domingo, 18 de outubro de 2009

Dica de filme

Aqui no colégio houve um surto de conjuntivite por um determinado período de tempo, com muitas incidências, agora já controlado. Para que se pudesse obter um controle para a não disseminação da patologia, as pessoas que apresentavam sintomas eram transferidas a um edifício de isolamento. Nesse isolamento as pessoas mantinham toda a infra-estrutura, como água, luz telefone e, por exemplo, a comida era levada até a portaria do edifício, e o único trabalho que os enfermos tinham, era só descer a escada e pegar sua refeição, com suco e sobremesa. Também se contava com visitas do médico, pela manhã tarde e noite. Além disso, também visita das enfermeiras para avaliarem os quadros, administração de medicações, assepsia ocular com soro fisiológico, e a aplicação de compressas frias várias vezes ao dia. O detalhe é que não é cobrado nem um centavo pela assistência dada aos estudantes. Ok, o surto foi controlado no colégio, apenas restaram alguns casos que não chegavam nem a meia dúzia, mas para evitar uma “afetação” coletiva, também foi aplicada a quarentena aos “remanescentes”. Bom, dos casos remanescentes eu me incluo, aqui estou, com os olhos vermelhos, mas já estiveram piores hehehhe. O rubor de minha esclera não é oriundo de folhas verdes, não se preocupem, é apenas patológico. Breve já voltarei ao meu “apê”. Sem falar, que a internação se dá de forma voluntária, pois é preciso ter a consciência que não se pode colocar em risco a integridade de outros companheiros, que em nossa presença são susceptíveis ao contágio. Não tenho do que me queixar do tratamento e cuidados recebidos aqui, só tenho elogios a respeito.
Lógico que de certa forma o dia se torna entediante, se fores ler ou estudar, acaba por forçar os olhos, isso atrasa o processo de recuperação e causa dor (escrever no computador também, hehehehehhe).
Ah, no andar de cima (eu falo no sentido literal, não é eufemismo), há gente no isolamento preventivo devido ao vírus A H1N1 porque chegaram há pouco na ilha (pra quem não , A1 H1N1 é um nome bonito para a tal da gripe do porco) ,ficam alguns dias, caso alguém apresente algum sintoma são feitas intervenções médicas, felizmente ninguém está pesteado. Dessa galera do isolamento preventivo, tinha gente do Brasil, Palestina, Guinea Conakry, Quênia, Tonga e Santo Tomé e Príncipe. De Santo Tomé e Príncipe, foi um alívio ao ver que as gurias falavam português (com forte sotaque lusitano) e só uma delas falava espanhol (com sotaque da Espanha bem marcado), uma outra sabia falar inglês, que assim ficava de intérprete das gurias de Tonga (las cuales no hablaban ni carajo de español). Ok, mas a rotatividade dessa galera do preventivo é alta, logo elas saíram e veio um pessoal da Palestina, que além do árabe, falavam só inglês, aí eu que era o intérprete entre eles e a tia da portaria, o mesmo passa com a guria do Quênia e o cara de Guinea Conakry.
Esqueci que estou tangenciando a porcaria do título da porcaria do texto, eu ia falar sobre filmes, alguns que eu assisti aqui no isolamento, pra aliviar a porra do tédio. Há um livro do José Saramago (escritor português que já foi ungido pela Academia Sueca, recebendo o Prêmio Nobel de Literatura) chamado Ensaio sobre a cegueira. Há um cineasta brasileiro chamado Fernando Meirelles, que adaptou o livro para um filme, que ficou muito bom, dentre o elenco está Gael Garcia Bernal (acho que é isso, ele que interpreta o Che no Diários de Motocicleta). O enredo do filme é que, de repente, algumas pessoas ficam cegas e é algo contagioso, que logo se transforma em epidemia, e os cegos são levados a um lugar de isolamento a força, como por meio de uma polícia sanitária, e aí são largados a própria sorte (ou azar). A obra foi filmada em três locações: Toronto (pra quem não sabe é no Canadá, e pra quem não sabe, o Canadá fica ao norte dos EUA); São Paulo (pra quem não sabe, fica na região sudeste do Brasil) e Montevidéu (pra quem não sabe, é a Capital do Uruguai. E pra quem não sabe onde é o Uruguay, é aquele país que fica ao sul do Rio Grande do Sul e que num jogo pelas eliminatórias nesse ano, o Brasil ganhou de 4 a 1 – Juan me desculpa, eu não poderia perder essa huahuahua. Ah é o país do Juan e da Gabi, meus amigos do Uruguay que acompanham o presente blog).
Outra coisa, antes que o Pablo Berned (do blog WWW.blogdoberned.blogspot.com) me acuse de plágio (porque ele já colocou um post sobre esse filme, que por sinal está muito bom), eu digo que vocês visitem o blog do sujeito supracitado no parágrafo. (Pablo, espero que esse jabá aqui me exonerem dos pagamentos dos royalties huahauhauhua)
O legal, é que o isolamento por uma patologia a nível oftalmológico, eu fiz uma analogia do filme com nós, da conjuntivite, hauhauha, se bem que não tem nada a ver o cu com as calças!
Outra dica de filme, baseado no livro de Patrick Süskind, Perfume (ou O perfume, pois não sei como se chama a edição brasileira, é capaz de haver em formato disponível para download). Na adaptação para a sétima arte, o nome é Perfume, a história de um assassino. O enredo se passa na França do século XVIII. Um dos nomes do elenco é Dustin Hofman (não se é assim que se escreve).
Olha, acho que era isso, só queria indicar uns filmes bons (ao menos sob meu ponto de vista) pra vocês olhar no findi ou sei lá, quando queiram, com pipoca, em casa, na casa da sogra ou na “pqp”, com chocolate quente, refri, vinho, cicuta, sei lá, boa companhia feminina (mas daí é difícil de ver o filme). E até amanhã, nesse mesmo horário e no mesmo canal! Bah essa frase pra terminar eu reconheço que ficou péssima. Assistam os filmes, depois me digam se gostaram.

As bases do império

O Império Romano dominou o mundo por mais de mil anos, hoje de resquício, existe o Estado do Vaticano, o qual foi reconhecido como um estado independente por Benito Mussolini. De tão extenso que era o domínio romano, se dizia “No Império Romano, o sol não se põe”, imaginem, era como se o globo terrestre estivesse sob o jugo de César, mas o que eles conheciam do mundo naquela época era a Europa, Ásia e partes da África. Bárbaros eram considerados todo que não fossem do mundo civilizado - o mundo civilizado era Roma. “A lo largo de la história”, os impérios são “substituídos”, hoje qual é a maior potência econômica e militar? Essa é lógica, são os Estados Unidos da América.
Espalhados pelo globo terrestre, os EUA possuem 865 bases militares, quer dizer 864, pois havia uma no Equador e o presidente Rafael Correa exigiu que as tropas yanques deixassem o país. O primeiro registro de bases estadunidenses é do século XIX, em Samoa, no Oceano Pacífico. Essas bases têm por fim tático e estratégico para que essas raposas possam se mover de um lado a outro com infra-estrutura e essa porra toda. Por exemplo, há bases que não aparecem notificadas em nenhum documento oficial, como de PALMEROLA (não sei se é assim que se escreve) em Honduras, a qual possui um contingente de 600 homens. Há também uma em El Salvador, que também não consta em nenhum documento. Na Alemanha (sim, na Alemanha, uma potencia supostamente soberana da União Européia) há 268 bases, com um contingente de 55 mil homens. Na Turquia há 19 bases e 15 mil homens, na Coréia do Sul há bases também.
Esses tentáculos imperialistas, em sua soma total, possuem uma área territorial de 48000 km², para se ter uma noção, isso é metade da superfície do território de Cuba. O contingente total é de 200 mil homens, sem contar as instalações de Iraque e Afeganistão, esses são os alicerces econômicos de um país que faz seu dinheiro circular por meio de guerras.
A América Latina está de certa forma sendo uma zona de perigo para eles, porque vem com governos progressistas que buscam a autonomia latino americana. Os yanques já possuem uma base na Colômbia e querem instalar mais, sob o pretexto de acabar com o narcotráfico e guerrilhas. Repito o que já aparece em meus textos anteriores, que se a suposta ajuda militar do império resolvesse de algo, as guerrilhas, o narcotráfico, a violência e repressão política na Colômbia já teriam acabado, sendo que esses tentáculos norte americanos coexistem de forma conivente com a realidade Colombiana há 40 anos, se fosse eficiente, a Colômbia estaria vivendo em plena paz e amor, bem “zen”.
Na Cumbre de Bariloche, a maioria dos presidentes da América Latina questionou a instalação das bases imperiais, sendo que prejudicaria as relações de boa vizinhança e cooperação do nosso continente. O mandatário colombiano Álvaro Uribe (e fascista, diga-se de passagem) não quis informar sobre no que constavam os acordos bilaterais entre EUA e Colômbia. Por exemplo, essas bases ameaçam a soberania de Equador, Venezuela e Brasil. Por exemplo, uma das finalidades dessas porcarias de bases, é que se possam abastecer os aviões caça e chegar direto até o continente africano, sem que haja necessidade de reabastecimento - tecnologia é foda, depois que inventaram a máquina de debulhar milho eu não duvido de nada.
Uma dessas cláusulas desse acordo prevê imunidade diplomática aos militares yanques na pátria de Pablo Escobar (foi um famoso narcotraficante colombiano), ou seja, qualquer delito e/ou crime que esses milicos venham a cometer, ficarão impunes. Sempre onde há essas bases, tipo fins de semana, que a “milicada” tem direito de sair, gastar uns dólares (dessa forma, bem desaforados jogam na cara que estão injetando divisas no país), tomar umas cachaças e comer umas vadias. A questão é que ficam bêbados e cometem atos de vandalismo, como por exemplo, violência contra mulheres nativas e outros tipos de abusos (já relatados em muitos países onde há bases), fazem todas essas presepadas e os filhos da puta ainda saem impunes devido ao acordo de imunidade diplomática. Eles alegam que nem todo o “quadro de trabalhadores” é militar, há também os chamados “contratistas”, que consiste em ex-soldados, mercenários e civis funcionários de empresas multinacionais - no caso colombiano, são cerca de 800 milicos e 600 contratistas. Os testes militares, com suas armas bioquímicas e nucleares também oferecem grandes riscos ambientais, destruindo a flora e a fauna local. Pode-se falar também das contaminações das águas, da atmosfera e do solo. Especificamente do solo, por centenas e milhares de anos (visto que muitas armas são compostas de urânio), que mesmo, depois que acabe o tempo de acordo especificado e as tropas se retirem, o território fica inutilizado, como por exemplo, não serve para a agricultura, ou seja não tem serventia nenhuma.
Há um tempo, ocorreram uns desgastes diplomáticos, porque militares colombianos (e creio que também paramilitares) violaram espaço equatoriano sem a devida permissão e conhecimento do Equador. O mesmo pode ocorrer na Venezuela, visto a presença yanque e a doutrina de “guerra preventiva” seguida por esses que fazem “grande presença”, que sob o pretexto de armas químicas invadiram o Iraque – armas químicas no Iraque, pra mim é pura ficção científica.
É possível fazer a análise de que se o Chavez compra armas e helicópteros da Rússia, é para defender seu país, que experimenta grandes progressos sociais. A parceria Brasil-França também é de cunho estratégico, é preciso mostrar ao império que não estamos de bobeira e nossa nação nós iremos defender. Não tá morto quem peleia! Ou ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil!

sábado, 10 de outubro de 2009

O bolicheiro bilíngüe

No Rio Grande do sul a palavra bolicheiro tem significado. Primeiro que bolicho significa bar, armazém, lancheria onde se vende de tudo um pouco. Bolicheiro é o cara que é dono e/ou trabalha no dito estabelecimento. Tem-se já uma imagem estereotipada do bolicheito, é um veio de bigode, com um lápis na orelha, um pano no ombro e ele sempre tem a unha do dedo minguinho crescida. Bom mas não vem ao caso agora. A questão é que aqui na minha faculdade há pequenos estabelecimentos comerciais onde são vendidas coisas comestíveis, tipo barzinho de faculdade, com a diferença que aqui as coisas são mais baratas. Esses estabelecimentos são aqui chamados de lata ou cafeteria, mas como um gaúcho do interior e com sotaque levemente carregado e já levemente perdido, eu digo em alto e bom som: BOLICHO.
Bom, e o bolicheiro (aqui é tio da lata) sempre anda bem barbeado e com uma gravatinha borboleta. Ah pra quem não sabe, aqui na facul chegou ete de um mponte de países da África (ex: África do Sul), Ásia (Malásia), Oceania, Europa e algumas dessas pequenas ilhas do caribe, como Jamaica, Bahamas, etc. A questão é que a maioria dessa galera não fala nada de espanhol. Então eles foram ao bolicho comprar algumas coisas, e além de seus idiomas e dialetos nativos, a maioria fala inglês. As pessoas chegavam no bolicho falando em inglês, pra minha surpresa o bolicheiro falava inglês e muito bem por sinal. Estávamos nessa fila eu e mais uma brasileira, eis que ele fala pra gente em espanhol: “Agora, se chegar alguém falando chinês, aí meu vejo louco”!
Eu fico imaginando aí no Brasil, será que algum bolicheiro saberia atender a galera em inglês:
- I want to buy food.
- opa, que isso tchê, respeito!! Que história é essa de toba fúdi...! que tu quer?
- I´m hungry...
- Ah, “mi rango”. Por que não falou antes, que tu quer é bóia, pela tua cara, que pra mim cara feia é de fome.
- Yes, I want to see food!
- Bah, mas e o respeito cadê? Já não disse pra tu parar com essa história de fúdi? E se é pra tossir eu te vendo um vidro de xarope, mas não tosse no meu balcão.
- Yes, I want a drink too. I want a beer!
- Olha, drink eu sei que é trago em inglês, é o nome bonito pra martelinho de canha e depois tu me falou “bira”! Já entendi, tu quer cachaça, né, seu gambá!
- I can´t understand that you tell me. I want that black bottle. I want coke… oh, that is coca-cola.
- Quente a estante do Telmo? Que Telmo, tchê, aqui não tem nenhum Telmo, tu tá é “bêldo”. Olha, coca cola eu entendi, e antes tu falou “bira” e drink. Olha coca com cachaça a gente chama de samba, o que tu quer é um samba, me dá 5 minutinhos que eu já faço um pra ti.
- No!! I can´t dance samba. You are Brazilian, I´m not.
- A tu já sabe o jeito, isso mesmo! Quente são as mulata que dançam samba. Ar de Brasília? Olha, os carnaval grande são no Rio e na Bahia, em Brasília só tem gente sem vergonha!!!

Bom, por aí vai assim seria mais ou menos um bolicheiro tentando entender algum angloparlante (pessoa em que sua língua materna é o ingles) que não fala bosta nenhuma de português. Expressões regionais (não segue ordem alfabética):
TOBA: gíria falada no Brasil, ao menos eu sei que no nordeste, é um eufemismo para CU.
CANHA: No Rio Grande do Sul é cachaça.
MARTELINHO DE CANHA: dose de cachaça.
BÊLDO: Bêbado, ébrio, borracho.
GAMBÁ: No Rio Grande do Sul, assim são chamadas as pessoas que ficam “bêldas” com freqüência.
SAMBA: No Rio Grande do Sul, samba é uma mistura de qualquer refrigerante de cola com cachaça. Se é refrigerante de cola misturado com vinho, o nome é “pé sujo”.
Os erros ortográficos escritos não porque eu seja burro, é só pra manter clima coloquial/informal do diálogo – a desculpa de leitão vesgo é pra mamar em duas tetas.
O que se pode ver é que em Cuba, um país pobre, mas que não mede esforços quando se fala em investimento na educação. Onde a educação é de fato um direito de todos, e que um simples trabalhador de uma tendinha de lanches tenha um domínio de uma língua estrangeira. No nosso país, nós mal sabemos falar nosso próprio idioma.

sábado, 3 de outubro de 2009

O Jardineiro fiel

Aqui na faculdade é normal ver o pessoal jogar xadrez, muitos torneio são também organizados. Um dos melhores jogadores da comunidade universitária é um jardineiro, ele ganha dos melhores jogadores do colégio, o tio Armando. Um dia eu o vi jogando com um acadêmico de medicina, pasmem vocês!!!! Alguém já viu isso no Brasil? Pois é, eu também nunca vi, não digo que é impossível, mas é muito difícil. A primeira coisa é ver o jardineiro saber jogar xadrez. A segunda é ver a humildade em um estudante de medicina, em vê-lo “descer de seu pedestal” e misturar-se aos serviçais (porque a maioria dos estudantes de medicina no Brasil se crê superior aos semelhantes, eu disse a maioria).
Um dia tive a oportunidade de conversar com o jardineiro (que é bem mais interessante do que conversar com um oficial das Forças Armadas da República Federativa do Brasil, até porque a maioria dos jardineiros trabalham de verdade, já os abacate do governo...). Mas voltando ao assunto do tio Aramando, ele nos contou que parte da juventude foi numa cidade próxima a Moscou, onde fez um curso técnico profissionalizante em hidráulica, viveu quatro anos na Rússia. O jardineiro conheceu todas as repúblicas que integravam a já desintegrada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Voltou ara Cuba para exercer a função. Sabe-se que Cuba já prestou e ainda presta muita ajuda humanitária à África e sem cobrar um centavo, nem mesmo um diamantezinho. Então o tio Armando foi trabalhar em Moçambique, na construção de uma represa, onde aprendeu português. Novamente volta a Cuba, e vai trabalhar de intérprete dos soviéticos em uma central nuclear da ilha caribenha. Recebeu um convite pra fazer faculdade de engenharia na União Soviética. Ele me disse que recusou, mas por quê?
Primeiro, ele me disse que tinha um salário bom, que independente do salário, ele tinha médicos de graça. E que quando ele ia ao médico, o médico não perguntava se ele era branco, negro, comunista ou não, estanque a isso, prestava atendimento de qualidade. Ele disse que tinha onde morar, tinha instrução, os filhos tinham boa escola, uniformes, roupas, livros e material escolar. Pela análise dele, não tinha porquê ele buscar um título superior. Então ele me disse: “Se eu vivesse no teu país que é capitalista, de qualquer maneira eu buscaria um título, pra buscar um bom emprego com um salário razoável. Porque no teu país é preciso ter dinheiro para defender a família, no teu país eu sei que tudo é caro, saúde, educação, casa, comida. Vocês devem aproveitar essa oportunidade aqui em Cuba.”
Nas horas livres que tem, é possível ver o tio Armando “trocando idéia” com as pessoas, com professores, funcionários e alunos. Ou então ele está lendo algum livro, tocando violino ou jogando xadrez.

Na barbearia

Havana, três de outubro de 2009. Era domingo passado, mais um domingo como qualquer outro, entediado e bucólico, apesar de ser mais um dia ensolarado no mar do caribe – pra quem não sabe, eu prefiro dias nublados. Não havia outro remédio, pra suportar o calor tive que cortar o cabelo (mesmo querendo deixar crescer pra fazer dread) e aparar a barba (eu odeio fazer a barba). Fui à uma barbearia em Baracoa (povoado próximo da faculdade), já de praxe, do barbeiro Carlos, mas pelos brasileiros chamado de “Jassa”. Na hora de espera, os mesmos papos de marmanjos: esporte, política, etc. A maioria dos marmanjos na espera eram universitários, e uma frase muito repetida pelo Jassa: “Em Cuba, só não estuda quem não quer”!
No pátio havia uma moto nova, zero quilômetro. Um mexicano pergunta: ”¿Tio, cuanto pagaste por el motociclo”?
Ele disse que havia ganhado para ir ao trabalho. O mexicano curioso pergunta no que ele trabalha. O Carlos responde que é da esposa, que é advogada de uma empresa e a empresa deu a mesma a moto para ela ter um meio de transporte para ir ao trabalho. Pode-se ver que o estado cubano é uma mão para seus cidadãos. No Brasil, eu conheço empresas que contratam, preferencialmente, funcionários que vivem nas cercanias das mesmas para que não seja necessário pagar vale-transporte. Vale lembrar que ele sempre repetia: “EM CUBA, SÓ NÃO ESTUDA QUEM NÃO QUER”!

Devaneios

Bom, pra começar eu sou um sujeito cheio de devaneios, quem me conhece sabe, um cara idealista – o que em ocasiões torna-se até um grave defeito por eu ficar mais insuportável que bêbado e também sou “mão de vaca”. Sou um sujeito como qualquer outro, muitas vezes com opiniões radicais, mas para que seja efetuada qualquer mudança moderada, as propostas devem ser radicais. E por falar em radical, o que gera mais emoção e adrenalina são os esportes radicais, certo? Sou um cara fiel no que acredita, não posso ser hipócrita ao dizer que sou 100% fiel e que acredito 100%, é sempre preciso ter a fé com o pé na dúvida, como fez São Thomé e questionar tudo. Odeio ter de fazer a barba todos os dias, odeio usar terno e gravata. Também sou um ex-ateu, estranho, não é? Um cara de costumes modestos que não curte ostentação, não suporta gente fútil e não consegue manter nem dez minutos de conversa com pessoas vazias. Mas nesse ponto estou sendo preconceituoso (vocês viram? Isso é outro defeito!), pois quem sou eu para julgar e determinar se uma pessoa é vazia ou não? Dentre os defeitos nos seres humanos, eu digo que é melhor ser mão de vaca, ter preconceitos (pois todos nós temos preconceitos, mas poucos admitimos sermos portadores dos mesmos) utópico, idealista do que playboy, mentiroso, hipócrita, mauricinho, ladrão, covarde, mercenário, militar, burguês e fofoqueiro. Creio que perto desses defeitos descritos, meus defeitos soam como virtudes, sem falsa modéstia.
Ah, pra não tangenciar ao tema proposto, vou violando um pouco a privacidade de algumas pessoas, e torno público o trecho de uma carta que escrevi a uma pessoa especial. Isso soa como um desabafo público aí vai:
(zeca_el_loco): “Sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco que quer expor suas singelas idéias, nunca quis impor. E sobre meus pontos de vista, tu sempre deves questioná-los, pois eu não sou dono da verdade, ninguém é dono da verdade. Para cada coisa/fato, há pelo menos três pontos de vista: o meu; o teu e o certo. É lógico que na minha insanidade mental, o certo (sob minha óptica) vai ser o meu ponto de vista.
[...]
Eu estou realizando um sonho rebelde adolescente, pois eu ainda me considero um adolescente. E essa realização é pra todos aqueles que me criticavam por meus pontos de vista de certa forma polêmicos e radicais, que quase sempre em contra as normas tradicionais. É também um presente para aqueles que me apoiaram, e por mais incrédulos que fossem quanto a idéia, nunca me desestimularam, e no momento crucial me deram o apoio e os meus críticos e inimigos (mesmo que não declarados, mas alguns eu conheço) e demais invejosos me davam os parabéns, ainda que da boca pra fora, loucos pra verem minha queda, muitos apenas se limitavam a visitar meu Orkut, pra confirmar se era de verdade minha vinda até a ilha. Sim, pode haver quedas, pois sou um ser humano passível de erros, como qualquer outro ser humano que tenha passado por essa Terra. Agora, se eu cair, me levanto, de cabeça erguida e sempre com dignidade, sempre peço a Deus pra não cair, mas se cair peço forças pra me levantar.
[...]
Não se preocupe com o que os outros dizem ou pensam, siga sempre teu coração rebelde. Não se preocupe não, pois já diz a música do Bob “DON´T WORRY, ABOUT THINK...” E tem aquela do Renato Russo: “ mas é claro que o sol, vai voltar amanhã, espera, que sol, já vem./[...]/se você quiser alguem em quem confiar, confie em si mesmo./ quem acredita sempre alcança/ Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar num sonho que se tem/ Ou que seus planos nunca vão dar certo/ Ou que vc nunca vai ser alguém [...]//
Bom, a verdade é que essa música tem bem a ver comigo.
[...]
Deus queira, me dê forças e me ajude que eu não me torne em um mercenário maldito, que meu coração grite, que clame bem mais alto, que os sentimentos de atitudes nobres prevaleçam e eu nunca me esqueça de minhas origens humildes”.

A questão é que não se fiz certo, mas acabo de tornar público alguns de meus pensamentos mais íntimos, espero a compreensão de vocês, e também não vou me sentir nenhum pouco surpreso caso o texto gere indignação e “apedrejamentos” contra minha pessoa. Até porque o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre mim, eu quero mais é que se “exploda”. E tenho dito. Beijos a todas e abraços a todos. Desde já grato pela (in)compreensão.