sexta-feira, 25 de setembro de 2009

fèrias no brasil

Pessoal, faz tempo que devo algo pra vocês, um texto sobre minhas férias no Brasil, a verdade é que outra hora, com mais tempo escrevo um bem legal, narrando até alguns episódios. Mas saibam, apesar do pouco tempo, foi uma benção ter estado com vocês. Agradeço todos vocês, de coração, por me agüentarem. Pena que teve muita gente que eu não vi, mas que todos se sintam abraçados. BEIJOS A todas e abraços a todos.

papo de milico

O Brasil está investindo de forma substancial nas forças armadas, e acho justo, um país como o Brasil deve defender sua soberania, ainda mais agora com a questão do pré-sal e um governo progressista. Há algum par de dias eu tive a “enriquecedora” oportunidade de conversar com um militar brasileiro, um oficial das forças armadas e por sinal até jovem pela sua patente. Nas primeiras trocas de palavras, pareceu-me um sujeito cordial e educado, mas aos poucos ia largando indiretas sobre Cuba (falando mal, lógico, mesmo sem conhecer) e suas coisas, entre elas a medicina cubana, mostrando-me argumentos de que a não homologação do diploma cubano no Brasil é justa e eu rebatendo, me apoiando na lei, mostrando que esse ato de nos barrar é inconstitucional, que a lei nos ampara ao ver que nossa compatibilidade da grade curricular ultrapassa os 90%, a lei prevê um mínimo de 75%.
Outro ponto foi a questão do Haiti, de que o exército brasileiro está participando pacificamente dessa intervenção realizada pela ONU. Sendo que a verdade, é que o exército brasileiro, junto com exércitos de outros países da América Latina está no Haiti, intimidando a população, invadindo favelas e matando civis inocentes, como mulheres e crianças. Uma das falas do sujeito foi: “O Haiti é complicado, pois não se pode retirar as tropas de lá. Sempre que se instaura a lei e a ordem se retiram as tropas, e ao tempo em que as mesmas saem, os haitianos voltam a brigar entre si, volta ao caos anterior, eles são como aquelas tribos africanas, brigam entre si”. Eu sinceramente fiquei pasmo ao ouvir essa declaração, pois como que um sujeito quer instaurar a “ordem” subjugando um povo que não possui ao menos água potável para beber, lembre-se, o Haiti é o país mais pobre das Américas. O que eu tive que rebater, diante de toda minha indignação, que em meio a esse caos, enquanto muitos dos países em desenvolvimento mandavam tropas armadas para “patrulhar o Haiti”, Cuba foi o único país que enviou médicos, enfermeiros e professores, não mandou sequer um soldado. E não cobra um centavo por isso, e também são dados não divulgados pela grande mídia.
Uma coisa, ele também preferia uma aliança e parceria militar com os Estados Unidos da América, mesmo sabendo os prós (se é que existem) e tendo noções muito claras dos pontos em contra. O cara falou mal do Hugo Chavez (pois é moda falar mal do Chavez, sem falar que saiu na TV que ele está entre os presidentes mais mal vestidos..., sem comentários). O que não sabe, é que ao importar um programa cubano do campo da educação, o Chavez conseguiu erradicar o analfabetismo na Venezuela, está levando médicos às pessoas carentes, pelo programa Bairro Adentro, leva serviço médico aos povos indígenas, e está melhorando as condições de vida do povo. Outra coisa comentada pelo milico foi a questão das bases militares norte-americanas instaladas na Colômbia, que eles prestam importante serviço no combate ao narcotráfico e às guerrilhas. Eu refutei essa sandice, dizendo que essas bases estão na Colombia há quase 40 anos, e que se adiantasse de algo, eles já teriam acabado com o narcotráfico e com as guerrilhas, e que essas bases estão para defender os interesses do império, principalmente da gigante multinacional ianque American United Fruit, a qual subjuga a economia da maioria dos países da América Central. Por exemplo, essa empresa foi a primeira a reacionar contra a reforma agrária realizada nos anos 60 pela Revolução Cubana. E lembrem-se, a Venezuela faz fronteira com a Colombia e o Equador, e há algum tempo, as forças armadas da Colômbia violaram território e espaço aéreo equatoriano. Para que o mesmo seja feito contra a Venezuela, é simples, ainda mais respaldados pelas raposas estadunidenses, então Hugo Chavez se vê obrigado a comprar equipamento bélico russo para que possa vigiar e velar suas fronteiras. Ah, vale lembrar que há exilados políticos colombianos vivendo na Venezuela. O abacate do governo falou também do Evo Morales, o presidente da Bolívia, e sobre a questão polêmica envolvendo a Petrobrás e revisão e quebra de contratos. Como deve ser um presidente, o Evo estava em defesa dos interesses do povo e da soberana de seu país, visto que o gás boliviano estava sendo explorado a preço de banana. E que a exemplo da Venezuela, a Bolívia goza de avanços nos campos de educação e saúde.
Bom, a questão é que tive mudar de assunto e buscar uma evasão a esses temas polêmicos, se bem que não fui eu quem começou, eu apenas respondi às provocações. Sim, com êxito mudamos o assunto, eu não queria gerar nenhum constrangimento diante das outras pessoas que se faziam presente no ambiente, além de que são pessoas pelas quais guardo grande respeito e carinho. Também não tenho nada contra o cara, ele não tem culpa de servir a um exército mercenário, fascista e reacionário. Ele não tem culpa, que quando ele entrou em uma academia militar lhe fizeram uma lavagem cerebral e o alienaram e hoje tem essa mentalidadezinha de merda. No fundo, eu creio que ele seja uma boa pessoa, vamos rezar por ele.

um pouco daqui

Havana, 18 de setembro de 2009
Já faz alguns dias que saí de casa rumo a Cuba e sei também que dia 20 é o nosso feriado em Comemoração à Revolução Farroupilha. Saí de Santa Maria no dia 15 de setembro, era mais ou menos meio dia e meia quando eu entrei no ônibus rumo a Porto Alegre. Meus pais me acompanharam até a rodoviária, logo chegou o Marcos, o irmão da Janaína, dessa vez minha partida foi muito tranqüila. À tardinha, eu cheguei ao aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Lá encontro a mãe e a tia da Bianca, onde elas me passaram umas coisas para entregar à mesma em Cuba, e logo tomamos um cafezinho!
Ok, logo entrei pra pegar outro avião rumo a São Paulo,onde cheguei,arrumei as coisas e fui conectar na internet e conversar com o pessoal, digo que valeu a pena. Era mais ou menos uma da manhã quando abriu o check-in da empresa pela qual eu iria viajar. Feito a porra do check-in, fui tomar uma coca e comer um lanche em um rede de lanchonete em que eu nunca como. Mas tem uma coisa, é preciso analisar o preço das coisas vendidas dentro de aeroportos, e essa rede de lanchonete era a que oferecia a preços mais baratos. Ou seja, eu não vou deixar de ser esquerdista por ter comprado algo em um reduto imperial. Ah, logo tomei vários cafés, visto que sou viciado, e também conectei na internet e falei com o Juan do Uruguay. Embarquei rumo ao Panamá, eram umas sete horas de viagem mais ou menos. No Panamá tomei Café e também tive que comprar um adaptador de tomada para poder conectar na internet, onde me distraí e quase que perco o vôo para Havana. Bom, mal agarrei minhas coisas e saí correndo, no corredor que levava até o avião caíram uns CD`S da minha mochila e então um dos funcionários da empresa me ajudou a juntá-los. Passei correndo pelo corredor até ajeitar minhas coisas, colocar a mochila no compartimento e tal. Sentei-me ao lado de uma mulher, que logo veio puxar assunto comigo, era uma equatoriana que vivia há 12 anos no México e iria para Cuba a passeio. Conversamos um bom tempo durante o vôo, e quando chegamos ao aeroporto nos ajudamos um ao outro com bagagens, carrinho para carregar as bagagens, um vigiava as malas para o outro telefonar e tal. Até que conversei com um taxista para levá-la ao seu destino. Ah, vale lembrar que quando chegávamos a Havana, pegamos uma turbulência, experiência interessante que rendeu alguns frios na barriga. Bom, aí encontrei uma amiga da Colômbia que me convidou pra dividir o taxi, mas não precisou, pois estava lá um ônibus da faculdade que iria buscar uma galera da Jamaica. OK, eu e um guatemalteco ajudamos a acomodar as malas na porra do ônibus. Tinha um negrão venezuelano folgado pra caralho, nem pra ajudar a ajeitar as malas, meio que chamamos ele pro serviço, mas agiu muito sem vontade. Sem falar, que como diz o Pernambuco, o cabra é derrubado. Aí chegamos à escola e ajudar a descarregar as malas, passar pelos exames médicos, depois uma picada no dedo pra tirar umas gotas de sangue para o exame de gota grossa. Depois tomar cloroquina e primaquina, como medida preventiva e profilática anti-palúdica. Depois fui conduzido a um dos edifícios usados para o isolamento preventivo devido à pandemia da gripe A H1N1. Bom, aí encontrei a gurizada!!!
Bom, sigo aqui, demorei pra caralho pra escrever esse texto, entre mil pausas, a visita da Ana, alguns goles de fernet. Escutando música celta e agora P.O.D.
Acho que era isso.

Reflexoes sobre o Brasil, sob uma perpectiva externa

Havana, 22 de setembro de 2009

Agora é um pouco mais que uma da manhã, o calor é insuportável, tenho saudades do inverno sul-rio-grandense até onde eu estava há pouco mais de uma semana. Sempre digo que eu deveria ter nascido uns 20 ou 30 anos antes e ter estudado medicina na Rússia ou qualquer outro país do leste europeu. Ou ainda, que eu viesse de alguma família burguesa para que hoje eu estudasse medicina na França, Alemanha ou Moscou (incrível, hoje é necessário plata para viver em Moscou, agradeçam a Glasnost e Perestroyka). A Revolução Cubana é dos humildes para os humildes, então ela permite que um sujeito como eu, apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco (como diz o Belchior), estude medicina gratuitamente e ainda me oferecendo infra-estrutura para isso - calma, aos poucos vou explicando.
Hoje, à noitinha estávamos conversando entre brasileiros sobre nossas férias no Brasil, sobre como está diferente o Brasil, sobre nossas impressões, opiniões e etc. Sobre fatos que ocorreram enquanto estávamos lá. Vamos começar, eu quase nem assisti TV, não tive tempo para isso, mas o que pode ser observado por mim e alguns colegas:
Número 1: Mais um escândalo no senado, envolvendo um de seus políticos, um sujeito que estava no poder antes da ditadura militar, permaneceu durante a mesma, e após a dita cuja tal de ditadura dos milicos, o sujeito ainda está no poder. Há quem diga que ele é dono de uma Unidade Federativa no Brasil e reza à lenda que é ele quem manda e desmanda no Brasil, eu só não vou citar nomes.
Número 2: O (des)governo da (des)governadora do Rio Grande do Sul (que por sinal nem é gaúcha),a sra “credo cruz”, opa, é Yeda Crusius, e as chinelagens ocorridas em seu mandato. Tem que mandar essa doida de volta pra São Paulo, ela está profanando nosso solo sagrado, regado a sangue, suor e lágrimas de nossos heróis farroupilhas, dos charruas, do índio Sepé. Sem comentários...
Número 3: Hino Nacional... Bah, há quem diga que a cantora tenha usado substancia psicoativas inaladas, mas como eu disse, é uma suposição um boato, que fique bem claro que o rapaz latino-americano sem dinheiro no banco NÃO está afirmando nada. Convenhamos, vocês vão ter que concordar comigo, foi uma vergonha aos brasileiros ver aquela mulher errar nosso hino.
Número 4: O assassinato do trabalhador rural sem terra na localidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul. A Brigada Militar (polícia militar do Rio Grande do Sul) foi a única policia do país a não fazer um curso sobre atuação em manutenção de lei e ordem em casos como manifestações sociais, ou seja, policiais despreparados.
Número 5: Oposição cretina do nosso parlamento burguês em Brasília, utilizando do plano de defesa e estratégia da soberania nacional e criticando os planos de defesa do pré-sal, criticando a parceria militar entre Brasil e França. Eles querem o que, se aliar aos Estados Unidos? Seria o mesmo que pedir para que um lobo pastoreie as ovelhas. Deve-se comentar, que com isso aí, teoricamente os militares brasileiros terão o que fazer agora, porque convenhamos, militar no Brasil não faz nada (salvo exceções de equipes de saúde e etc). Que além de fascistas e reacionários, esses abacates do governo ficam nos seus quartéis coçando o saco. Pro Brasil chegar à soberania, é preciso colocar essa gente no serviço e tirar fora a maioria fascista.
Número 6: Fracionamento da esquerda. Sabe-se que a esquerda sempre foi sectária, e há gente de tão esquerdista que são (ou dizem ser) prestam valioso serviço à direita. Um exemplo, foi a Guerra Civil Espanhola (se eu estiver equivocado, peço, em minha opulenta humildade, que os entendidos me corrijam), que os trotskistas foram considerados a quinta coluna de Franco. Segundo exemplo, foram as eleições municipais de 2008 em Porto Alegre, haviam três chapas de esquerda (ao menos se diziam de esquerda), ou seja, a mulherada se dividiu em três candidaturas diferentes e ficaram “peleando” entre si, abrindo caminho às raposas da direita. A nível nacional passa o mesmo, a direita consegue manipular e lançar um sectarismo sob um novo nome, de mais uma mulher heroína, mais uma cabocla de origens humildes que venceu na vida. Esse momento é crucial, não podemos sectarizar.
Algo é impressionante, sobre a dinâmica do ser humano, digo que já não sou mais o mesmo. Meus colegas também dizem que não são mais os mesmos, chegamos à nossa Pátria Amada com outros pontos de vista, com outros pensamentos, sem aceitar o que nos é imposto. Tornamos-nos pessoas mais críticas, mas como disse o Fabian (um colega do Amapá), devemos ter o extremo cuidado de não tornarmos aqueles sujeitos chatos e insuportáveis, que muitas vezes é preciso fazer-se de desentendido e nem ligar pra comentários idiotas. Bah, a real é que eu sempre fui chato e não sei como vocês agüentam ler esse texto chato. Não quero cair no clichê de “um mundo melhor é possível”, mas afirmo que um Brasil melhor é possível, vejo pelo exemplo cubano, um pequeno país, que com pouco faz muito. Um país que divide o pouco que tem, sendo solidários com outros povos no mundo. Se somar os médicos estadunidenses e europeus que estão em missões humanitárias espalhadas pelo mundo, não alcança o contingente médico cubano espalhado em missões humanitárias. Exemplo, Haiti. O Haiti é o país mais pobre das Américas, muitos países estão lá fazendo intervenções militares em nome da paz. Entre essas supostas forças de paz da ONU, está o Exército Brasileiro. O que essas organizações militares extrangeiras fazem é invadir favelas e matar haitianos. Cuba, que em todo esse caos, foi o único país no mundo que enviou médicos, enfermeiros e professores ao Haiti. Cuba com pouco faz muito, sem afetar a soberania nacional de ninguém e sem manchar sua reputação. Que sirva isso de exemplo para nós.