sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A senhora dos livros

Havana, 11 de julho de 2010 - CUBA

Pois é, a Espanha acaba de ser campeão do mundo em cima da Holanda. Quanto a isso sou indiferente, feliz porque nem a Itália nem a Argentina conseguiram o título... mas isso não vem ao caso agora.

É verão em Cuba, e creio que devo tomar mais água, pois hoje amanheci com uma dor nos rins. Bom, pra resolver o caso, enquanto escrevo eu tomo um chimarrão com erva argentina, fumo um charutinho cubano, escuto Manu Chao e Engenheiros do Hawaii. Se Deus permitir, dentro de alguns dias eu irei ao Brasil, curtir um pouquinho do inverno no Rio Grande.

Ah, sim, agora lembrei o que eu ia dizer, quer dizer, sexta de tarde, dia nove, fui até o bairro de Santa Fé, aqui perto em busca de uma livraria, que estava fechada. Bom, me informo e descubro que há uma senhora que vende livros, pergunto onde é e me dizem que é perto da padaria. Já deviam passar de umas 3 e meia da tarde, fui à padaria, comprei uma espécie de bolo inglês e perguntei onde era a casa da senhora dos livros. Ok, segui pela calçada comendo meu bolo inglês e tal.

Encontrei, bom, comprei alguns exemplares que buscava e outros que a mesma senhora me indicou. Era uma casa modesta, com uma grade que fazia a fronteira entre a entrada e a calçada e as prateleiras bem ali, e se via que dentro da casa havia mais prateiras cheias de livros. Via-se que a família tinha esse pequeno negócio de livros usados, mas não era por necessidade, creio que era por hobby dessa simpática senhora. Ela tinha mais de 80 anos e explanava sobre cultura, história (inclusive sobre história do Brasil), política literatura. A sua “escolta” era feira por um cusco da raça pastor alemão, e o nome do cusco era Marcelo. Sei que o Marcelo chegava na beirada da grade e latia pra mim. Aí a senhora dizia:

- Mi hijo, tranqüilo, el perro no te vá a hacer daño.

Sei que daí eu largava algum pedaço de bolo pro cusco, aí ele parava de latir. Bom, depois que ele comia, ele voltava a grade, ficava quieto só me olhando, começava a latir e não parava até que eu lhe desse outro pedaço do bolo. Sei que comprei alguns livros (entre eles “Fidel y La religión”, de autoria do brasileiro Frei Betto), outros, ela me deu. Aí fui pra Baracoa.

“serendipidade”¿

Camagüey, 10 de dezembro de 2010 – CUBA

E aí, meu povo, tudo bem? Espero que sim... outro dia estava eu em mais um dos meus passeios cibernéticos, na “highway” da super-informação, aí me deparei com a Ana Carolina, uma guria paulista que estuda medicina na USP. Papo vai pão vem... aprendi uma palavra nova “serendipidade”, que ainda não está no dicionário de português, o que eu posso mais aproximar ´”insight”, ou, algo importante que o cara descobre no caminho de outra busca, que a principio não tem nada a ver com a descoberta. Bem melhor que essa minha descrição manca é visitar o blog WWW.nossaserendipidade.blogspot.com. Lá há descrições de coisas que muitos de nós já pensamos, talvez um mergulho em que seja feito um corte transversal para dissecar a ciência e explicá-la de uma maneira mais humana. Ela talvez traça as linhas fixas (talvez até dogmáticas) da ciência e busca seus contornos, podendo traduzi-los como variáveis.

Essa madruga estava meio que de novo assistindo o filme “Gifted Hands”, não sei com que nome foi lançado no Brasil. O papel principal tocou ao conhecido ator Cuba Gooding Jr, é aquele negão que faz “Homens de honra” e “O cruzeiro das loucas”. Bom, é a história baseada no livro da biografia do neurocirurgião pediátrico estadunidense Benjamin Carson, por sinal, uma bonita história de superação. No blog dessa guria tem uma frase de Louis Pasteur que fala: “O acaso só favorece a mente preparada”. Podemos encaixar a frase em várias situações, por exemplo:

Quando o Bem Carson era um “simples” residente em neurocirurgia, chegou uma emergência, era um acidentado com lesão cranial. Acontece que os médicos supervisores de Benjamin não estavam presentes, então ele teve “segurar los pantalones”, como se fala aqui em Cuba, manejar a situação e mandar pra sala de cirurgia, e única salvação do vivente era uma lobotomia, como ele mesmo disse: “Se não fizermos uma lobotomia, ele morre.” Antes de entrar na sala, enquanto fazia a lavagem cirúrgica das mãos, fez uma breve prece: “Seja feita a Tua Vontade.”

Depois do fato “assucedido” (como diz o Pedro Ortaça cantando a “Bailanta do Tibúrcio”), o supervisor o chamou ao escritório e começou a dar a “puteada”, que ele não levou em conta os riscos do hospital, o nome do hospital estava exposto e em jogo, que ele não poderia ter operado sem a supervisão, mas que ele estava de parabéns, pois assim age um neurocirurgião e a operação foi um sucesso. Pois como ele diz, escolheu a neuro porque o cérebro é um milagre, os milagres acontecem no cérebro e há poucos médicos que crêem em milagres. Acontece que o acaso passou pro Bem Carson e felizmente ele estava preparado, graças a esse acaso ele ganhou “moral’ no meio médico (visto que muita gente tinha preconceitos por ele ser negro e vir de família humilde).

Ou então, como diz aquela música dos Titãs, “Epitáfio”, “O acaso vai, me proteger....”. em que estar preparado para o acaso. Ou como diz o camarada de militância Rafael Kapron, até dito em ares épicos em conversar informais em círculos de amigos: “Eu sou bolchevique e como bolchevique tenho de estar preparado”.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

gauchada em CUBA e Seguindo o causo anterior (2 em 1)

Seguindo o causo anterior:

Bueno, como a noitada seguiu no ouro negro, eu “pernoitei” na escola mesmo. Domingão de manhã, tomei um banho e me fui pra casa, então que, como sempre digo, não há dia pior que domingo... é entediante, esses momentos é como nos sentimos como aquela canção do System of a Down, chamada Lonely Day, bem assim mesmo. Ah, sim, alguns dias antes, e na noite anterior, na casa da trova e também na sexta de noite, o pessoal me relembrou do convite, pra comer cachorro quente na casa da Greice (gaúcha de Sério - tchê, tô falando sério. Sério é um município perto de Lajeado). Que esse programa, de comer cachorro quente na casa da Greice é um point da gauchada e seus anexos.

Bom, naquele dia eu não tava com vontade de fazer porra nenhuma. Mas pensei: “Quer saber, vou lá ‘prosear’ e tomar uns mate com o meu povo. Cheguei lá, e me botaram no serviço, a lavar e picar a cebola. Eu acho que eu sou um cara emotivo, sempre choco quando corto cebola... Bom, estávamos presentes Roberto (gaúcho de sexto ano) e sua namorada; o Lucas (de Parobé) e sua namorada Andréia (de Goiás); o Marcéu (Porto Alegre); o Maciel (o Alemão, de Parobé); a Andréia (de Ronda Alta) e seu marido Hamsen (não sei como se escreve, mas o Hamsen é de Costa Rica e já foi pro Rio Grande do Sul). Bah, o tal do hot-dog tava tri bom, seguimos tomando mate, contando causo, dando risada, fazendo brincadeiras.

União dos povos, nunca vi um povo tão unido quanto o povo gaúcho, quer dizer há poucos exemplos. Tipo assim, quando cheguei em Cuba, pela primeira vez, com a fatia da delegação brasileira que ingressou na ELAM no mesmo ano letivo que eu, os brasileiros antigos esperavam os mais novos, tipo os veteranos recebendo os calouros. Nesse grupo de veteranos estava a Jana, que foi minha colega de cursinho em Santa Maria. Da mesma maneira em que do aeroporto fomos pra ELAM, baixei o pé do ônibus veio a Jana me receber e de pronto já me apresentou aos outros gaúchos. Desde de aí, já me senti muito bem recebido, e já marcando mateada, tal e coisa, coisa e tal.

Outro povo que é unido, querendo ou não é o povo adventista, os Adventistas do Sétimo Dia, ao qual eu me incluo. Há quem diga que esse povo é uma família global, e eu comprovei. Há um médico estadunidense, ele é neurocirurgião pediátrico, Dr. Benjamin Carson (tem até filme sobre ele, “Gifted Hands” - eu recomento), por um tempo esse médico foi viver na Austrália. Assim que o Dr. Carson também é adventista do sétimo dia, e buscou essa organização na Austrália e aí também foi muito bem recebido. Comigo o mesmo, só que em Cuba. Outra organização que vejo que os membros são muito unidos entre si é o MST, ao menos aqui em Cuba. Ah, tem também a UJS – União da Juventude Socialista - a qual sou militante, a qual também aqui em Cuba me acolheu muito bem. Outro povo, que vejo de longe, e muita gente confirma, são os evangélicos, isso eu já percebi aqui em Cuba, essa gente é unida entre si. O que eu posso falar, é desses três grupos aos quais eu tenho esse sentimento de “pertencer”, em que me sinto bem, que tenho afinidade, me identifico: adventistas do sétimo dia, a UJS e a gauchada.

Mas voltando ao caso dos gaúchos, povo que muitas vezes, fora do RS, sem motivo nenhum já se reúne, nem eu seja pra tomar um amargo e conversar. Reunimos-nos por qualquer motivo, se possível, desde gente do pré-médico ao sexto ano, se bem que em Camagüey somos do terceiro ao sexto. A maioria dos gaúchos presentes, sim, ou ao menos uma boa fatia, e com representantes de cada ano da carreira, ehehehe.

Há gente de outros estados brasileiros que, na maioria das vezes nem sabe quem é do próprio estado, enquanto os gaúchos, todos se conhecem, se procuram, se reúnem, se ajudam. Pode até parecer piegas, mas ao escrever isso, me arrepio e os olhos até se enchem de água. Não sei o que há entre osso povo, mas somos assim. Independente de qualquer diferença futebolística, política ou religiosa, fora do Rio Grande a Gauchada é unida. Aqui em Cuba, tu podes chegar pra qualquer brasileiro, perguntar se ele sabe cantar o hino de seu estado, vai ser muito difícil que ele saiba. Agora, se perguntares a um gaúcho, ele vai chamar os outros gaúchos e formar um coral cantando Hino Riograndese. E altos papos, não poderia deixar de falar do Rio Grande, bah, tah loco. Tchê, e o Hamsen, o costa-ricense, em português, me contando que já esteve em Santa Maria. A Andréia, de Goiás, que nessas férias conheceu o Rio Grande e gostou (ao menos foi o que ela disse, huahuahua). Na ocasião, a Andréia era a única colorada presente, assim que ela teve que agüentar as piadinhas de macaco, huahuahuahauah.

Eram umas sete e meia (já da noite, porque tá chegando o inverno), era hora de deixar Puerto Príncipe (bairro onde mora a Greice). Todos “motorizados”, exceto eu, que ainda não achei uma bike. Aí eu iria na garupa do Alemão, que foi arrancar a bike e quase caímos. Ah quando eu subi na bike do alemão, alguém disse:

- Zeca, levanta a patinha!

Aí, eu levantei as pernas. E depois disseram:

- Não, não é a tua pata, é a patinha da bike!!!

Aí a galera começou a dar risada.

. Depois até um pedaço fui com o Marcéu, foi aí que a Andréia teve a idéia, então Hamsem carregou a Andréia na bike dele e me emprestou a dele, uma dessas chinesas, tri estilosa. Aí fui até perto de casa e cada um pro seu canto.

Esses tempos, na internet, busquei algo sobre gaúchos no mundo, de fato, somo um povo unido. Gaúchos de todo o mundo, uni-vos.

Sabadovisk”

Camagüey, seis de dezembro de 2010 – CUBA

“Sabadovisk” de tarde, eu havia terminado de escrever uns e-mails ao povo e me dirigia ao local onde eu acesso à rede mundial de computadores para buscar algum contato com as pessoas que estão no Brasil. Como, em questão de horário, eu estava sempre em cima do “laço” (típico de brasileiro), tchê, eu me fui de bici-táxi, com um fonezinho no ouvido, escutando Chucky Berry, e olho para o lado, e vai passando um daqueles carros “tri antigão”, digamos uma banheira, algum modelo Chevrolet dos anos 50. Trilha sonora, veículo, tarde de sol, mas tipo um friozinho de outono chegando quase no inverno. Para ficar perfeito, faltava só uma “percanta” do meu lado [sobre isso, poderia ser uma baiana me chamando de ‘méu lindo, ôxi’ (até porque as baianas são as únicas que me chamam de meu lindo, não que eu seja lindo, é porque elas chamam todo mundo de meu lindo). Poderia ser uma dessas guria de cidade de alemão no RS ou SC, me chamando de “meine Liebe”; ou uma cubana me chamando de “mi vida”...; ou uma que dissesse: “bah, Zeca, eu adoro escutar Chucky Berry contigo!”. O pior é que não tinha nenhuma pra dizer em português mesmo: “Hoje não, porque eu tô com dor de cabeça!)]. Aí sim, estaria perfeito, mas infelizmente, a vida não é a novela das oito e eu não sou o protagonista.
Bueno, me fui pras tal de internet, “ver” o povo e mandar uns e-mails, responder uns recados e “tentar” atualizar a porcaria do blog. Bueno, como diria o Humberto Gessinger “me encotrastes de mãos vazias/ Eu te encontrei na contramão/ Na hora exata, na encruzilhada/ Na Highway da super-infotmação” , assim que eu interpreto isso como “encontrar alguém online na rede”, então encontrei uma amiga minha (não revelo o nome porque... não quero revelar e pronto)! A real é que pelos motivos dela, ela queria cancelar o tal de Orkut, e tinha um montão de gente lhe enchendo o saco por isso (“o entonces pinhchandole los cojones”, mesmo que ela não tenha “cojones” – graças a Deus). Segundo ela, as pessoas faziam muitas perguntas sem noção, aí eu disse pra ela ligar o dispositivo “SARCASTIC MODE ON” e dizer: “é que eu tô viciada em crack e minha mãe me internou em uma clínica. Deletar a porcaria do Orkut faz parte do programa de desintoxicação”. Se ela gostou, eu não sei, ao menos mostrou sinais de boa aceitação.
Serviço feito, e o que não foi feito foi encaminhado. Cheguei em casa, beleza, logo depois chega ao meu humilde lar (o meu barraco, minha maloca, minha baia – como dizem os xirú que são metido a magrão) uma comitiva: O Gildázio e o Paulo (CE); o Mário (SP) (por falar nisso, vocês conhecem o Mário?) e o Miguel da Guatemala. Bueno, contamo uns causo e fomos à festa de 14 da Nathaly, filha duma amiga nossa, a Marytza, engenheira florestal cubana. Dos brasileiros presentes, os que já vos falei, e mais o Michel (RJ) e a Ariane (SP); a Mercy e a Candy da Guatemala.
Após algumas risadas, fomos rumo “a La casa de La Trova”. Bom, é que a banda dos brasileiros ia tocar, e o Marcéu me disse que dessa vez eles iriam tocar uma canção do Velhas Virgens. No caminho encontramos a Jana (RS), e a “escoltamos” até a casa da Karine (SP). De aí sim, nos deslocamos até a Casa da trova. Chegando à porta, estavam começando a cantar a música do Velhas Virgens “eu gosto de você, você gosta de mim/ mas com essa timidez, só o que rola entre nós é...”.
A festa já havia começado então eu me fui ao rincão onde, geralmente, fica a gauchada. Na hora em que cantaram “cachorro loco”, do TNT, a gauchada cantou junto. A Riana era a “promoter” da idéia de que o Carlinhos da Bidê ou Balde era parecido com o Marcéu, então alguns gaúchos ficavam na beira do palco gritando: “Toca Melissa!!!”
Bom, sei que risadas a parte e tal, depois eu encontro a Jana e a Karine na festa. Bom, depois acaba, fico lá na praça que está em frente ao estabelecimento, conversando e dando risada, hehehe. De repente passa o caminhão do lixo, aí um idiota sobe e começa a abanar pro pessoal, que dá risada. Aí o Marcéu disse: “é nessas horas que a gente nunca tem uma câmera na mão...”
Depois seguimos rumo al Oro negro, então no caminho, sempre o povo dando risada e falando sobre as percanta, e sempre o momento em que era o momento propício, um idiota soltava a risadinha do Zacarias!!!!
En el Oro Negro, é só patifaria e risada!! Cada coisa que eu vi, tá loco.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

AINDA LONGE DE CASA

Camagüey, quatro de dezembro de 2010

Bah, ontem foi corrido, quer dizer, pra resolver problemas da casa e
tal. Três de dezembro, dia Medicina Latino Americana, aqui em Cuba
eles tomam em sério essas datas, as pessoas me paravam na rua e me
felicitavam. Bom, hoje de manhã cedo veio o agente de saúde aqui
fiscalizar esses possíveis focos de dengue (Cuba possui um sério
controle epidemiológico preventivo), meio que fez uma inspeção e ainda
disse: Ontem foi nosso dia. A, minha casa foi aprovada, nenhum foco de
dengue, nada daquele mosquito do tal Gauderio do Egito, como se diz
na campanha.
Shabbath Shalom pra vocês, sábado de manhã eu recebo visita, por fim
não pude ir celebrar meu shabbath, do pôr-do-sol da sexta feira ao
pôr-do-sol de sábado. Bom, era o proprietário da casa, vindo resolver
uns “pobreminhas” do imóvel (eu sei que o certo é PROBLEMA). Ok,
posso celebrar ainda assim. Ah, ontem de noite eu voltando pra casa,
entre nove e dez da noite, tche, não é que tava meio frio por aqui...
cheguei em casa, botei uma jaqueta, e precisava sair pra espairecer.
Desço a Calle República, que por sinal tava cheia de turistas
estrangeiros (os chamado YUMAS, no bom “cubanês”). Cheguei ao “El
Bodegón Don Caetano” bar, restaurante e coisas do tipo, de comida
espanhola. Estavam lá a gauchada do quinto ano (Riana e o Marcéu de
Porto Alegre, o Alemão, de Parobé), e mais o Nelson do DF e sua
“doida”. Sentei pra tomar uns goles de vinho com meu povo, afinal
estava frio (para padrões caribenhos). Como cheguei no final,
dividimos outra garrafa (mas de vinho a preços acessíveis a estudantes
– isso foi um eufemismo para não dizer vinho barato). Vimos a carta
de vinhos, escolhemos pelo preço, não pelo nome, lógico, mas eram
vinhos espanhóis, hehehe. Bom, eu como sou do interior (porque os
outros gaúchos são da capital, o Alemão mora perto e o Nélson é da
capital federal) tava me levantando da mesa pra chamar a garçonete,
como é garçonete em espanhol?
Azafada, nãos, essa é a aeromoça... Camarera? Não, essa é a do hotel.
Ginetera? Não, isso é puta em Cuba!
Aí eu disse: “Pera aí que eu vou falar com o ‘bolichêro’”.
Calma aí, já explico! Bolicheiro é o índio velho (sujeito, individuo,
pessoa, vivente, etc) que trabalha no balcão do bolicho, ou também
pode ser o proprietário de dito estabelecimento. Ah, bolicho, lá no
Rio Grande é todo e qualquer estabelecimento tipo bar, armazém,
lancheria, mas geralmente o bolicho vende de tudo e o vivente pode
comprar fiado, e sempre tem um bêbado escorado no balcão e incomodando
os transeuntes. Bom, mas esse bolicho é algo, assim, meio chique,
meio que pra ‘yuma’, com meio que umas mesas ao estilo de taberna
medieval, e na paredes bandeira da Espanha, e também das regiões
autônomas, tipo, Galícia, Cataluña, etc.
Voltando ao assunto, a Riana disse:
- Pera aí, Zeca, espera que ela vem na mesa.
Eu disse:
- Mas eu já chamei e ela não veio.
- é, eu também, mas como diz o Luiz Fernando Veríssimo, quando tu
fores chamar o garçom, tem que levantar o braço, e suavemente como se
estivesse com uma caneta invisível na mão, escrever no ar o nome dele.
Bom, começamos nossos debates e risadas e ta
Depois esse povo me acompanhou até uma esquina, no caminho contando
causos, relembrando coisas do pago.
Ah, hoje a banda de rock dos brasileiros vai tocar na casa da trova, o
vocalista é o Marcéu. A Riana disse que o Carlinhos da Bidê ou Balde
é o sósia do Marcéu!!
Bom, seguimos dando risada na rua.
Acho que era isso.

A INDUSTRIA DA SAUDE POR HERMANN HOFFMAN

A Indústria da Saúde, por Herman Hoffman




Sendo o médico aquele que é plenamente habilitado a exercer a ciência
de evitar ou curar as doenças sem maltratar seus pacientes, a Medicina
pode ser definida como conjunto ordenado de conhecimentos adquiridos
que preserva a saúde em todas suas esferas, gerando qualidade de vida.
Médico e a Medicina formam uma coesão inquebrantável e é impossível
decompor essa união quando se maneja na prática o termo Saúde Pública.
O médico, a Medicina e todas suas ramas no seio da máquina pública
administrativa de governo, fomentando a saúde, eficiência física e
mental, mediante esforços organizados da comunidade, são elementos que
conceituam a Saúde Pública.
Porém, dentro da sociedade subordinada ao espírito mercantil, o que
era ciência promotora de qualidade de vida coletiva toma novos rumos
pela determinação de limites protocolados na formalidade e etiqueta
imposta pela maquinaria pública, que nem sempre opera dentro de cada
sociedade no real momento e sentido das mudanças necessárias.
As evidências textuais legitimam que, por diversos períodos
históricos, a coerência com as idéias políticas suplantou a promoção
da Saúde Pública de diversas sociedades que dependiam do médico como
agente individual para o coletivo.
O resultado é o panorama da Saúde Pública atual, fruto de um processo
de desgaste gradual de muitos profissionais da saúde que assimilam
valores acadêmicos mercenários voltados para o oposto à saúde
coletiva, e que dissimulam a cura de seus pacientes quando estão
incorporados no setor da estatal. Por dentro da sociedade,
profissionais assim são modelos em série do falido sistema
mercantilista de saúde citado a princípio, que converte o paciente em
um cliente e a Medicina em comércio.
As exigências econômicas da Indústria da Saúde tem uma repercussão
direta na sociedade, porém atacam agressivamente os estratos mais
baixos. Por isso não é difícil analisar que a Saúde Pública já não é
mais o estado dos indivíduos cujas funções orgânicas, físicas e
mentais se encontram em situações normais. Saúde Pública é apenas um
vago conceito do que foi pensado, mas ainda não é. E pouco a pouco foi
se convertendo em doença pública que, da sua agudez conseqüente dos
períodos históricos mais difíceis que diversos países passaram, como
repressões políticas, perseguições e torturas daqueles que sonhavam um
mundo mais humano e saudável, refletiu diretamente na manutenção da
saúde, tornou-se crônica.
Concluir partindo do princípio que a aquele que não está doente na
maioria das vezes comprou sua saúde e aquele que está não teve
possibilidades de comprá-la não é mais uma maneira de ver, julgar e
sentir da maior parte da população que não é assistida pelo serviço
público de saúde elementar. É uma verdade que impõe a Indústria da
Saúde.


Hermann Hoffman é estudante de Medicina em Cuba

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

aniversario da minha mae

20 de novembro, aniversahrio de minha mae
depois de uma semana agitada e com escassos momentos de sono e repouso saudahvel, o que resta é deciacr um poema do Mario Quintana
bjs, velha, te amo



mae, de mario quintana

Mãe... São três letras apenas

As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.

Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

Mãe (Mário Quintana)

domingo, 14 de novembro de 2010

Recuerdos?

Recuerdos?

Camagüey, 13 de novembro de 2010

Hoje, um outro shabbath (ótimo dia para reflexões), estava eu perdido em alguns “recuerdos” das férias no Brasil... sigo aqui, tentando escrever esse texto pra logo postar, escutando Matisyahu. Lembranças das férias....

Como uma noite, que começa numa calorosa tardinha de chimarrão e declarações de ambíguo sentimento de saudade. Trilha sonora era rock`n`roll, fotos no mural, belas imagens no mural, com boina, sem boina, pigmentos artificiais implantados na epiderme, pra formar desenhos free. Noite urbana, matear na sacada pra matar a saudade, e quem sabe assim, ao menos se pode saborear uma gota dos litros e litros de tempo perdido ou congelado, ao certo ninguém sabe. Mudanças dos dois lados, muitas mudanças e também muitos obstáculos cruzados, relacionamentos e coisas do tipo. Beijos, carinho, chimarrão, e saídas. Uma saída ao estilo proletário, numa noite de inverno em que não fazia frio, algumas conversas com intenções de aparência intelectual. Lembranças, como é bom guardar lembranças que não fiquem apenas no plano neuronal, mas no físico, que tal retratos de ostentação de beleza, com o verso com dedicatórias, resta saber se elas são genuínas, pois digo que é mais prudente questionar. Nem tive tempo de deixar dedicatória, nem imagem impressa, ao menos é mais seguro (talvez seguro pra ela) e talvez ela questionasse meu pensamento e me criticava por ser realista. Solução estudantil: sair pra comer cachorro quente em um lugar “descolado” e tomar uma cerveja gaúcha. Confissões, propostas altamente passageiras baseadas na realidade. Em contra ponto, pra “equilibrar” a maldita gangorra, propostas hipotéticas baseadas no “SE”... Era bom, por milésimos de segundos essas propostas liberavam endorfina e eu imaginava minha vida baseada no “SE”, propostas sedutoras, quase que irrecusáveis. Noite boa, acordos feitos para a noite seguinte, acordos malditos que foram rompidos, acordos que, de fato, não aconteceram. O pesar incomoda, pois foi preciso abdicar da companhia de pessoas queridas para o cumprimento do acordo que não foi cumprido... Ao fim de tudo penso que “hay arreglo”, que tal as próximas férias... não se pode basear no “SE”. Ah, maldito seja o Max Webber (é assim que se escreve?) e o tipo ideal... mas que importa, sempre preferi o Marx.