quarta-feira, 28 de abril de 2010

SOBRE AS ELEIÇÕES EM CUBA – por Hermann Hoffman

Com o triunfo da Revolução Cubana, em 1959, uma grande barreira surgiu frente ao avanço do capitalismo imperialista norte americano. Hoje depois de mais de 50 anos de Revolução, Cuba mais uma vez responde as ofensas midiáticas, derivadas do império, por meio dos mais de 8 milhões de cubanos que votaram, para eleger seus representantes municipais no último 25 de abril do corrente ano. Antes de 1959, a assistência médica insuficiente, uma melhor condição de vida, o ingresso escolar fundamentalmente dependiam da garantia do voto, prática muito bem conhecida ainda hoje na maioria dos países capitalistas inclusive no Brasil. Depois do triunfo da Revolução, tudo mudou, Cuba se converteu numa seara democrática, que não está limitada somente ao voto, senão a participação de toda população nas decisões da vida do país de maneira igual em todos os níveis.

Na ilha com pouco mais de 11 milhões de habitantes, a população exerce o direito ao voto, o mesmo é livre, igual e secreto, quer dizer o voto não é obrigado, mas por consciência e patriotismo os cubanos fazem questão de depositar o voto nos representantes mais preparados. Em 2001, no primeiro turno das eleições municipais, 96,9% dos eleitores registrados votaram, em 2010, até as 5 da tarde do caloroso domingo de 25 de abril já haviam exercido o direito ao voto 8 094 419 eleitores, representando mais de 93,49% dos eleitores registrados.

Cuba passou por mais uma eleição da Assembléia Municipal do Poder Popular, que elege delegados representantes da Assembléia Municipal do Poder Popular. O primeiro passo do processo eleitoral são as reuniões efetuadas nos bairros, sobre a égide e norte dos Comitês de Defesa da Revolução - CDR, denominadas Assembléias de Nomeação, que resultaram 35 mil candidatos nomeados a nível nacional, os mesmos estiveram aptos a participar das eleições em seus respectivos bairros. Do montante de candidatos, 36% são mulheres e 65 % do total são nascidos depois do triunfo da Revolução. Em Cuba existe somente um partido, o Partido Comunista Cubano, e cada candidato a delegado municipal é eleito sem interferência partidária. O partido em Cuba somente observa o processo eleitoral, e não entra disputa, assim o próprio povo, nas reuniões do CDR nomeia o seu melhor representante nas assembléias dos bairros, que são feitas nas próprias ruas e qualquer um pode participar, depois nas eleições a população o elege ou não, nesse ponto difere muito do resto do mundo, aqui em Cuba não é um partido político que determina quem será o candidato. A população postula o melhor candidato, não o mais rico, o mais bonito ou aquele mais popular, mas sim o que mais tem decência, méritos e capacidade para representar o povo. A eleição dos candidatos a delegados é feita baseada na analise das biografias de cada um que são expostas nos colégios eleitorais. É terminantemente proibido, campanhas eleitorais a favor de qualquer candidato e existe um vinculo intrínseco entre o delegado e seus eleitores, pois os candidatos moram na mesma circunscrição, e se eleito, cada delegado deve render conta a população periodicamente durante sua gestão.

Em todos os colégios eleitorais de Cuba, são os estudantes da primária, os chamados Pioneiros de Martí que “protegem” as urnas eleitorais e todos que desejem, podem presenciar a apuração dos votos, cubanos ou extrangeiros.

As eleições para a Assembléia Municipal acontecem a cada 2,5 anos e a cada 5 anos acontecem as eleições para Deputados Estaduais, Federais e Presidente de Cuba. No ano de 1976 nas eleições municipais foram eleitos 10.725 delegados com 95,2% de participação da população, agora em 2010 as autoridades do colégio eleitoral nacional cubano espera que sejam eleitos mais de 15 mil delegados em todo país.

É importante mencionar dados aos entorpecidos do poder, todos aqueles que criticam Cuba e criam patranhas. Esquecem que até 2002 os médicos cubanos espalhados pelo mundo consultaram mais de 14 601 596 pacientes, foram feitas mais de 151 101 intervenções cirúrgicas com exatos 95 746 partos e com a criação da Escola Latino Americana de Medicina o total de matriculas em 2010 chegou a 10 mil estudantes de mais de 50 países, custeados totalmente pelo governo cubano, ainda falando de saúde, 99,1% da população cubana é atendida pelo médico da família, cifra que supera países desenvolvidos.

Em Cuba funcionam 975 escolas com menos de 10 alunos, dessas 656 com cinco ou menos, 128 com três ou menos e 76 com um aluno. O país dispõe de mais de 800 mil graduados universitários, de cada 15 cubanos, um possui titulo universitário e um de cada sete trabalhadores tem nível superior e de cada 8 pessoas, uma tem nível de técnico médio.

Assim, o voto em Cuba, não é somente pelo voto, mas sim pela pátria, pela reafirmação do Socialismo, reafirmação dos direitos elementares garantidos gratuitamente a toda população cubana. Cada voto é uma resposta aos Estados Unidos, é a expressão inequívoca da unidade do povo cubano que constantemente demonstra sua renovada vitalidade e força para lutar, seguir avançando e dando exemplo ao mundo.

Por Hermann Hoffman

25 de abril de 2010.