quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Muertos en México

Antes de vir pra Cuba e conviver com gente de todos os cantos da América Latina, quando se falava em México, o que me vinha na cabeça era um tiozão bigodudo e borracho, sentado na calçada escorado na parede de uma casa, a qual está crivada de bala, as abas do sombreiro tapando a cara, o corpo coberto com um poncho, e na mão descansa uma garrafa de tequila pela metade (meio cheia, ou meio vazia – depende do ponto de vista, hehehe). Próximo dali, uns mariachis cantam alguma música, aí começa o tiroteio e as balas zunindo. Depois chega o Zorro pra acalmar o entrevero. Simultaneamente na velha capela, o padre tranca a porta e diz que na casa de Deus ninguém vai entrar armado, enquanto donzelas e velhas senhoras com um véu na cabeça e rosário nas mãos ajoelhadas, rezando à Virgem de Guadalupe. Longe estão os cactos no deserto, em algum bar os marmanjos bebem e na porra do piano alguém toca La Cucaracha.
Ok, creio que a maioria das pessoas pensa mais ou menos nisso. A questão é que segunda-feira passada, dia dois de novembro (no Brasil é feriado, dia de finados) no México foi celebrado o dia dos mortos, feriado lá.
Para divulgar suas tradições, a galera do México montou um altar no colégio, que eu bati umas fotos, conversei com o povo e perguntei o significado. Segundo os próprios mexicanos, é o seguinte, é celebrado desde os maias e os astecas. Mictlán, deus do país dos mortos, em dois de novembro, permite a ida dos mortos ao mundo terreno visitar seus familiares. Por isso são feitas as oferendas nos altares, com coisas que o finado mais gostava, no caso comidas, bebidas (geralmente é tequila, pois segundo o colega, no México é raro que alguém não goste de tequila). Supõe-se que os mortos saem de Mictlán (não bastasse o nome do deus do lugar, supostamente é nome do país dos mortos) a meia noite, antes de chegar ao altar, há um caminho de velas, que é para eles não se perderem. O altar deve ter os quatro elementos (terra, fogo, água e ar), alguns colocam sal e outras coisas mais. Deve ter três níveis diferentes: o mais alto representa o céu; o médio representa a Terra; o mais baixo o “inframundo”, de onde saem os mortos para irem ao segundo nível. Diz-se que depois da data, as comidas são retiradas do altar e jogadas fora, pois supostamente perderam sua essência porque os mortos a consumiram, ou seja, está sem sabor. Além do altar, há cidades onde são feitas procissões, em que as pessoas vão mascaradas, vestidas de caveira e etc. Trata-se de uma tradição mexicana de sátira com a morte, é raro, pois é único país onde se debocha com a morte, onde são feitas as brincadeiras – segundo o mexicano.
Um filme que retrata esse dia dos mortos e a procissão da multidão lúgubre e mascarada é Era uma vez no México, em que nessa ocasião a elite e os militares conspiram para um golpe de estado (incrível né, nem no cinema a milicada se aquieta). A multidão mascarada resiste às forças militares com armas na mão em prol da democracia e legitimidade mexicana. Bom, no palácio presidencial quem comanda o entrevero com a função de defender o presidente é o Antonio Banderas, um mariachi pistoleiro e seu grupo. Sem falar que nesse escarcéu, os agentes da CIA estão mais metidos que piolho em costura. Bom, só comentei o filme porque nele faz alusão ao dia dos mortos no México. Que antes de tudo, que fique claro que eu não compartilho dessas crenças, apenas acho válido divulgar as tradições da América Latina. Era isso!

Hóspede do hospital (de novo)

Havana, nove de novembro de 2009

Hoje é segunda feira de manhã, eu sigo internado no hospital da escola, mas calma, estou somente cumprindo protocolo. Bom, já explico, passei uns 2 dias com febre recorrente, tomava paracetamol, aliviava, logo voltava. Até que não melhorei e resolvi procurar o médico. Automedicação! Cuidado, não façam isso em casa, hehehe. Como já disse, Cuba possui um serviço de saúde voltado à prevenção, caso não logre, então efetua a intervenção. Para se intervir, se investiga a causa do problema e essa é tratada. Bom, por eu apresentar febre no momento da consulta, me prescreveram e administraram um antitérmico (antitérmico é o nome bonito dado a todo o tipo de remédio pra controlar a febre do vivente. Em casa é bom compressas de algodão com álcool debaixo do sovaco) injetável (eu odeio injeção – ao menos em mim, mas quando tenho que aplicar em outros, é tranqüilo). Certo, então o médico plantonista disse que seria mais seguro eu ficar internado para que eu fosse mantido sob observação para investigarem as possíveis causas da febre. Certo, “evoluiu” a uma infecção na garganta, cujo tratamento é com antibiótico, analgésico, e solução anti-séptica para gargarejo. Febre desde a noite de quinta feira, na noite de sexta eu já não tinha mais essa porcaria, mas já estava internado.
No hospital, estou em isolamento respiratório, pois toda a patologia desse tipo é isolada aqui, como medida preventiva na casualidade de que se alguém apresente positivo a A H1N1, que graças a Deus não é meu caso. Pois como já disse, Cuba tem uma medicina preventiva, e caso eu fosse um pesteado com a gripe do porco, eles não poderiam deixar um caso em potencial, infectante em estado latente, circulando por Havana disseminando a porra do vírus. E outra coisa, mais uma vez eu venho aqui pra elogiar os tratamentos e cuidados recebidos, vale lembrar que não me custa um puto centavo, incluindo as consultas e visitas médicas, exames laboratoriais, cuidados de enfermagem e principalmente os remédios. Ah, sobre a internação, também não tive que pagar um número X de mensalidades devido a tal da carência (até porque “plano e seguro de saúde” aqui é um direito básico de toda a população, no Brasil é um luxo para poucos), nem tive que madrugar na fila, ou ficar na fila eterna dentro do hospital, simplesmente só fui internado e não paguei nada.
É lógico que ficar internado em hospital não é nenhuma sensação agradável como um orgasmo, mas no presente momento foi necessário (a internação, não o orgasmo, infelizmente). Pra quem já foi internado sabe que é algo entediante, que enche o saco e coisa e tal, então pra passar o tempo eu trouxe umas coisinhas pra ler, outras pra estudar (eu disse que era um tédio), músicas para escutar e filmes para assistir, se bem que boa parte do tempo eu passo dormindo. Bom, num desses momentos que eu escutava música (baixinho, né, e além do mais, fiquei sozinho em uma enfermaria) entrou a faxineira pra fazer seu serviço de praxe, ok. Nesse momento eu havia montado um playlist bem eclético, contemplando Ramones, Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii, Ray Charles, Rodox, Cássia Eller, César Oliveira e Rogério Melo e também Carlos Gardel, entre outros. O que vale, é que a faxineira observou que tocava uma música do Gardel, e começou a conversar comigo sobre Gardel (sobre o qual sei muito pouco) e ela me disse que gostava de Gardel. Pena que ela não me convidou pra bailar um tango. O curioso é que comecei o parágrafo falando em orgasmo e acabo em tango, porque geralmente as coisas começam em tango e terminam em orgasmo. Infelizmente o tango nem começou. MODO BESTEIROL OFF. Ok, agora posso voltar ao texto sem tangentes desnecessárias. Mais uma vez me admirei com o nível cultural do povo cubano – a faxineira gostar de Gardel e além do mais saber sobre ele. No Brasil há catedráticos que não sabem quem foi Gardel, não sabem quem é o Chico (seja Chico Buarque, ou Chico Mendes), até porque ninguém é obrigado a saber. Mas repito, me admiro da tia da faxina ter sua apreciação pelo Gardel, e com uma frase dele encerro o texto: “Adiós muchachos, compañeros de mi vida...”

domingo, 1 de novembro de 2009

Ernesta, parabens!!!

Em 31 de outubro, por muitos é celebrado o tal do dia das bruxas e coisa e tal. Não, não, pra mim não tem nada disso, é aniversário da Ernesta, a minha avó. A princípio, ela não é bruxa, mas nem por isso a gente deixa tirar onda com ela. Sinto muito por não me fazer presente nessa atual celebração, eu sempre tenho boas lembranças. A primeira que meus escassos neurônios registram é de 1993, naquela época a vó morava em São Pedro do Sul (pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, na região central do estado), onde fizemos uma surpresa, foi uma coalizão organizada pelos filhos, vizinhos e os companheiros do grupo da terceira idade, que a veia participava. E como sempre, festas na minha família, sempre tem patifaria, né, ainda mais que a vó “nem gosta” duma patifaria. Eu sei que eu não tinha nem seis anos de idade, e como sempre agitando, mas dessa vez não me lembro de minha mãe me dar nenhuma putiada (no RS, putiada equivale a mijada, chamar atenção, corretivo, ou algo do tipo), huahuahua. Sei que lá pelas tantas chega aquela procissão na casa da vó, o centro avante da procissão era um gaiteiro, não era nenhum Renato Borguetti, ou Mano Lima, mas quebrava o galho. Sei que meteram umas lâmpadas no pátio e fizeram um bailão perto da parreira, sem falar dos foguetório, que ficava a cargo do Toríbio (vulgo Pibo). Sei que lá pelas tantas eu e o Bruno (primo que regula comigo de idade, sempre junto nas patifarias) fomos tirar foto com a tal da gaita, essas fotos devem estar hoje na casa da vó.
Lá pelas tantas, não sei que porra aconteceu, a gaita quebrou no meio, e a tia Gringa foi lá com fita durex pra socorrer o borracho do gaiteiro.
Outra festa muito boa da vó, eu me lembro que foi em 2003, ela já morava em Santa Maria. Nessa ocasião, me lembro que a tia Jovelina (irmã da vó) veio de São Pedro e a tia Mariquinha (a outra irmã da vó) veio de Rosário do Sul pros festerê!!! Não quero falar a respeito da idade de minha avozinha, até porque minha outra avó (saudades), por patifaria, dizia que era falta de educação perguntar idade dos mais velhos, hehe. Tipo assim, o Claiton (meu primo e também o neto mais velho da dona Ernestina) certa vez, cogitou que a vó tinha sido garçonete da Santa Ceia, e que ela que havia fornecido a corda pro Judas se enforcar, outros dizem que ela não viu o dilúvio, mas pisou na barro.
Bom, dessa vez a festa não foi surpresa, mas a surpresa que teve não foi nenhum gaiteiro, foi um desses carros de tele-mensagem, vitrine de “pagação de mico”. O combinado era que quando viesse a porcaria do carro da tele mensagem, era pra baixar o volume da música da festa (o bailão familiar de praxe), Bueno, sei que eu fui pro portão da frente, e posso dizer que a rua era pouco movimentada e os cuscos (no RS, cusco é cachorro) dormiam no meio da rua. Tá continuando, eu vou até o portão da frente, paro, olho em direção a casa e faço sinal pra baixar o volume, eis que algumas das pessoas presentes vem correndo em minha direção desesperadas e perguntam:
- Zeca, o carro chegou?
Eu espero o povo chegar ao portão e digo:
- O carro ainda não, é que esses cusco da rua estão tentando dormir e me pediram pra baiar a música!
O povo, apesar de caír na piada, se mijou de dar risada.
Lá pelas tantas, aparece a tal da tele-mensagem, salta um xirú com uma voz grave e começa com sua voz a la Drácula-frankstein:
- Dona Ernestina...
Aí vem as músicas de sempre à aniversariante, típica é aquela do Amado Baptista “feliz aniversário, feliz aniversário...”, pior que isso seria o Amado Baptista ao vivo.
Sei que depois disso, a presepada foi cercar a veia com uma ciranda, por filho, filhas, genros e nora. O passo Número dois da presepada foi cada filho dançar um pouco com a veia, que se mijava rindo. Aí depois que o tropeço (o negão narrador da tele-mensagem) terminou a leitura, veio os nomes dos que estavam homenageando a vovó, uma lista de nomes, aí eu fui lá com meus primos dizer que faltava o nome do Neroli, aí minha mãe me deu uma puteada de leve. Sei que daí o porra do narrador não entendeu e por fim não disse merda nenhuma.
Depois, outra bem boa foi de 2005, onde arredaram os movéis e fizeram a bailanta dentro da casa da veia mesmo. Alguem encheu de ar uma camisinha e larga no meio do salão e começam as piadinhas e tal.
A de 2007, a última em que eu estive presente, foi boa também (inclusive por não ter gaiteiro nem tele mensagem), nessa tava a Cleni (que há muito tempo trocava minhas fraldas), sei que na hora do parabéns, eu que fui lá e tirei a veia pra dançar no meio da roda, o povo riu. Depois do parabéns, larguei o típico grito do sapucay, tri agauderiado. Bom, perdi a de 2008 e 2009, espero que tenham aproveitado a festa por mim.
Ernesta, que muitos 31 de outubros se repitam e que espero estar aí em muitos contigo. Como eu não estou aí pra fazer as patifarias, o povo faz por mim, porque entre os Naysinger, gente pra aprontar, isso não falta. Beijos, vó! Te amo!

domingo, 18 de outubro de 2009

Dica de filme

Aqui no colégio houve um surto de conjuntivite por um determinado período de tempo, com muitas incidências, agora já controlado. Para que se pudesse obter um controle para a não disseminação da patologia, as pessoas que apresentavam sintomas eram transferidas a um edifício de isolamento. Nesse isolamento as pessoas mantinham toda a infra-estrutura, como água, luz telefone e, por exemplo, a comida era levada até a portaria do edifício, e o único trabalho que os enfermos tinham, era só descer a escada e pegar sua refeição, com suco e sobremesa. Também se contava com visitas do médico, pela manhã tarde e noite. Além disso, também visita das enfermeiras para avaliarem os quadros, administração de medicações, assepsia ocular com soro fisiológico, e a aplicação de compressas frias várias vezes ao dia. O detalhe é que não é cobrado nem um centavo pela assistência dada aos estudantes. Ok, o surto foi controlado no colégio, apenas restaram alguns casos que não chegavam nem a meia dúzia, mas para evitar uma “afetação” coletiva, também foi aplicada a quarentena aos “remanescentes”. Bom, dos casos remanescentes eu me incluo, aqui estou, com os olhos vermelhos, mas já estiveram piores hehehhe. O rubor de minha esclera não é oriundo de folhas verdes, não se preocupem, é apenas patológico. Breve já voltarei ao meu “apê”. Sem falar, que a internação se dá de forma voluntária, pois é preciso ter a consciência que não se pode colocar em risco a integridade de outros companheiros, que em nossa presença são susceptíveis ao contágio. Não tenho do que me queixar do tratamento e cuidados recebidos aqui, só tenho elogios a respeito.
Lógico que de certa forma o dia se torna entediante, se fores ler ou estudar, acaba por forçar os olhos, isso atrasa o processo de recuperação e causa dor (escrever no computador também, hehehehehhe).
Ah, no andar de cima (eu falo no sentido literal, não é eufemismo), há gente no isolamento preventivo devido ao vírus A H1N1 porque chegaram há pouco na ilha (pra quem não , A1 H1N1 é um nome bonito para a tal da gripe do porco) ,ficam alguns dias, caso alguém apresente algum sintoma são feitas intervenções médicas, felizmente ninguém está pesteado. Dessa galera do isolamento preventivo, tinha gente do Brasil, Palestina, Guinea Conakry, Quênia, Tonga e Santo Tomé e Príncipe. De Santo Tomé e Príncipe, foi um alívio ao ver que as gurias falavam português (com forte sotaque lusitano) e só uma delas falava espanhol (com sotaque da Espanha bem marcado), uma outra sabia falar inglês, que assim ficava de intérprete das gurias de Tonga (las cuales no hablaban ni carajo de español). Ok, mas a rotatividade dessa galera do preventivo é alta, logo elas saíram e veio um pessoal da Palestina, que além do árabe, falavam só inglês, aí eu que era o intérprete entre eles e a tia da portaria, o mesmo passa com a guria do Quênia e o cara de Guinea Conakry.
Esqueci que estou tangenciando a porcaria do título da porcaria do texto, eu ia falar sobre filmes, alguns que eu assisti aqui no isolamento, pra aliviar a porra do tédio. Há um livro do José Saramago (escritor português que já foi ungido pela Academia Sueca, recebendo o Prêmio Nobel de Literatura) chamado Ensaio sobre a cegueira. Há um cineasta brasileiro chamado Fernando Meirelles, que adaptou o livro para um filme, que ficou muito bom, dentre o elenco está Gael Garcia Bernal (acho que é isso, ele que interpreta o Che no Diários de Motocicleta). O enredo do filme é que, de repente, algumas pessoas ficam cegas e é algo contagioso, que logo se transforma em epidemia, e os cegos são levados a um lugar de isolamento a força, como por meio de uma polícia sanitária, e aí são largados a própria sorte (ou azar). A obra foi filmada em três locações: Toronto (pra quem não sabe é no Canadá, e pra quem não sabe, o Canadá fica ao norte dos EUA); São Paulo (pra quem não sabe, fica na região sudeste do Brasil) e Montevidéu (pra quem não sabe, é a Capital do Uruguai. E pra quem não sabe onde é o Uruguay, é aquele país que fica ao sul do Rio Grande do Sul e que num jogo pelas eliminatórias nesse ano, o Brasil ganhou de 4 a 1 – Juan me desculpa, eu não poderia perder essa huahuahua. Ah é o país do Juan e da Gabi, meus amigos do Uruguay que acompanham o presente blog).
Outra coisa, antes que o Pablo Berned (do blog WWW.blogdoberned.blogspot.com) me acuse de plágio (porque ele já colocou um post sobre esse filme, que por sinal está muito bom), eu digo que vocês visitem o blog do sujeito supracitado no parágrafo. (Pablo, espero que esse jabá aqui me exonerem dos pagamentos dos royalties huahauhauhua)
O legal, é que o isolamento por uma patologia a nível oftalmológico, eu fiz uma analogia do filme com nós, da conjuntivite, hauhauha, se bem que não tem nada a ver o cu com as calças!
Outra dica de filme, baseado no livro de Patrick Süskind, Perfume (ou O perfume, pois não sei como se chama a edição brasileira, é capaz de haver em formato disponível para download). Na adaptação para a sétima arte, o nome é Perfume, a história de um assassino. O enredo se passa na França do século XVIII. Um dos nomes do elenco é Dustin Hofman (não se é assim que se escreve).
Olha, acho que era isso, só queria indicar uns filmes bons (ao menos sob meu ponto de vista) pra vocês olhar no findi ou sei lá, quando queiram, com pipoca, em casa, na casa da sogra ou na “pqp”, com chocolate quente, refri, vinho, cicuta, sei lá, boa companhia feminina (mas daí é difícil de ver o filme). E até amanhã, nesse mesmo horário e no mesmo canal! Bah essa frase pra terminar eu reconheço que ficou péssima. Assistam os filmes, depois me digam se gostaram.

As bases do império

O Império Romano dominou o mundo por mais de mil anos, hoje de resquício, existe o Estado do Vaticano, o qual foi reconhecido como um estado independente por Benito Mussolini. De tão extenso que era o domínio romano, se dizia “No Império Romano, o sol não se põe”, imaginem, era como se o globo terrestre estivesse sob o jugo de César, mas o que eles conheciam do mundo naquela época era a Europa, Ásia e partes da África. Bárbaros eram considerados todo que não fossem do mundo civilizado - o mundo civilizado era Roma. “A lo largo de la história”, os impérios são “substituídos”, hoje qual é a maior potência econômica e militar? Essa é lógica, são os Estados Unidos da América.
Espalhados pelo globo terrestre, os EUA possuem 865 bases militares, quer dizer 864, pois havia uma no Equador e o presidente Rafael Correa exigiu que as tropas yanques deixassem o país. O primeiro registro de bases estadunidenses é do século XIX, em Samoa, no Oceano Pacífico. Essas bases têm por fim tático e estratégico para que essas raposas possam se mover de um lado a outro com infra-estrutura e essa porra toda. Por exemplo, há bases que não aparecem notificadas em nenhum documento oficial, como de PALMEROLA (não sei se é assim que se escreve) em Honduras, a qual possui um contingente de 600 homens. Há também uma em El Salvador, que também não consta em nenhum documento. Na Alemanha (sim, na Alemanha, uma potencia supostamente soberana da União Européia) há 268 bases, com um contingente de 55 mil homens. Na Turquia há 19 bases e 15 mil homens, na Coréia do Sul há bases também.
Esses tentáculos imperialistas, em sua soma total, possuem uma área territorial de 48000 km², para se ter uma noção, isso é metade da superfície do território de Cuba. O contingente total é de 200 mil homens, sem contar as instalações de Iraque e Afeganistão, esses são os alicerces econômicos de um país que faz seu dinheiro circular por meio de guerras.
A América Latina está de certa forma sendo uma zona de perigo para eles, porque vem com governos progressistas que buscam a autonomia latino americana. Os yanques já possuem uma base na Colômbia e querem instalar mais, sob o pretexto de acabar com o narcotráfico e guerrilhas. Repito o que já aparece em meus textos anteriores, que se a suposta ajuda militar do império resolvesse de algo, as guerrilhas, o narcotráfico, a violência e repressão política na Colômbia já teriam acabado, sendo que esses tentáculos norte americanos coexistem de forma conivente com a realidade Colombiana há 40 anos, se fosse eficiente, a Colômbia estaria vivendo em plena paz e amor, bem “zen”.
Na Cumbre de Bariloche, a maioria dos presidentes da América Latina questionou a instalação das bases imperiais, sendo que prejudicaria as relações de boa vizinhança e cooperação do nosso continente. O mandatário colombiano Álvaro Uribe (e fascista, diga-se de passagem) não quis informar sobre no que constavam os acordos bilaterais entre EUA e Colômbia. Por exemplo, essas bases ameaçam a soberania de Equador, Venezuela e Brasil. Por exemplo, uma das finalidades dessas porcarias de bases, é que se possam abastecer os aviões caça e chegar direto até o continente africano, sem que haja necessidade de reabastecimento - tecnologia é foda, depois que inventaram a máquina de debulhar milho eu não duvido de nada.
Uma dessas cláusulas desse acordo prevê imunidade diplomática aos militares yanques na pátria de Pablo Escobar (foi um famoso narcotraficante colombiano), ou seja, qualquer delito e/ou crime que esses milicos venham a cometer, ficarão impunes. Sempre onde há essas bases, tipo fins de semana, que a “milicada” tem direito de sair, gastar uns dólares (dessa forma, bem desaforados jogam na cara que estão injetando divisas no país), tomar umas cachaças e comer umas vadias. A questão é que ficam bêbados e cometem atos de vandalismo, como por exemplo, violência contra mulheres nativas e outros tipos de abusos (já relatados em muitos países onde há bases), fazem todas essas presepadas e os filhos da puta ainda saem impunes devido ao acordo de imunidade diplomática. Eles alegam que nem todo o “quadro de trabalhadores” é militar, há também os chamados “contratistas”, que consiste em ex-soldados, mercenários e civis funcionários de empresas multinacionais - no caso colombiano, são cerca de 800 milicos e 600 contratistas. Os testes militares, com suas armas bioquímicas e nucleares também oferecem grandes riscos ambientais, destruindo a flora e a fauna local. Pode-se falar também das contaminações das águas, da atmosfera e do solo. Especificamente do solo, por centenas e milhares de anos (visto que muitas armas são compostas de urânio), que mesmo, depois que acabe o tempo de acordo especificado e as tropas se retirem, o território fica inutilizado, como por exemplo, não serve para a agricultura, ou seja não tem serventia nenhuma.
Há um tempo, ocorreram uns desgastes diplomáticos, porque militares colombianos (e creio que também paramilitares) violaram espaço equatoriano sem a devida permissão e conhecimento do Equador. O mesmo pode ocorrer na Venezuela, visto a presença yanque e a doutrina de “guerra preventiva” seguida por esses que fazem “grande presença”, que sob o pretexto de armas químicas invadiram o Iraque – armas químicas no Iraque, pra mim é pura ficção científica.
É possível fazer a análise de que se o Chavez compra armas e helicópteros da Rússia, é para defender seu país, que experimenta grandes progressos sociais. A parceria Brasil-França também é de cunho estratégico, é preciso mostrar ao império que não estamos de bobeira e nossa nação nós iremos defender. Não tá morto quem peleia! Ou ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil!

sábado, 10 de outubro de 2009

O bolicheiro bilíngüe

No Rio Grande do sul a palavra bolicheiro tem significado. Primeiro que bolicho significa bar, armazém, lancheria onde se vende de tudo um pouco. Bolicheiro é o cara que é dono e/ou trabalha no dito estabelecimento. Tem-se já uma imagem estereotipada do bolicheito, é um veio de bigode, com um lápis na orelha, um pano no ombro e ele sempre tem a unha do dedo minguinho crescida. Bom mas não vem ao caso agora. A questão é que aqui na minha faculdade há pequenos estabelecimentos comerciais onde são vendidas coisas comestíveis, tipo barzinho de faculdade, com a diferença que aqui as coisas são mais baratas. Esses estabelecimentos são aqui chamados de lata ou cafeteria, mas como um gaúcho do interior e com sotaque levemente carregado e já levemente perdido, eu digo em alto e bom som: BOLICHO.
Bom, e o bolicheiro (aqui é tio da lata) sempre anda bem barbeado e com uma gravatinha borboleta. Ah pra quem não sabe, aqui na facul chegou ete de um mponte de países da África (ex: África do Sul), Ásia (Malásia), Oceania, Europa e algumas dessas pequenas ilhas do caribe, como Jamaica, Bahamas, etc. A questão é que a maioria dessa galera não fala nada de espanhol. Então eles foram ao bolicho comprar algumas coisas, e além de seus idiomas e dialetos nativos, a maioria fala inglês. As pessoas chegavam no bolicho falando em inglês, pra minha surpresa o bolicheiro falava inglês e muito bem por sinal. Estávamos nessa fila eu e mais uma brasileira, eis que ele fala pra gente em espanhol: “Agora, se chegar alguém falando chinês, aí meu vejo louco”!
Eu fico imaginando aí no Brasil, será que algum bolicheiro saberia atender a galera em inglês:
- I want to buy food.
- opa, que isso tchê, respeito!! Que história é essa de toba fúdi...! que tu quer?
- I´m hungry...
- Ah, “mi rango”. Por que não falou antes, que tu quer é bóia, pela tua cara, que pra mim cara feia é de fome.
- Yes, I want to see food!
- Bah, mas e o respeito cadê? Já não disse pra tu parar com essa história de fúdi? E se é pra tossir eu te vendo um vidro de xarope, mas não tosse no meu balcão.
- Yes, I want a drink too. I want a beer!
- Olha, drink eu sei que é trago em inglês, é o nome bonito pra martelinho de canha e depois tu me falou “bira”! Já entendi, tu quer cachaça, né, seu gambá!
- I can´t understand that you tell me. I want that black bottle. I want coke… oh, that is coca-cola.
- Quente a estante do Telmo? Que Telmo, tchê, aqui não tem nenhum Telmo, tu tá é “bêldo”. Olha, coca cola eu entendi, e antes tu falou “bira” e drink. Olha coca com cachaça a gente chama de samba, o que tu quer é um samba, me dá 5 minutinhos que eu já faço um pra ti.
- No!! I can´t dance samba. You are Brazilian, I´m not.
- A tu já sabe o jeito, isso mesmo! Quente são as mulata que dançam samba. Ar de Brasília? Olha, os carnaval grande são no Rio e na Bahia, em Brasília só tem gente sem vergonha!!!

Bom, por aí vai assim seria mais ou menos um bolicheiro tentando entender algum angloparlante (pessoa em que sua língua materna é o ingles) que não fala bosta nenhuma de português. Expressões regionais (não segue ordem alfabética):
TOBA: gíria falada no Brasil, ao menos eu sei que no nordeste, é um eufemismo para CU.
CANHA: No Rio Grande do Sul é cachaça.
MARTELINHO DE CANHA: dose de cachaça.
BÊLDO: Bêbado, ébrio, borracho.
GAMBÁ: No Rio Grande do Sul, assim são chamadas as pessoas que ficam “bêldas” com freqüência.
SAMBA: No Rio Grande do Sul, samba é uma mistura de qualquer refrigerante de cola com cachaça. Se é refrigerante de cola misturado com vinho, o nome é “pé sujo”.
Os erros ortográficos escritos não porque eu seja burro, é só pra manter clima coloquial/informal do diálogo – a desculpa de leitão vesgo é pra mamar em duas tetas.
O que se pode ver é que em Cuba, um país pobre, mas que não mede esforços quando se fala em investimento na educação. Onde a educação é de fato um direito de todos, e que um simples trabalhador de uma tendinha de lanches tenha um domínio de uma língua estrangeira. No nosso país, nós mal sabemos falar nosso próprio idioma.

sábado, 3 de outubro de 2009

O Jardineiro fiel

Aqui na faculdade é normal ver o pessoal jogar xadrez, muitos torneio são também organizados. Um dos melhores jogadores da comunidade universitária é um jardineiro, ele ganha dos melhores jogadores do colégio, o tio Armando. Um dia eu o vi jogando com um acadêmico de medicina, pasmem vocês!!!! Alguém já viu isso no Brasil? Pois é, eu também nunca vi, não digo que é impossível, mas é muito difícil. A primeira coisa é ver o jardineiro saber jogar xadrez. A segunda é ver a humildade em um estudante de medicina, em vê-lo “descer de seu pedestal” e misturar-se aos serviçais (porque a maioria dos estudantes de medicina no Brasil se crê superior aos semelhantes, eu disse a maioria).
Um dia tive a oportunidade de conversar com o jardineiro (que é bem mais interessante do que conversar com um oficial das Forças Armadas da República Federativa do Brasil, até porque a maioria dos jardineiros trabalham de verdade, já os abacate do governo...). Mas voltando ao assunto do tio Aramando, ele nos contou que parte da juventude foi numa cidade próxima a Moscou, onde fez um curso técnico profissionalizante em hidráulica, viveu quatro anos na Rússia. O jardineiro conheceu todas as repúblicas que integravam a já desintegrada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Voltou ara Cuba para exercer a função. Sabe-se que Cuba já prestou e ainda presta muita ajuda humanitária à África e sem cobrar um centavo, nem mesmo um diamantezinho. Então o tio Armando foi trabalhar em Moçambique, na construção de uma represa, onde aprendeu português. Novamente volta a Cuba, e vai trabalhar de intérprete dos soviéticos em uma central nuclear da ilha caribenha. Recebeu um convite pra fazer faculdade de engenharia na União Soviética. Ele me disse que recusou, mas por quê?
Primeiro, ele me disse que tinha um salário bom, que independente do salário, ele tinha médicos de graça. E que quando ele ia ao médico, o médico não perguntava se ele era branco, negro, comunista ou não, estanque a isso, prestava atendimento de qualidade. Ele disse que tinha onde morar, tinha instrução, os filhos tinham boa escola, uniformes, roupas, livros e material escolar. Pela análise dele, não tinha porquê ele buscar um título superior. Então ele me disse: “Se eu vivesse no teu país que é capitalista, de qualquer maneira eu buscaria um título, pra buscar um bom emprego com um salário razoável. Porque no teu país é preciso ter dinheiro para defender a família, no teu país eu sei que tudo é caro, saúde, educação, casa, comida. Vocês devem aproveitar essa oportunidade aqui em Cuba.”
Nas horas livres que tem, é possível ver o tio Armando “trocando idéia” com as pessoas, com professores, funcionários e alunos. Ou então ele está lendo algum livro, tocando violino ou jogando xadrez.

Na barbearia

Havana, três de outubro de 2009. Era domingo passado, mais um domingo como qualquer outro, entediado e bucólico, apesar de ser mais um dia ensolarado no mar do caribe – pra quem não sabe, eu prefiro dias nublados. Não havia outro remédio, pra suportar o calor tive que cortar o cabelo (mesmo querendo deixar crescer pra fazer dread) e aparar a barba (eu odeio fazer a barba). Fui à uma barbearia em Baracoa (povoado próximo da faculdade), já de praxe, do barbeiro Carlos, mas pelos brasileiros chamado de “Jassa”. Na hora de espera, os mesmos papos de marmanjos: esporte, política, etc. A maioria dos marmanjos na espera eram universitários, e uma frase muito repetida pelo Jassa: “Em Cuba, só não estuda quem não quer”!
No pátio havia uma moto nova, zero quilômetro. Um mexicano pergunta: ”¿Tio, cuanto pagaste por el motociclo”?
Ele disse que havia ganhado para ir ao trabalho. O mexicano curioso pergunta no que ele trabalha. O Carlos responde que é da esposa, que é advogada de uma empresa e a empresa deu a mesma a moto para ela ter um meio de transporte para ir ao trabalho. Pode-se ver que o estado cubano é uma mão para seus cidadãos. No Brasil, eu conheço empresas que contratam, preferencialmente, funcionários que vivem nas cercanias das mesmas para que não seja necessário pagar vale-transporte. Vale lembrar que ele sempre repetia: “EM CUBA, SÓ NÃO ESTUDA QUEM NÃO QUER”!

Devaneios

Bom, pra começar eu sou um sujeito cheio de devaneios, quem me conhece sabe, um cara idealista – o que em ocasiões torna-se até um grave defeito por eu ficar mais insuportável que bêbado e também sou “mão de vaca”. Sou um sujeito como qualquer outro, muitas vezes com opiniões radicais, mas para que seja efetuada qualquer mudança moderada, as propostas devem ser radicais. E por falar em radical, o que gera mais emoção e adrenalina são os esportes radicais, certo? Sou um cara fiel no que acredita, não posso ser hipócrita ao dizer que sou 100% fiel e que acredito 100%, é sempre preciso ter a fé com o pé na dúvida, como fez São Thomé e questionar tudo. Odeio ter de fazer a barba todos os dias, odeio usar terno e gravata. Também sou um ex-ateu, estranho, não é? Um cara de costumes modestos que não curte ostentação, não suporta gente fútil e não consegue manter nem dez minutos de conversa com pessoas vazias. Mas nesse ponto estou sendo preconceituoso (vocês viram? Isso é outro defeito!), pois quem sou eu para julgar e determinar se uma pessoa é vazia ou não? Dentre os defeitos nos seres humanos, eu digo que é melhor ser mão de vaca, ter preconceitos (pois todos nós temos preconceitos, mas poucos admitimos sermos portadores dos mesmos) utópico, idealista do que playboy, mentiroso, hipócrita, mauricinho, ladrão, covarde, mercenário, militar, burguês e fofoqueiro. Creio que perto desses defeitos descritos, meus defeitos soam como virtudes, sem falsa modéstia.
Ah, pra não tangenciar ao tema proposto, vou violando um pouco a privacidade de algumas pessoas, e torno público o trecho de uma carta que escrevi a uma pessoa especial. Isso soa como um desabafo público aí vai:
(zeca_el_loco): “Sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco que quer expor suas singelas idéias, nunca quis impor. E sobre meus pontos de vista, tu sempre deves questioná-los, pois eu não sou dono da verdade, ninguém é dono da verdade. Para cada coisa/fato, há pelo menos três pontos de vista: o meu; o teu e o certo. É lógico que na minha insanidade mental, o certo (sob minha óptica) vai ser o meu ponto de vista.
[...]
Eu estou realizando um sonho rebelde adolescente, pois eu ainda me considero um adolescente. E essa realização é pra todos aqueles que me criticavam por meus pontos de vista de certa forma polêmicos e radicais, que quase sempre em contra as normas tradicionais. É também um presente para aqueles que me apoiaram, e por mais incrédulos que fossem quanto a idéia, nunca me desestimularam, e no momento crucial me deram o apoio e os meus críticos e inimigos (mesmo que não declarados, mas alguns eu conheço) e demais invejosos me davam os parabéns, ainda que da boca pra fora, loucos pra verem minha queda, muitos apenas se limitavam a visitar meu Orkut, pra confirmar se era de verdade minha vinda até a ilha. Sim, pode haver quedas, pois sou um ser humano passível de erros, como qualquer outro ser humano que tenha passado por essa Terra. Agora, se eu cair, me levanto, de cabeça erguida e sempre com dignidade, sempre peço a Deus pra não cair, mas se cair peço forças pra me levantar.
[...]
Não se preocupe com o que os outros dizem ou pensam, siga sempre teu coração rebelde. Não se preocupe não, pois já diz a música do Bob “DON´T WORRY, ABOUT THINK...” E tem aquela do Renato Russo: “ mas é claro que o sol, vai voltar amanhã, espera, que sol, já vem./[...]/se você quiser alguem em quem confiar, confie em si mesmo./ quem acredita sempre alcança/ Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar num sonho que se tem/ Ou que seus planos nunca vão dar certo/ Ou que vc nunca vai ser alguém [...]//
Bom, a verdade é que essa música tem bem a ver comigo.
[...]
Deus queira, me dê forças e me ajude que eu não me torne em um mercenário maldito, que meu coração grite, que clame bem mais alto, que os sentimentos de atitudes nobres prevaleçam e eu nunca me esqueça de minhas origens humildes”.

A questão é que não se fiz certo, mas acabo de tornar público alguns de meus pensamentos mais íntimos, espero a compreensão de vocês, e também não vou me sentir nenhum pouco surpreso caso o texto gere indignação e “apedrejamentos” contra minha pessoa. Até porque o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre mim, eu quero mais é que se “exploda”. E tenho dito. Beijos a todas e abraços a todos. Desde já grato pela (in)compreensão.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

fèrias no brasil

Pessoal, faz tempo que devo algo pra vocês, um texto sobre minhas férias no Brasil, a verdade é que outra hora, com mais tempo escrevo um bem legal, narrando até alguns episódios. Mas saibam, apesar do pouco tempo, foi uma benção ter estado com vocês. Agradeço todos vocês, de coração, por me agüentarem. Pena que teve muita gente que eu não vi, mas que todos se sintam abraçados. BEIJOS A todas e abraços a todos.

papo de milico

O Brasil está investindo de forma substancial nas forças armadas, e acho justo, um país como o Brasil deve defender sua soberania, ainda mais agora com a questão do pré-sal e um governo progressista. Há algum par de dias eu tive a “enriquecedora” oportunidade de conversar com um militar brasileiro, um oficial das forças armadas e por sinal até jovem pela sua patente. Nas primeiras trocas de palavras, pareceu-me um sujeito cordial e educado, mas aos poucos ia largando indiretas sobre Cuba (falando mal, lógico, mesmo sem conhecer) e suas coisas, entre elas a medicina cubana, mostrando-me argumentos de que a não homologação do diploma cubano no Brasil é justa e eu rebatendo, me apoiando na lei, mostrando que esse ato de nos barrar é inconstitucional, que a lei nos ampara ao ver que nossa compatibilidade da grade curricular ultrapassa os 90%, a lei prevê um mínimo de 75%.
Outro ponto foi a questão do Haiti, de que o exército brasileiro está participando pacificamente dessa intervenção realizada pela ONU. Sendo que a verdade, é que o exército brasileiro, junto com exércitos de outros países da América Latina está no Haiti, intimidando a população, invadindo favelas e matando civis inocentes, como mulheres e crianças. Uma das falas do sujeito foi: “O Haiti é complicado, pois não se pode retirar as tropas de lá. Sempre que se instaura a lei e a ordem se retiram as tropas, e ao tempo em que as mesmas saem, os haitianos voltam a brigar entre si, volta ao caos anterior, eles são como aquelas tribos africanas, brigam entre si”. Eu sinceramente fiquei pasmo ao ouvir essa declaração, pois como que um sujeito quer instaurar a “ordem” subjugando um povo que não possui ao menos água potável para beber, lembre-se, o Haiti é o país mais pobre das Américas. O que eu tive que rebater, diante de toda minha indignação, que em meio a esse caos, enquanto muitos dos países em desenvolvimento mandavam tropas armadas para “patrulhar o Haiti”, Cuba foi o único país que enviou médicos, enfermeiros e professores, não mandou sequer um soldado. E não cobra um centavo por isso, e também são dados não divulgados pela grande mídia.
Uma coisa, ele também preferia uma aliança e parceria militar com os Estados Unidos da América, mesmo sabendo os prós (se é que existem) e tendo noções muito claras dos pontos em contra. O cara falou mal do Hugo Chavez (pois é moda falar mal do Chavez, sem falar que saiu na TV que ele está entre os presidentes mais mal vestidos..., sem comentários). O que não sabe, é que ao importar um programa cubano do campo da educação, o Chavez conseguiu erradicar o analfabetismo na Venezuela, está levando médicos às pessoas carentes, pelo programa Bairro Adentro, leva serviço médico aos povos indígenas, e está melhorando as condições de vida do povo. Outra coisa comentada pelo milico foi a questão das bases militares norte-americanas instaladas na Colômbia, que eles prestam importante serviço no combate ao narcotráfico e às guerrilhas. Eu refutei essa sandice, dizendo que essas bases estão na Colombia há quase 40 anos, e que se adiantasse de algo, eles já teriam acabado com o narcotráfico e com as guerrilhas, e que essas bases estão para defender os interesses do império, principalmente da gigante multinacional ianque American United Fruit, a qual subjuga a economia da maioria dos países da América Central. Por exemplo, essa empresa foi a primeira a reacionar contra a reforma agrária realizada nos anos 60 pela Revolução Cubana. E lembrem-se, a Venezuela faz fronteira com a Colombia e o Equador, e há algum tempo, as forças armadas da Colômbia violaram território e espaço aéreo equatoriano. Para que o mesmo seja feito contra a Venezuela, é simples, ainda mais respaldados pelas raposas estadunidenses, então Hugo Chavez se vê obrigado a comprar equipamento bélico russo para que possa vigiar e velar suas fronteiras. Ah, vale lembrar que há exilados políticos colombianos vivendo na Venezuela. O abacate do governo falou também do Evo Morales, o presidente da Bolívia, e sobre a questão polêmica envolvendo a Petrobrás e revisão e quebra de contratos. Como deve ser um presidente, o Evo estava em defesa dos interesses do povo e da soberana de seu país, visto que o gás boliviano estava sendo explorado a preço de banana. E que a exemplo da Venezuela, a Bolívia goza de avanços nos campos de educação e saúde.
Bom, a questão é que tive mudar de assunto e buscar uma evasão a esses temas polêmicos, se bem que não fui eu quem começou, eu apenas respondi às provocações. Sim, com êxito mudamos o assunto, eu não queria gerar nenhum constrangimento diante das outras pessoas que se faziam presente no ambiente, além de que são pessoas pelas quais guardo grande respeito e carinho. Também não tenho nada contra o cara, ele não tem culpa de servir a um exército mercenário, fascista e reacionário. Ele não tem culpa, que quando ele entrou em uma academia militar lhe fizeram uma lavagem cerebral e o alienaram e hoje tem essa mentalidadezinha de merda. No fundo, eu creio que ele seja uma boa pessoa, vamos rezar por ele.

um pouco daqui

Havana, 18 de setembro de 2009
Já faz alguns dias que saí de casa rumo a Cuba e sei também que dia 20 é o nosso feriado em Comemoração à Revolução Farroupilha. Saí de Santa Maria no dia 15 de setembro, era mais ou menos meio dia e meia quando eu entrei no ônibus rumo a Porto Alegre. Meus pais me acompanharam até a rodoviária, logo chegou o Marcos, o irmão da Janaína, dessa vez minha partida foi muito tranqüila. À tardinha, eu cheguei ao aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Lá encontro a mãe e a tia da Bianca, onde elas me passaram umas coisas para entregar à mesma em Cuba, e logo tomamos um cafezinho!
Ok, logo entrei pra pegar outro avião rumo a São Paulo,onde cheguei,arrumei as coisas e fui conectar na internet e conversar com o pessoal, digo que valeu a pena. Era mais ou menos uma da manhã quando abriu o check-in da empresa pela qual eu iria viajar. Feito a porra do check-in, fui tomar uma coca e comer um lanche em um rede de lanchonete em que eu nunca como. Mas tem uma coisa, é preciso analisar o preço das coisas vendidas dentro de aeroportos, e essa rede de lanchonete era a que oferecia a preços mais baratos. Ou seja, eu não vou deixar de ser esquerdista por ter comprado algo em um reduto imperial. Ah, logo tomei vários cafés, visto que sou viciado, e também conectei na internet e falei com o Juan do Uruguay. Embarquei rumo ao Panamá, eram umas sete horas de viagem mais ou menos. No Panamá tomei Café e também tive que comprar um adaptador de tomada para poder conectar na internet, onde me distraí e quase que perco o vôo para Havana. Bom, mal agarrei minhas coisas e saí correndo, no corredor que levava até o avião caíram uns CD`S da minha mochila e então um dos funcionários da empresa me ajudou a juntá-los. Passei correndo pelo corredor até ajeitar minhas coisas, colocar a mochila no compartimento e tal. Sentei-me ao lado de uma mulher, que logo veio puxar assunto comigo, era uma equatoriana que vivia há 12 anos no México e iria para Cuba a passeio. Conversamos um bom tempo durante o vôo, e quando chegamos ao aeroporto nos ajudamos um ao outro com bagagens, carrinho para carregar as bagagens, um vigiava as malas para o outro telefonar e tal. Até que conversei com um taxista para levá-la ao seu destino. Ah, vale lembrar que quando chegávamos a Havana, pegamos uma turbulência, experiência interessante que rendeu alguns frios na barriga. Bom, aí encontrei uma amiga da Colômbia que me convidou pra dividir o taxi, mas não precisou, pois estava lá um ônibus da faculdade que iria buscar uma galera da Jamaica. OK, eu e um guatemalteco ajudamos a acomodar as malas na porra do ônibus. Tinha um negrão venezuelano folgado pra caralho, nem pra ajudar a ajeitar as malas, meio que chamamos ele pro serviço, mas agiu muito sem vontade. Sem falar, que como diz o Pernambuco, o cabra é derrubado. Aí chegamos à escola e ajudar a descarregar as malas, passar pelos exames médicos, depois uma picada no dedo pra tirar umas gotas de sangue para o exame de gota grossa. Depois tomar cloroquina e primaquina, como medida preventiva e profilática anti-palúdica. Depois fui conduzido a um dos edifícios usados para o isolamento preventivo devido à pandemia da gripe A H1N1. Bom, aí encontrei a gurizada!!!
Bom, sigo aqui, demorei pra caralho pra escrever esse texto, entre mil pausas, a visita da Ana, alguns goles de fernet. Escutando música celta e agora P.O.D.
Acho que era isso.

Reflexoes sobre o Brasil, sob uma perpectiva externa

Havana, 22 de setembro de 2009

Agora é um pouco mais que uma da manhã, o calor é insuportável, tenho saudades do inverno sul-rio-grandense até onde eu estava há pouco mais de uma semana. Sempre digo que eu deveria ter nascido uns 20 ou 30 anos antes e ter estudado medicina na Rússia ou qualquer outro país do leste europeu. Ou ainda, que eu viesse de alguma família burguesa para que hoje eu estudasse medicina na França, Alemanha ou Moscou (incrível, hoje é necessário plata para viver em Moscou, agradeçam a Glasnost e Perestroyka). A Revolução Cubana é dos humildes para os humildes, então ela permite que um sujeito como eu, apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco (como diz o Belchior), estude medicina gratuitamente e ainda me oferecendo infra-estrutura para isso - calma, aos poucos vou explicando.
Hoje, à noitinha estávamos conversando entre brasileiros sobre nossas férias no Brasil, sobre como está diferente o Brasil, sobre nossas impressões, opiniões e etc. Sobre fatos que ocorreram enquanto estávamos lá. Vamos começar, eu quase nem assisti TV, não tive tempo para isso, mas o que pode ser observado por mim e alguns colegas:
Número 1: Mais um escândalo no senado, envolvendo um de seus políticos, um sujeito que estava no poder antes da ditadura militar, permaneceu durante a mesma, e após a dita cuja tal de ditadura dos milicos, o sujeito ainda está no poder. Há quem diga que ele é dono de uma Unidade Federativa no Brasil e reza à lenda que é ele quem manda e desmanda no Brasil, eu só não vou citar nomes.
Número 2: O (des)governo da (des)governadora do Rio Grande do Sul (que por sinal nem é gaúcha),a sra “credo cruz”, opa, é Yeda Crusius, e as chinelagens ocorridas em seu mandato. Tem que mandar essa doida de volta pra São Paulo, ela está profanando nosso solo sagrado, regado a sangue, suor e lágrimas de nossos heróis farroupilhas, dos charruas, do índio Sepé. Sem comentários...
Número 3: Hino Nacional... Bah, há quem diga que a cantora tenha usado substancia psicoativas inaladas, mas como eu disse, é uma suposição um boato, que fique bem claro que o rapaz latino-americano sem dinheiro no banco NÃO está afirmando nada. Convenhamos, vocês vão ter que concordar comigo, foi uma vergonha aos brasileiros ver aquela mulher errar nosso hino.
Número 4: O assassinato do trabalhador rural sem terra na localidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul. A Brigada Militar (polícia militar do Rio Grande do Sul) foi a única policia do país a não fazer um curso sobre atuação em manutenção de lei e ordem em casos como manifestações sociais, ou seja, policiais despreparados.
Número 5: Oposição cretina do nosso parlamento burguês em Brasília, utilizando do plano de defesa e estratégia da soberania nacional e criticando os planos de defesa do pré-sal, criticando a parceria militar entre Brasil e França. Eles querem o que, se aliar aos Estados Unidos? Seria o mesmo que pedir para que um lobo pastoreie as ovelhas. Deve-se comentar, que com isso aí, teoricamente os militares brasileiros terão o que fazer agora, porque convenhamos, militar no Brasil não faz nada (salvo exceções de equipes de saúde e etc). Que além de fascistas e reacionários, esses abacates do governo ficam nos seus quartéis coçando o saco. Pro Brasil chegar à soberania, é preciso colocar essa gente no serviço e tirar fora a maioria fascista.
Número 6: Fracionamento da esquerda. Sabe-se que a esquerda sempre foi sectária, e há gente de tão esquerdista que são (ou dizem ser) prestam valioso serviço à direita. Um exemplo, foi a Guerra Civil Espanhola (se eu estiver equivocado, peço, em minha opulenta humildade, que os entendidos me corrijam), que os trotskistas foram considerados a quinta coluna de Franco. Segundo exemplo, foram as eleições municipais de 2008 em Porto Alegre, haviam três chapas de esquerda (ao menos se diziam de esquerda), ou seja, a mulherada se dividiu em três candidaturas diferentes e ficaram “peleando” entre si, abrindo caminho às raposas da direita. A nível nacional passa o mesmo, a direita consegue manipular e lançar um sectarismo sob um novo nome, de mais uma mulher heroína, mais uma cabocla de origens humildes que venceu na vida. Esse momento é crucial, não podemos sectarizar.
Algo é impressionante, sobre a dinâmica do ser humano, digo que já não sou mais o mesmo. Meus colegas também dizem que não são mais os mesmos, chegamos à nossa Pátria Amada com outros pontos de vista, com outros pensamentos, sem aceitar o que nos é imposto. Tornamos-nos pessoas mais críticas, mas como disse o Fabian (um colega do Amapá), devemos ter o extremo cuidado de não tornarmos aqueles sujeitos chatos e insuportáveis, que muitas vezes é preciso fazer-se de desentendido e nem ligar pra comentários idiotas. Bah, a real é que eu sempre fui chato e não sei como vocês agüentam ler esse texto chato. Não quero cair no clichê de “um mundo melhor é possível”, mas afirmo que um Brasil melhor é possível, vejo pelo exemplo cubano, um pequeno país, que com pouco faz muito. Um país que divide o pouco que tem, sendo solidários com outros povos no mundo. Se somar os médicos estadunidenses e europeus que estão em missões humanitárias espalhadas pelo mundo, não alcança o contingente médico cubano espalhado em missões humanitárias. Exemplo, Haiti. O Haiti é o país mais pobre das Américas, muitos países estão lá fazendo intervenções militares em nome da paz. Entre essas supostas forças de paz da ONU, está o Exército Brasileiro. O que essas organizações militares extrangeiras fazem é invadir favelas e matar haitianos. Cuba, que em todo esse caos, foi o único país no mundo que enviou médicos, enfermeiros e professores ao Haiti. Cuba com pouco faz muito, sem afetar a soberania nacional de ninguém e sem manchar sua reputação. Que sirva isso de exemplo para nós.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O causo do professor, segunda parte

A situação política no estado estava um tanto quanto conturbada, pois havia demasiada repressão aos sindicatos e movimentos sociais. A segurança pública também deixava a desejar, pois fazia três semanas que Júlio, colega de trabalho de Beto (também professor da rede estadual de ensino), à noite enquanto saía da escola, tomou um tiro quando foi assaltado. A cada greve que os professores faziam, tinham seus dias “parados” descontados em folha de pagamento. Não adiantou nem ocupar o Palácio Piratini exigindo melhores condições de trabalho.

Mais uma aula de história para adolescentes no colégio, o tema dessa vez era a Ditadura Militar no Brasil, no final da aula, Beto fez uma sugestão de filmes pro pessoal, entre eles: “O que é isso, companheiro?” e “O ano em que meus pais saíram de férias”. Não passou uma semana, havia reunião com de professores com os pais do alunos, tudo certo, Beto entregava os boletins falava com os pais dos alunos, críticas, elogios etc. De repente, entra na sala um sujeito alto, de porte físico forte, cabelo bem aparado e barba feita. Uma camisa pólo, calça jeans azul e um sapatenis. Esse sujeito entra na sala de aula, pedindo licença educadamente e perguntando quem era o professor de história.
- Sou eu. – diz Beto enquanto levanta a mão.
O sujeito chega perto e do nada dá um soco na cara de Beto e grita:
- Então é tu, seu professorzinho de merda, que tá mandando minha filha olhar esses filmes de terrorista. Eu não sei como o governo deixa que merdas tipo tu lecionem, seu viado!
Nisso, Beto retribui o murro e os dois começam a lutar em sala de aula, quando Beto vai afasta o braço direito pra lançar mais um golpe, o pai da aluna lhe aponta uma revólver na cabeça e diz:
- E agora seu merda, vai fazer o que? Vai fazer a revolução? Voces não são tão bons assim? Eu sou pai de aluna, não sei quanto a vocês – falava se dirigindo aos demais pais presentes – mas eu vou tirar minha filha desse colégiozinho de merda! Não quero nenhuma comunista maconheira na minha casa. Nao criei filha pra ser puta. A Antonia, minha filha, nao é obrigada a vir pra uma aula de merda, escutar as besteiras que esse viado fala. Ela só tem quinze anos!
Beto mantinha suas mãos erguidas e seguia calado, mas com os olhos fixos no pai de Antonia. Nisso, o pai da aluna vai se afastando a arma da cabeça do professor lentamente e também se afastando e dizia:
- Eu sou militar, odeio essa anarquia do governo, odeio esses professores de história metidos a revolucionários, bando de viado e maconheiro que são. Sou sargento do Exército Brasileiro e não admito ninguém poluindo a cabeça de minha filha com mentiras. E foi se retirando, já na porta, ele mostra o tambor do revólver e se dirige ao professor:
-Dessa vez ta descarregado, seu bizonho! E é bom ficar esperto!
Gerou o maior constragimento no recinto, os pais vão se retirando enquanto o diretor da escola dizia:
- Tudo certo, senhores, se acalmem a situação está sob controle.
Os outros professores levaram Beto à sala de professores pra colocar um gelo no rosto para diminuir o inchaço. Nisso, Zuleide, a coordenadora da escola diz:
- O seguinte, não é prudente tu ir pra tua casa hoje, vamo lá pra casa e amanha a gente resolve!!
- Milico fiá da puta, a volta vem!!!! – resmungava Beto.
- Te acalma, disse Zuleide, liga pra tua casa e avisa que não vai posar lá, amanha tu resolve.
Beto pega o celular e liga:
- Smigle, é o Beto!!! Avisa o pessoal aí em casa que hoje eu não vou posar aí, tenho um aniversário duma colega.
Ah, não diz nada pra Leila, depois te conto. Valeu, tchau!!
Smigle era o apelido do seu irmão mais novo, Gabriel. Beto foi de carona com Zuleide e seu marido, Vilmar. Vilmar era funcionário dos Correios, tinha 47 anos. Zuleide era professora de português, 42 anos e estava no cargo de coordenadora pedagógica. Chegando em casa, eles conversavam com Beto e diziam:
- Beto, a situação anda um caos, sabemos que tu não fez nada de mais, mas acontece que tem muita repressão. Se conselho fosse bom não era dado, era vendido, então é o seguinte, seria prudente tu arrumar um atestado e tirar umas férias. Eu te conheço bem, sei que tu militava no movimento estudantil e tal, já apanhou da policia e tudo. Eu conheço um médico que pode te arrumar o atestado e também tenho amigos no Uruguai, se tu quiser ficar um tempo lá, eu posso falar com eles.
- Olha, ainda não sei... e que passa com o cursinho? Com minha família, com a minha namorada, vou assim, sem mais nem menos? Tem que pensar, e no fim, vou fazer o que no Uruguay? Não posso parasitar ninguém e também nao ¨hablo¨ castelhano!
- Tranqüilo, tu tens razão, mas assim, com a tua família e namorada tu conversa, eles vão entender. Do estado tu entra de licença, tranqüilo, no cursinho tu vai te afastar com o atestado, e quando tu voltar, qualquer cursinho te contrataria. E lá no Uruguai tu vai trabalhar, esses meu amigos tem uma vídeo locadora e um cyber café.
- É que se eu decido agora, vai ser algo muito precipitado, tenho que ter uns dias pra pensar.
- Tem que ser rápido, em quatro dias pelo menos pra ajeitar tuas coisas. A irmã desse meu amigo tá aqui na cidade e vai pra Montevidéu em quatro dias. Pra amanha de tarde te consigo a consulta com o médico, e posso te dar uma ajuda com as questões de papelada pra atestado e tal.
No outro dia de manha cedo, enquanto sua família tomava o café da manha, chegava Beto com uma cara amassada e Gabriel disse:
- Aham, garanhão, cortado de alça de gaita e riscado a ponta de teta!!! Eita galo veio, deixa a Leila saber disso...
- Vai tomar no cu, Smigle, antes fosse isso. È uma longa história.Se tu soubesse o que tá acontecendo tu nem viria me aloprar, seu fedelho!
Beto contou tudo à família, que ficou preocupada. Então começou os preparativos para a viagem ao Uruguai.
Ao meio dia foi almoçar na casa de Leila, conversou com ela e expôs a situação. Pra que os pais dela não soubessem do caso, eles fingiram terminar o namoro. Pela tarde, foi ao médico, ok tudo certo. Em quatro dias partiu. Gabriel lhe deu um porta CD`s e disse:
- Pra tu te distrair no Uruguai, seu animal!!!!
- Que distrair, seu viado! Que cabeça tenho eu pra ouvir música? Impressão minha ou esse porta CD tá meio pesado? – perguntou Beto.
- Pelo menos abre, né.
Havia um revólver dentro.
De novo disse Smigle:
- Tu pode precisar, mas só tem uma bala. Com o resto da munição tu te vira!!!!




A HITÓRIA CONTINUA!!!!!

domingo, 5 de julho de 2009

Honduras

Havana, 29 de junho de 2009
Ontem era domingo, levantei tipo umas dez da manha ou mais, tomei um banho, me vesti e saí para comprar café. Desço um andar e observo a TV ligada no piso dos argentinos e costa-ricenses, que transmite notícias ao vivo sobre o seqüestro do presidente de Honduras, José Manoel Zelaya. As notícias diziam que ele havia sofrido um golpe militar e estava exilado na Costa Rica.
Agora, vamos analizar o contexto de Honduras: Pela constituição vigente, a reeleição não é permitida. O presidente Zelaya assinou o projeto ALBA, inserindo Honduras nesse programa alternativo. Antes das eleições, iria ser feita uma consulta popular com o povo, para ver se o mesmo aprovaria uma reforma constitucional. A reforma constitucional traria muitos avanços ao povo, e também legitimaria a reeleição. Olha, sinceramente, mais democrático que isso, eu não sei!!!
O presidente Zelaya e sua esposa chegaram à Costa Rica de pijama. Na madrugada invadiram sua casa e o seqüestraram. Os militares forjaram um documento como se o presidente tivesse renunciado ao poder. O rapto e o translado a Costa Rica era para soar como que os militares foram bonzinhos e o exilaram. Uma ministra foi seqüestrada e também os embaixadores de Cuba, Venezuela e da Nicarágua. Um parlamentar foi morto e lideres estudantis também foram seqüestrados.
Honduras possui uma oligarquia de 18 famílias que comandam o país, o qual já tem traços reacionários na sua historia. Como por exemplo, apoiou o movimento dos Contra da Nicarágua e permitiu que os cubanos mafiosos de Miami com suas organizações terroristas fossem treinar se preparar militarmente para a invasão de Playa Giron (mais conhecido como o ataque `a Bahia dos Porcos). A nação hondurenha não possui partidos comunistas, nem socialista e tão pouco algum que seja declaradamente de esquerda, então qualquer força progressista vai entrar em choque com os antigos modelos. Vale lembrar que nos lugares de mais difícil acesso nesse país, há brigadas de médicos cubanos.
Os militares, após darem o golpe (liderados por Roberto Micheleti, corrupto que esta no parlamento há mais de 20 anos) seguem oprimindo, visto que o povo não possui armas de fogo para oferecer resistência. Muitos jornalistas estrangeiros foram agredidos pelas forças policiais, inclusive um cinegrafista da TELESUR, um canal cubano de televisão. Estou ciente que neste momento o Brasil está imerso em noticias sobre o nosso triunfo na copa das confederações ou na morte do Michael Jackson. Os noticiários tradicionais do Brasil (a mídia gorda) deve ter exposto muito pouco e ainda com informações distorcidas. Alguém um pouco reacionário pode perguntar: “ E por que o Chavez se meteu nisso?”
Em primeiro lugar ‘e a solidariedade, e independente disso o Chavez também foi seqüestrado e com apoio e resistência do povo, voltou ao poder. E como já mencionei antes, Honduras há pouco aderiu ao ALBA, que busca a segunda independência da América Latina. Na tarde de domingo, alguns embaixadores se reuniram na embaixada do Uruguai em Cuba, onde esteve presente a imprensa e eles se declararam contra o golpe e a favor do presidente Zelaya. Durante a noite, aqui na ELAM, foi feito um ato público, onde os hondurenhos (popularmente CATRACHOS) esclareceram a situação, divulgaram noticias e imagens. Fizemos uma marcha pela escola, com as bandeiras de cada pais representado na facul, em sinal de repudio `a putaria semeada pelos militares hondurenhos. Cada pais hasteou sua bandeira a meio pau. Vale lembrar os gritos de ordem da galera da Argentina, oriunda desde os tempos de sua ditadura, enquanto entoavam a música, pulavam: “Hay que saltar, hay que saltar, pues quien no salta es militar”.
Hoje, segunda feira, no um CINE TEATRO ELAM, teve um evento formal, inclusive com a presença do embaixador de Honduras e da TV Cubana.
Assim que possível, mais esclarecimentos com o caso!!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Honduras y etc

Pessoal, a quetaum de Honduras, nao se vcs tem acompanhado, mas o mais urgtente possivel vou atualizar aqui esclarecendo o que realmente ocooreu por lah, e noticias e fgatos descontaminados da sujeira da midia gorda e
tb vou postar o resto do causo do prfessor hehehe
Hasta la vicotoria, siempre!!!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Causo de professor (essa é a 1ra parte)







- Ok, pessoal, leiam o capítulo 20 para a próxima aula.
Assim disse Carlos Alberto, o professor de história, quando tocou o sinal para o fim das aulas. Carlos Alberto, de apelido Beto era professor de história, tinha 27 anos e estava formado há 4. Lecionava na rede estadual, aulas para Ensino Médio etambém em cursinho pré-vestibular. Nas horas livres, dividia seu tempo entre a família, a namorada e o futebol. Sua vida andava corrida, pois estava se preparando para a prova do mestrado.
Beto agora se vestia ¨decentemente¨ para um professor, cabelo curto e barba feita, a camisa bem passada, a calça jeans e sapato contrastavam com as fotos dele do tempo de universitário, das calças jeans gastas, camisetas já surradas (geralmente de alguma banda de rock) e o all star velho. Nas costas haviam algumas cicatrizes, oriundas de balas de borracha – lembranças do movimento estudantil. Era professor estadual, não ganhava muito, mas dizia que amava o que fazia. Sua renda se reforçava nas aulas que dava em um cursinho pré-vestibular. Por um tempo trabalhou em um colégio particular, mas não durou muito. O problema foi que reprovou um aluno cujo pai era um grande empresário. Por isso foi demitido.
Como Beto dizia nas aulas:
- Vocês não tem que decorar datas, tipo sete de setembro de 1822! Vocês tem q eu saber o que aconteceu nessa época. Tem que saber os fatores que levaram até a ¨independência¨ e suas conseqüências. Não precisa decorar que o infeliz do D. Pedro gritou, mas devem raciocinar o porquê ele fez isso. Agora, não vem ao caso dizer que ele estava amanhecido na zona, com uma ¨borrachera¨ braba e que os caras do governo o trouxeram para gritar a independência¨. Ou seja, em miúdos era Brasil subordinado a Portugal e os ¨portuga¨ aos ingleses.
Dificilmente alguém não gostava das suas aulas. Havia dias, em que ele saía as onze e meia da manha da escola, comina qualquer porcaria na rua e a uma da tarde já era hora de estar no cursinho. Nesse meio tempo no ônibus, quando conseguia algum lugar sentado, ia corrigindo provas ou estudando para a prova de admissão ao mestrado, ou simplesmente se dedicando a leitura. Se isolava dos ruídos ao redor com seu fone de ouvido, para escutar The Doors, Chico Buarque ou alguma rádio local. Em tornno de meio dia e meio chegava ao cursinho, até que dava tempo de tomar um café na lancheria do mesmo e debater um pouco sobre o futebol do fim de semana.
Em uma das turmas, a aula de história era depois da aula de matemática, então Beto encontrava o quadro negro cheio de equações. Em algumas ocasiões, para descontrair, ele ia ¨resolvendo¨ as equações sem levar em conta as regras e propriedades da matemática,como somar ¨X¨ com ¨Y¨ coisas do tipo. Os alunos adoravam e davam risada. Beto dizia:
- Que nada pessoal!!! Eu sempre fui feliz sem essa coisa aí, e não é agora que vai me fazer falta. Quer dizer, pra mim só tem serventia quando eu entro no cheque especial lá na merda do banco.
Então algum palerma, nerd, CDF, engraçadinho ou qualquer sujeito da estirpe perguntava:
- E pro vestibular, professor Beto?
- Que se ¨exploda¨o vestibular, eu já passei, já me formei e tô indo pro mestrado. Vestibular é com vocês. Aliás, essa história de vestibular, é só pras universidades tirarem os ¨pila¨ de vocês! E voltando ao assunto da matemática, eu duvido alguém de vocês chegar no bolicho da esquina e comprar um quilo de arroz e feijão com um logaritmo, isso jamais!
Os alunos não chegados nas ciências exatas adoravam esse discurso, enquanto os aspirantes das ciências exatas e das engenharias estampavam um sorriso amarelo. Ele dizia:
- Criaturas, prestem atenção!!! Ler é mais importante que estudar, já dizia o Ziraldo, grande escritor brasileiro. Pra quem não sabe de quem eu to falando, é o autor do ¨Menino Maluquinho¨. Então leiam bastante. Qualquer porcaria, desde bula de remédio, gibi, revista de fofoca, pornô, e as revistas da mídia burguesa (olho nelas) e também coisas de bom conteúdo. Por que ficar de olho na mídia burguesa? Porque as universidades adoram a mídia burguesa como referencia, apesar de imprimirem mentiras. Leiam, mas com um olhar crítico!
O professor segue empolgado o seu “discurso”:
- Outra coisa, sobre as provas de história... O pessoal da história tem a fama de ser esquerdista, portanto, olho nas questões!!! Nas respostas, se estiverem confusos, reparem na “mais esquerdista”, geralmente. Eu disse GERALMENTE.
Depois dos expedientes, Beto voltava de ônibus pra casa, quase sempre à noite. Na maioria da vezes passava na casa da namorada, Leila, pois não resistia à lasagna feita pela sogra. Leila fazia faculdade de Educação Física e estagiava em uma academia próxima a sua casa. Vivia cobrando mais tempo de Beto, mas no fundo entendia a fase pela qual ele passava. Nos fins de semana, ele pegava o carro de seu pai emprestado pra sair com Leila.






a histótia continua....

sexta-feira, 12 de junho de 2009

BRASIL X URUGUAY

Havana, 09 de junho de 2009, hoje é aniversário do Juan do Uruguai, e na útima noite a galera fez uma surpresa pra ele. Com antecedencia, o pessoal me avisou da surpresa, ok. Algumas coisas que vou falar sobre o Uruguai, para quem for ler que possa entender o contexto do presente texto hehehehe. O nome oficial do país é República Oriental del Uruguay, a populaçao é de mais ou menos tre milhoes de habitantes. A língua oficial é o Espanhol. Nós, do Rio Grande do Sul, compartimos com eles e com os argentinos a cultura gaucha, somos muito parecidos. Pra quem nao sabe do que estou falando, que vá ler Jayme Caetano Braun, ou José Hernandez (na obra ¨El gaucho Martín Fierro¨) ou escutar as músicas de Pedro Ortaça e de outros cantores nativistas. Há também a idéia da ¨Pátria Pampa¨, é um mesmo povo dividido em tres bandeiras: Uruguay, Argentina e Rio Grande do Sul. Inclusive tem a festa da Pátria Gaucha, que ocorre anualmente em Tacarembó, no Uruguay. Mas nao vem ao caso, outra hora eu falo sobre isso.
Como eu já havia dito, a língua oficial é o espanhol – nao só no Uruguai, mas na maioria dos países da América Latina. A questao é que cada regiao e cada país da América Hispânica, mesmo falando o mesmo idioma, possuem diferentes sotaques e maneiras de linguagem entre si. Por exemplo, ¨papaya¨ no México é uma fruta, em Cuba é uma alusao vulgar (e por sinal muito vulgar) ao órgao sexual feminino . No Uruugai e na Argentina as letras ¨Y¨e ¨LL¨, sob um ponto de vista fonético luso parlante, soam como se fosse ¨X¨. Por exemplo, quando um uruguaio diz: ¨Yo soy uruguayo¨. Nós ouvimos assim: ¨Xô soi uruguaxo¨.
A frase: ¨Yo camino por la calle¨. Um colombiano vai falar com seu sotaque cantado: ¨Entonces, djô camino por la cádje, ai marica¨!!!
Um cubano, como se falasse com uma batata dentro da boca: ¨conho, compái.... iô camino po´la cáiie, acere!!! Iá tu sábehh!!!¨
Chileno: ¨Iô camino por la cáie, pô. Cachai?¨
Argentino (meio cantado como italiano): ¨Tchê, que te passa, pelotudo? Xô camino por la cáxe¨!!!
Peruano:¨ ôi, güebón, iô camino por la cáie, pê! Cual és tu Kau kau¨?
Paraguio (quando falam nao costumam abrir a boca, falam com a boca mole e o ¨R¨soa como se fosse pronunciado no interior de Goiás e ainda misturam com Guarani): ¨N´derakore, iôca mino pôurla cáe¨.
Boliviano: ¨Djô camino por la cáiie, pués¨.
Español da Espanha (falaz meio que com a língua presa onde tem ¨S¨, ¨C¨e ¨Z¨, tipo o Romário): ¨Djô estoy a caminar por la cálhe¨.
Carioca: ¨Aê, brothehhhr, eu eXtôu num rolê pelaX ruaX, caralho¨!!
Baiano: ¨ô, maínha, hoje num vo caminhá, naum... ô chent, porra¨!!!
Pernambucano: ¨Eita besta fera da febre do rato!!! Djô camino por la cáiie, boba calói… ôchi!!!
Em Portugal: ¨Gajo, poix eu extou a caminaire por la rua, detráix duma rapariga, seu paneleiro¨!!!
Paulista: ¨Ai mano, cola aí na área que eu tô num rolê na quebrada¨!!!!
Descendente de imigrante alemão no Rio Grande do Sul (cidades tipo Santa Rosa, Horizontina, Nova Petrópolis, etc): ¨Eu tô caminhanto narúa, eu tisse narúa¨!!!!
Em Porto Alegre: ¨Baaaaaah, tô dando uma banda na street, magrão¨!!!!
Um gaúcho do interior: ¨Alapucha, saí a trotezito pela rua, tchê¨!!!!!
Voltando ao assunto, depois de tangenciar por tanto tempo, é por isso que por brincadeira, nós chamamos a galera do Uruguay de uruguaxos. Os uruguaios adoram pisar nos nossos calos, insistem em falar sobre a Copa de 1950, em que fizeram um gol no Barbosa, no Maracanan. Ninguém é perfeito, só porque a Coap era no Brasil nao era obrgatório a gente levantar a taça. Vamos falar sobre o aniversário do Juan. Foi uma festa organizada pelos seus colegas de aula, estava presente a América Latina, (inclusive um gordo da Venezuela que o André apelidou de Balão Mágico, e pra ficar pentelhando ele ainda cantava a musiquinha pro gordo huahuahua, ¨aí o munda fica bem mais divertido¨ ‘ espero que tenham entendido o trcadilho, ao mesno eu tentei). De brasileiros presentes, éramos o Danilo (da BA), o André (de SP), o Vágner (vulgo Alemão ou Polaco, do PR), o Luíz (do DF) e a criatura que vos fala, quer dizer, vos escreve, (do RS). O povo cantou ¨Parabens¨em ingles, depois espanhol, aí chegou a vez do portugues. A real é que nós nao cantamos o parabens, sabem aquela parte depois do parabens que fala ¨é pique, é pique... é hora éroa... ratimbum....¨ pois é, a gente cantou mais ou menso isso, só que bem diferente. A verdade é que nao vou postar no blog o que cantamos, quem quize saber me pergunte pessoalmente, se bem que o único hispanohablante que entendeu foi o Juan, visto que ele fala portugues. Ah, nao dá pra esqucer do cartaz que nós fizemos pra ele, escrito: ¨FELIZ CUMPLE, CASTEXANO!!!¨
Aí no outro lado escrito: ¨BRASIL 4 X 0 URUGUAY¨ , e ainda escrito: ¨Boludo, xô no puedo con êxos¨.
Os hispano-hablantes deram risada, e o Juan também, ele tem senso de humor. Ë aquela história, essa nao poderiamos deixar passar em branco, perdemos o amigo mas nao a piada hehehehe. Tipo quando a Bolivia meteu seis gosl na Argentina pelas eliminatórias, lógico que nao perdíamos nenhuma oprtunidade pra aloprar os argentinos, né!!!! Sei que depois falamos pro Juan: ¨Calma, pelo menos o Nacinal tá bem na Libertadores¨!!!! Ah, o bolo tava tri bom, fazia tempo que eu nao comia um bolo legal. Felicidades, Juan.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Atualizações

e aí pessoal,blz
sobreminhasatualizações eh o seguinte,jah sabem que eu to numpaihs bloqueadoe bla bla blabla
sei que devo umtextopro igor e tal
logo vou passar a postar uns pequenos contos e tal.
elogo tambémmmvoupostar coisas sobre meu findi, que teve afesta de niver da Sonia (do Paraguay) e hoje do Juan (do Uruguay).
ademais é mais oumenos isso!!!
bijos atoodas e abraços a todos

quinta-feira, 4 de junho de 2009

De carona com la Policia



Já faz algunas semanas, em uma noite de um fim de semana eu fui ás zonas mais centrais do municipio de Playa, provincia de Ciudad de La Habana, fui até a cyber café de um hotel, me comunicar com minha familia, a questao é que já era tarde da noite e pra voltar ficou bem mais tarde!!!!
Bom, as linhas da 420 já nao havima mais, as que vao de Playa a Baracoa!! Os tios das máquinas (máquinas sao os táxis a preços populares) já nao estavam mais em seus postos. A útima linha de onibus, a linha 9, que sai de Playa, vai até mais ou menos Vedado (eu acho) e depois volta e vai até baracoa já tinha saído e os caras da empresa de onibus disseram que eu só conseguiria pegar esse onibus na estrela!!!
Um taxista queria me cobrar 6 dolares até baracoa, nem a pau juvenal, vai ser carero assim lá en la puta que lo parió. Depois queria me cobrar 3 dólares até a Estrela, tá loco!!! Pedi informaçao a um policial, que dise que eu poderia ir caminhando, a estrela, que é assim chamada pòr ser um cruzamento estava a mais ou mesos 1km, e poderia ir caminhando, era uma avenida muito bem iluminada, e assim fui indo.
A certa altura do trecho, para do meu lado uma viatura da policia, um Lada, aí o seu guarda me pergunta nome, onde moro e pede minha carteira de identificacao, pois extrangeiros estudantes aqui na ilha recebem um tipo de R.G. como residente temporário! Pior que o eu guarda foi educad comigo ficou trocado idéia e tal. Bom, chego a tal da estrela e a porra do onibus nao vem nunca, vejo que vem um carro e faço sinal de carona para que pare, e vejo que outro sujeito também faz isso. Era um carro da policia e o outro era policial tambem, pergunto pra onde vao e eles me dizem que vao ao posto de controle que etá na estrada (tipo os da policia rodoviária que tem no Brasil), a mais ou menos 1km da ELAM, aí eu peço uma carona e me dao. A viatura é tipo um camburao hehhee, sério. Aí eu desço e o policial que tambem estava de carona faz sinal para um Jeep do Ministério do Interior (MININT) (que é tipo Ministério da Defesa, mais ou menso isso no Brasil), que pára e dá carona pra ele. Dou uma de ¨carancho¨ (pra quem nao sabe, no estado do rio Grande do Sul, carancho significa sujeito que vai aos eventos sem ser convidado, tipo ¨escalado¨) e peço carona pros caras, que me deixam na porta da faculdade hehehehehe. Vou até meu ¨ape¨, deixo minhas coisas e vou pra Baracoa, já eram umas 2 ou 2 e meia da madruga eu tava sem sono mesmo! Encontro no meio do caminho uma festa de Honduras, que tava legal até, encontro um pessoal e fico por lah, dando risdada e me divertindo!!! Ok, sei que acabou a festa e aprocissao segue a Baracoa, com destino aos ranchoes, e pra lá vou e fico trocando idéia com o Pernambuco e mais um pessoal, depois vamos come pizzas numa tia lá, que a gente chama o TOXILANCHES, mas era a única bodega aberta naquela altura , e por lá ficamos, comentando as interpéries da maldita morfofosiosiologia.
Resolvo voltar e na esquina da entrada de Baracoa encontro o pessoal que tá saindo de excursao pra Varadero, e por lá fico conversando e dando risada até que o busao chega, assim vou pra casa dormir, já tava com sono!
Mas resumindo, só aqui que a policia dá carona pra estudante e as Forças Armadas também, ao menos eu nunca vi disso no Brasil.

sábado, 9 de maio de 2009

1ro de Maio em Cuba




Noite de 30 de abril de 2009, no polígono da Escola Latino Americana de Medicina era possível observar muitos jovens pintando faixas e cartazes de suas respectivas delegações e organizações políticas alusivos à marcha do dia primeiro de maio. Nos auto-falantes da rádio base (a rádio interna da escola) era possível ouvir músicas de Sílvio Rodriguez, Orishas, Buena Vista Social Club, entre outros. Havia também o Hino da Internacional Comunista em espanhol e pequenos trechos de falas do comandante Fidel Alejandro Castro Ruz.
Tipo umas três da manhã foi o toque de despertar para os que estavam dormindo, porque muitos estavam trabalhando na confecção das faixas. Logo era o café da manhã nos refeitórios. Em espanhol, refeitório é comedor, mas eu não vou utilizar esse termo porque vai soar feio, muito feio. Imaginem se eu digo “Às três da manhã o povo foi em direção ao comedor...” – fica muito feio.
No refeitório, eu encontrei a Fabiana (de SP)e o Genilson (da BA), que agora vive em Camagüey e enfrentou oito horas de estrada para poder marchar em Havana. Após eu pedir mais um copo cheio de café à tia do comedor, digo, refeitório, porque comedor soa muito feio. Ok, eu pedi mais um copo de café à tia do REFEITÓRIO, desci as escadas e encontrei a Cíntia e mais uma galera tirando umas fotos (das quais eu apareço em algumas). É quando a Cíntia me convence a colocar uma camisa do Grêmio. Então aproveito para ir ao quarto pegar a camiseta e mais algumas coisas que eu havia esquecido.
Volto ao polígono e já estão os ônibus (aqui chamados de guagua) posicionados de acordo com as delegações (à delegação brasileira, foi disponibilizada duas guaguas). Aí é que está rolando uma espécie de pré-concentração, encontro de novo a Cíntia e também se faz presente o Rodrigo (de Porto Alegre) com uma bandeira do Rio Grande do Sul. Resolvemos, então, juntar a gauchada e tirar algumas fotos. Não só com a gauchada, a real que o que mais tinha era papparazzi e “modelos” fotográficos (mesmo que algumas chicas não fossem guapas). No meio do “entrevero” de gente, me encontro com algumas amigas do Chile e do Perú, que me perguntam se podem ir na “guagua” do Brasil, então como “mi español es FUEDA” , respondo com uma expressão bem ao “cubanês”:
- Si! Si, como no?
E assim vamo que vamo, no meio do entrevero, mais perdido que cebola em salada de fruta, mais perdido que sapo em cancha de bocha, aglomrerado que nem mosca em bicheira. Aí que na hora as gurias decidem não irem na guagua do Brasil. Bueno, o entrevero deu uma aliviada e então apresento o Genilson aos amaradas do pré-médico que são também da UJS. Logo chegou o Paínho (o Leandro, da BA) com uma bandeira do partido, aí tiramos mais umas fotos. Depois a indiada foi ocupando as guaguas.
A escoltas das guaguas, durante o trajeto, é feita pela Polícia Nacional Revolucionária (PNR) com suas motocas italianas Virago. Ainda no percurso, foi distribuído pra cada pessoa, a “jabita feliz”uma sacola plástica com lanche e água mineral. Em ônibus de brasileiros, como sempre as musiquinhas do tipo “Se essa porra não virar, olé olé olá... eu chego láááá....” . Ok, descemos num ponto próximo ao percurso da marcha e fomos até lá.
Um fato histórico, que muita gente sabe, é que a esquerda é sectária, fato esse superado, pelo menos na marcha... assim foi visto, companheiros de diferentes correntes marchando juntos, como por exemplo PCB e PC do B lado a lado (saudações especiais aos companheiros Fernanda e Neto, de SP). Lembro-me bem de quando a Fernanda falou: “Pena que nossa diferença não é só a preposição” - para quem não entendeu, foi uma referencia às siglas partidárias PCB e PC do B.
Na Praça da Revolução mesmo, pra lá da área de concentração, havia gente de todas as partes do mundo, com destaque pra galera da França. Eis que vem uma senhora duns 40 anos e nos mostra um boné cheio de pequenos bótons, entre eles uma bandeirinha do Brasil, dizendo que já esteve lá. Então perguntamos:
- Where are you from?
- I’m from Russia.
No primeiro de maio de Cuba, é onde se concretiza a frase de Marx:”Proletários de todo o mundo, uni-vos”. Nào somente os alunos participam da marcha, mas também um bom contingente de professores e funcionários (inclusive o reitor, eu disse o REITOR) e com bastante empolgação. Eu não me lembro de presenciar no Brasil, em algum ato público em que estejam presentes funcionários, professores, alunos e o reitor, juntos, de braços dados e ainda mais, todos no mesmo mar de gente, sem acepção de pessoas. É difícil de acreditar no Brasil, mas eram doutores e faxineiros desfilando lado a lado o orgulho de serem trabalhadores, trabalhadores cubanos e patriotas. Aqui os trabalhadores tem a comemorar, afinal, é o dia deles.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Certa feita, no México...


Dia desses estava eu em passeios cibernéticos e eis que dirijo-me ao blog do Berned (óia o merchan aí Pablo hehehehe) e dentre os textos, havia um sobre uma novela que há pouco passou bo Brasil, só que eu não lembro o nome agora. Por falar em novela eu estava pensando em coisas do México: a Copa de 70, tequila (uma tequila, baby?), sombrero, a atriz Gisele Itié (se um dia eu encontrar com ela eu vou perguntar: ¨uma tequila, baby?¨), Pancho Villa, Zapata, etc. Ah tem também as histórias mexicanas.
Lembrei do Ligeirinho, de nome original Speed Gonzalez (andale, andale, arriba); aquele filme tri legal, A balada do pistoleiro, e as histórias dos coyotes, em Tijuana. Não se pode esquecer das clássicas novelas mexicanas, caracterizada por seus dramalhões.
A novela tem uma estrutura, a qual muda pouca coisa de novela para novela. Primeiro, assim como as novelas produzidas no ¨PROZAC¨, tem seu núcleo rico e seu núcleo pobre, assim também segue nas novelas no país dos mariachis. Vamos começar pelo núcleo rico (vai que começando pela burguesia, eu ganhe um ¨jabᨠpara manter o blog no ar). No núcleo rico está o mocinho, ele é um rico bonzinho ou filho de rico e sempre possui nome composto, geralmente Luíz Alguma Coisa. O Luíz Alguma Coisa vai em alguma festa em algum bairo pobre, que por suposto é no núcleo pobre. La na festa conhece alguma donzela e se apaixona pela mesma, mesmo que ela seja pobre. Ah, o nome da muchacha é Mari Alguma Coisa (também nome composto).
Sim, o casal se apaixona, mas no decorrer do enredo, parece que as forças do universo conspiram para que os pombinhos não fiquem juntos. Nessa conspiração há inúmeros fatores: disparidade social, luta de classes (como já previa o Marx, sem mesmo que ele tivesse assistido alguma novela mexicana). Ah, uma dessas coisas é que o Luíz Alguma Coisa engravida Soledad, que é a empregada da casa. Então começa a lambança (em linguajar coloquial, no Rio Grande do Sul, lambança quer dizer confusão, entrevero – mesmo estando a uns 6000 Km longe do México).
Ainda no núcleo pobre, sempre tem alguem que o sobrenome é Hernandez, ou então sempre tem alguem que tem algum parente nos Estados Unidos (E.U.A.)e na maioria das vezes de forma ilegal (o que na vida real é bem comum no México).
Vilões: O vilão ou vilã do núcleo rico paga alguém do núcleo pobre para que execute uma tarefa bem malvada - quando não paga, chantageia. Na maioria das vezes, a tarefa malvada está ligada direta ou indiretamente em separar o casal protagonista (até bem parecida com uma novelinha brasileira que passa a tardinha, só não vou dizer qual).
Vamos atalhar! No final, os vilões morrem, vão presos ou ficam pobres. O Luíz Alguma Coisa se casa com a Maria Alguma Coisa, vão passar a lua de mel em Acapulco (tipo aquele episódio do Chaves) ou em Cancún. Mesmo que tenha se casado, o Luiz Alguma coisa assume e cria o filho (ou os filos, podem ser gêmeos) que teve com Soledad, a empregada. Ah, sim depois o Luiz Alguma Coisa e a Maria laguma coisa foram felizes para sempre.
Ok, o enredo de qualquer novela é mais ou menos esse, mas novela mexicana é novela mexicana.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um presente da Revolução




Havana, 24 de janeiro de 2009.

A amplitude da Revolução é incrível, mesmo que tenha seus erros internos, afinal, todo e qualquer sistema desenvolvido pelo ser humano é falho. Quando a gente pára para pensar a respeito, é de ficar abismado. Resumindo, tudo é financiado pelo estado: educação, saúde, etc e ainda de acesso universal. Cuba é um dos poucos lugares no mundo onde existe eqüidade entre a população e neste aspecto abrange qualidade de vida. Qualidade de vida com eqüidade existe de verdade aqui, no restante do mundo eu sei que existe em um lugar: Nos documentos da ONU, esses documentos que propõem um mundo melhor – até parece piada.
A Revolução está financiando meus estudos, e também de mais de 2000 jovens da América Latina (isso que só estou abordando os dois primeiros anos de faculdade). Desde que chegamos, em março de 2008, temos alimentação, moradia, uma bolsa auxílio de 100 Pesos Cubanos (mesmo que simbólica), material de higiene pessoal e ganhamos os uniformes. Também ganhamos nossos livros (um exemplar para cada estudante), tais como Junqueira (de histologia); Cardellá (bioquímica); Atlas de Anatomia e também um livro texto; Guyton (de fisiologia, e não é o pequeno, é uma edição em quatro volumes), etc. Não bastasse isso, cada estudante ganhou um esfigmomanômetro (pra quem não sabe, é o aparelho de verificar a pressão arterial, afinal ninguém é obrigado a saber) e um estetoscópio.
Sinceramente, posso até estar errado no que vou dizer, mas creio que nem Harvard faz isso por seus alunos.

Inverno Cubano

Havana, 23 de janeiro de 2008

Agora deve ser umas 3 ou 4 horas da manhã, logo mais eu vou ter prova prática. Bom, mas que se exploda (pra eu não dizer outra coisa) a prova. Eu acreditaria em Papai Noel, mesmo sendo cético, mas nunca iria acreditar que faz frio em Cuba. Sério, essa madrugada está fazendo 8ºC, porém a sensação térmica é inferior .E no aerepoto internacional José Marti houve registros de 5ºC. A real é que sempre fui cético. E pior é que me dei por conta que estava frio, quando o pessoal do Sul (tipo eu), da Argentina, Uruguay, Chile e das partes mais altas do Perú e da Bolívia, isso porque pra galera do norte e nordeste do Brasil já sente frio a 20ºC.
Igual, que se dane! Sempre fui cético e não é agora que vou deixar de ser. Digo que sou pior que São Tomé – há coisas que nem vendo eu acredito (ou “acardito” como dizia um tiobisavô meu – mais velho que o rascunho da Bíblia, diga-se de passagem. Se bem que hoje ele faz parte da matéria orgânica do solo, ou seja, voltou ao pó). Se não me engano, ele até “empacotou” antes do Big Bang , mas igual não vem ao caso, é só pra ilustrar que esse “causo” é antigo.
Até porque o caso é que incrivelmente faz frio no Caribe. Como eu descrevi nos textos anteriores que um moleton bastava, agora tive que colocar uma jaqueta mais grossa. Deixa eu enrolar neste parágrafo mais um pouco, é que não fica legal um parágrafo só com um período – os vestibulandos que o digam!!!! Pronto, muitos até podem dizer que sou uma pessoa vazia e sem conteúdo, alegando que uma prova disso é esse parágrafo, mas que se dane. Próximo parágrafo, por favor!! Obrigado!
E assim eu vou, com consideráveis Daltons (unidade de medida usada para quantidades e níveis moleculares) de cafeína a nível sangüíneo, se bem que pra mim cafeína tem efeito antagonista – eu tomo um metro cúbico de café e durmo como uma anta (porque o efeito é ANTAgonista – esse trocadilho foi péssimo, ultimamente venho me superando). É que também sempre fui uma criatura de hábitos noturnos, falando sério, prefiro dormir de dia, evitando os raios ultra violetas com comprimento de onda (λ, indicado pela letra grega Lâmbida)inferior a 310 nanômetros, mas igual, prefiroa noite. Isso até lembra a parte de física sobre ondas V = λ.f ,ou que a Velocidade é igual ao produto da multiplicação entre comprimento de onda pela freqüência. E pra decorar a porcaria da fórmula, tá valendo macetes de cursinho: Vamos Lamber Feridas!! Vamos Lamber Fiofó!! Vamos Lamber Fernanda Lima. Vamos Lamber Fernanda Paes Leme.
Ok, acho que acabei!! Divirtam-se!!!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Anatomia


Havana, 15 de janeiro de 2009.

Está chegando mais um fim de semana. Talvez mais um tedioso final de semana, pois logo na outra semana estaremos ¨embarcados¨, cheios de prova. Pra ¨variar¨, essa semana foi uma correria (correr atrás da máquina, correr atrás do prejuízo, até porque o cavalo encilhado só passa uma vez…).
Estamos vivendo o inverno cubano, onde muita gente o considera frio, justo porque nao conhece o inverno do sul do Brasil. Aqui, no máximo é colocar um moleton e tá feito, até porque a faculdade é bem próxima ao mar, tem muito vento e existe o fator da sensaçao térmica. Eu, sinceramente, prefiro o inverno, acompanhado de dias cinzas, como tem feito últimamente.
Agora, mudando de saco pra mala, eu comento sobre as aulas de anatomia em salas com o ¨agradável¨ aroma de formol, utilizado para conservar alguns cadáveres e assim promover o progresso da ciencia. E ale´m de tudo, estudar os aspectos morfofisiológicos na teoria e praxis….¨estoy hasta el coño¨!!!!! Na prática é possível observar que a maioría das gurias da República Dominicana possum o músculo glúteo maior bem desenvolvido, anatomicamente falando, sem maldades. A aula de anatomia, é o único lugar no tempo e no espaço em que tu podes dizer ¨I can see dead people¨, a nao ser que tu seja o gurí do filme ¨O sexto sentido¨. Alguns cadáveres nao estao tao anatomicos, até por serem de pessoas idosas e literalmente os corpos estarem em estado cadavérico já há alguns anos (eu quero dizer que já estao há alguns anos como tema decorativo dos tanques de formol). E sem falar do padeciemento dos mesmos ao serem manuseados por estúpidos estudantes (como eu) – os cadáveres permanecem indiferentes, nao se demosntram encomodados e nem se queixam - sao cobaias comportadas e colaborativas (ai!! Esse trocadilho foi péssimo). Até porque eles se queixassem para mim, eu teria que ir me queixar ao psiquiatra e dizer que eu estou com esquizofrenia. E se a esquizofrenia ficar mais drástica só sessao do descarrego, que também é síntoma de esquizofrenia!!!!
Minhas aulas de anatomia no Brasil até que eram engraçadas, o professor ensinava o nome científico das peças em estudo, bem como acrecentava os respectivos apelidos que mesmas tem no balcao do açougue. Ele também se queixava da burocracia para a captacao de cadáveres: ¨É muito bonito a prefeitura prestar assistencia funerária aos indigentes, mas é ruim para a ciencia, pois nao temos cadáveres¨.
Sempre tem aquele suspense de tipo o cara chegar e quando ver, o cadáver era alguem conhecido, sei lá, um parente, amigo vizinho, etc. Sem falar que sempre tem aquela lenda urbana de que nao sei quando, um estudante de medicina foi ver e era seu pai. O estudante ficou traumatizado (ou louco) e abandonou a faculdade. Por sinal, assim como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Escuela Latino Americana de Medicina (ELAM) também possui suas lendas urbanas, mas isso sao outros 500.
Mais um final de semana sem saír, mais uma semana sem nenhuma saída no meio da semana. É, isso é realmente um sacerdócio. Para animar, só algunas notícias do Brasil, algumas boas e outras nem tanto. Espero breve poder cantar: ¨Deu para ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau¨!!!

Reality show


Havana, 15 de janeiro de 2008

A vida nao é fácil, pois se fosse, náo teria graça. Vi manchete de que já iniciou o BBB9,cada ano com uma velha inovaçao. Sobre os ¨nossos heróis¨, definiçao do Bial, quase sempre se repete os estereótipos da casa em relaçao as profissoes: promotor de eventos, designer, publicitário, etc … profissoes ques estao na moda. Se nao for isso, eu aposto que sao coisas bem parecidas. Depois seguem os complos, a ¨luta de classes¨, etc. Mais foda é quando tu liga para algum amigo teu e diz:

- Bah, e aí, vamo lá nas gurias tomar mate, comer pizza e asistir filme? Elas mandaram mensagem nos chamando.
- Vamo sim, mas só depois do BBB, é que eu quero ver quem vai pro paredao.

Pior é quando nas mesas de bar os acirrados debates a respeito da campanha da dupla GRENAL sao tangenciados para o reality show:

- Se o Neroli (nome genérico qualquer para designar qualquer pessoa, nao necesariamente que a mesma possua a (des)graça de Neroli. Ou melhor, seria um participante hipotético do programa) nao mudar a tática, ele vai saír, eu to dizendo.

- Ah, mas nao sai!!! O Badana (nome genérico qualquer) tá mais queimado que ele. Aquí fora ninguém gosta do Badanha.

- Bah, indiada!! Quem nao pode saír é a Gertrudes (nome genérico também), aquela morena é que dá IBOPE pro programa.

- Que Gertrudes!!! A Godofreda (nome genérico também) tem muito mais peito que ela!!!

- Que chinelagem o modelinho aquele, o tal de Lindomar (nome hipotético na mesma situaçao que Neroli, ou até pior)!!! Ele ainda nao comeu a Gertrudes!


Para salvar o mundo da crise, tal qual a Colgate salva o mundo das cáries, poderiam abrir açoes do BBB ao mercado (assim como a Yeda fez com o Banrisul, só que a Yeda fez cagada), atraír investimentos, reducir o Risco Brasil e de repente dar um folego para BOVESPA. Ou entao vender uma parte pro banco do Brasil, que tá comprando tudo agora.
Imaginem as expeculacoes em dia de paredao: as açoes vao lá em cima. Também a questao dos contratos publicitários, já pensou se com as ¨estalecas¨ os brothers posma comprar Alma de Flores, Minancora e mais produtos cosméticos. Vou além, as estalecas podem competir com o Dólar no mercado internacional. Que tal!!! Imagine, esse segmento da economia poderia dar uma engordada no nosso PIB, sem falar das gordas arrecadacoes dos cofres públicos.
To até pensando aquí, dar uma trancada na faculdade, faço um vídeo excentrico e mando para lá, com sorte eles me enviam pro confinamento ‘ tal qual cobaias de laboratorio. Talvez assim eu teria reconhecimento, nao seria apenas um rosto feio na telinha, mas um cara chato que seria defenestrado na primeira semana. Se nessa primeira semana eu ganhasse um carro(Corcel, Belina, DKV, Aero-Willis) ou uma ¨Frigidér¨(FRIFIDÉR: espécie de refrigerador primitivo, arredondado, porta com maçaneta, motor barulhento e em cima do aparéelo debe ter um pingüim como decoraçao. Sem o pingüim nao é legítima. Está longe de ser uma Brastemp), eu sairia mais faceiro que gordo de camisa nova.
A verdade é que eu nem ía falar de BBB, até porque estou sem asunto, talvez fosse apenas narrar uma tediosa semana. Ok, se conseguiram ler o texto até o final, mesmo que bocejando (admito que ele tá chato, afinal, eu sou chato), eu agradeço. Mas quem sabe tu vai lar ligar a TV e ¨dar uma espiadinha¨, que debe estar mais interessante.



PS: desculpem-me pelos erros ortográficos e tal, é que o teclado tá configurado para español.