhas. Lêno nem pensou duas vezes, pegou um punhado e colocou no bolso do casaco. Chegou até a mesa com as cervejas e os copos e deu duas camisinhas pra cada um dos companheiros.
Enquanto isso, Roxane (amiga de Rosy) tira da bolsa uma carteira de cigarros da marca ‘Oliú’ (eu disse ‘Oliú’, como o povo diz). Antes de começar o baile, vai rolando uma musiquinha ambiente, vai o povo chegando o povo e se acomodando.
Silencio, luzes no palco e ouve-se uma voz:

- Teste! Som! Som! 1, 2, 3! Teste! Som! Alô!
Uma microfonia interrompe. As luzes se apagam e ascende só um canhão de luz que ¨alumia¨ um sujeito no palco. O sujeito deve ter 1,80 m de altura, cabelo com gel (ou Gouméx) penteado para trás, barba feita, óculos (desses tipo ¨raiban de brigadiano¨, os chamados Amber Vision. E pra quem não sabe, brigadiano é PM no Rio Grande do Sul), bigode e seu sorriso ostenta um dente de ouro. Tem um ombro ligeiramente mais alto que o outro. Seu paletó é de microfibra e tem finas listras brancas verticais (estilo Al Capone), afinal, alguma coisa tem que ser elegante nessa história. Usa uma camisa com gola italiana, estampada com amebas e botões abertos até a altura do peito. No pescoço uma corrente dourada, no pulso esquerdo um relógio dourado e no direito uma pulseira também dourada. Em uma das mãos trazia um charuto aceso, que com certeza não era cubano. Na sua fivela dourada vinha seu nome escrito em diagonal: Nérso Sirva, seu nome era também o nome do bailão. Bailão do Nérso Sirva, a melhor casa de baile da cidade e região, onde ainda existe os ¨baile de família¨. Seguindo a descrição, tentando não perder a linearidade da coisa. Bueno, sua calça é azul, tipo de motorista de ônibus. O seu sapato preto de bico fino estava lustroso como “cusco” (no Rio Grande do Sul, cusco significa cachorro) de cozinheira, porque a tarde passou pela praça e o engraxate Bozó deu uma caprichada na escova (engraxate Bozó é um personagem real e famoso, do ambiente urbano da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul). A descrição faz até lembrar o Wander Wildner (gaúcho, ícone do rock gaúcho, foi vocalista das bandas punk gaúchas REPLICANTES e SANGUE SUJO. Hoje ele é cantor de punk rock brega), ou o empresário Miranda, do filme Os 2 filhos de Francisco. Com sua voz grave, Nérso Sirva começa a falar:
- Muito boa noite amigos e amigas do meu coração. É satisfação ver a casa cheia, “derramando gente pelas chinelas: 2 par dançando”! É com muito prazer que a Casa de Shows Nérso Sirva traz pra vocês a Banda Magia de Baile, lançando seu novo CD “Valsa, amor e cerveja”, campeão de vendas. Prepare seu coração, é pra bailar gurizada.
Surgem efeitos especiais no palco e a música começa. São vários músicos, cabe descrever seu uniforme: camisa cor de laranja, calça e coletes brancos. No corte de cabelo não há muitas variações, os que não usam o topetinho amarelo (tipo o do Chimbinha, da Calypso) usam um mullet (tufinho de cabelo ligeiramente comprido (e ridículo) na nuca, tipo os antigos do Chitãozinho & Xororó. O que importa é que eles começam a tocar e o povo a dançar. Uma das regras é que não se nega dança. Então um sujeito larga o copo na mesa, tira o palito do canto da boca e vai tirar aquela loirinha pra dançar. Começam a bailanta e o diálogo, ela pergunta o que ele faz da vida:
- Qual é o teu ramo?
- Ora, eu so dotori!
- Ué, mas dotori do que? Dos rinho, dos filgo, do zóio?
- Eu so dotori de hospitali, que é dotori de tudo isso que tu disse.

E seguem bailando. Próximo da cidade do baile há uma colônia de alemães, e alguns falam português com sotaque bem carregado. Então, no outro canto da sala, enquanto o par baila, vai trocando idéia:
- Como é que é teu nome, “cúria” ? [TRADUÇÃO: como é teu nome, guria?]
- O meu nome é “Chissele”. [T: meu nome é Gizele]
- Então tu é tocaia “ta minha moto”. [T:Então tu é xará da minha moto – fazendo alusão a moto XL].
Há também colônias de italianos, que também falam com sotaque carregado. São também chamados de gringos, e um deles trabalha na copa. E eis que chega outro da mesma etnia para comprar bebida:
- Mi dá um copo di vigno. [T: Dá-me um copo de vinho].
- Di garafa o di garafón? [T: de garrafa ou de garrafão]
- Di garafón qui é mais amargón. [T: de garrafão que é mais amargo]
- Mais alguma coza? [T: mais alguma coisa]
- Uma fatia de quezo i polenta. [T: uma fatia de queijo e polenta].
Segue o baile com seus pares caricaturais dançando ao som de “Valsa, Amor e Cerveja”. Em meio a desordem, os casais os casais vão se batendo sem querer uns nos outros. De vez em quando alguns marmanjos se exaltam e começa alguma peleia, mas o segurança coloca a indiada pra fora e segue o baile.
Rosy e suas amigas vão perceber que a chapinha de cabelo vai perdendo o efeito e a maquiagem está se borrando, então se dirigem ao banheiro. Roxane tira da sua bolsa uma bisnaga de mostarda, mas o conteúdo era Neutrox para passarem no cabelo e assim fazem. Também retocam de pá-de-concha o baton rosa pink cintilante. Depois da típica demora, voltam para a mesa.
Sempre tem aquela gurizada que vai pra aprontar e dar risada. Essas casas de baile antigas, ainda tem na parte de fora, longe da sala de, a “casinha”, onde o pessoal faz as necessidades, também chamada de patente. Então quando o banheiro está lotado, se tem duas opções: mija nos “arvoredi” lá fora ou na patente. E sei que o seu Dorival já andava meio borracho e quis dar uma mijada. O banheiro estava longe e ele com preguiça de ir nos “arvoredi” então estava indo até a patente. Acontece que a gurizada empurrou a patente alguns centímetros para trás, algo que não poderia se notar na noite.
Então seu Dorival abre a porta da “casinha” e quando dá o próximo passo cai num buraco cheio de merda. É motivo de riso pra quem presencia, então começa a rogar praga contra todos. Bueno, segue o baile.

[TO BE CONTINUED]
BREVE MAIS CASOS DE BAILÃO