quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sábado de noite em Camagüey

Camagüey, 27 de setembro de 2010

Este é o relato da noite de 25 de setembro. Camagüey, como somos ainda novatos nessa cidade, aos poucos vamos nos interando dos “points of the city”. Sábado passado me chamaram para sair, mas como eu estava triste eu não fui, se eu fosse eu poderia fazer alguma merda. Beleza, sabadão de noite (que graças a Deus não tem nada de “sabadão sertanejo” e nenhuma bosta que faça lembrar o Gugu Liberatto), a galera no alojamento, então tomei banho e tava saindo. Bom, aí junto saímos eu; Neto (de SP) e o Carlos (do Equador). Beleza, saímos caminhando “por La calle Orca”, aí encontramos o Luis (do Perú) e a Fabi (de SP), que daí perguntamos diretinho como chegar até “La casa de La Trova” (quero postar um texto só sobre esse lugar), em frente ao Parque Agramonte y El café La ciudad. Chegamos lá, até que em fim um lugar livre de regueton, bachata e latinas românticas (mela cueca), lugar onde soava pop rock, raggae, blues. Chegando lá, vejo que o vocalista da banda era o Marcéu (de Porto Alegre).

Vou mais pra frente, encontrando o povo conhecido, alguns gaúchos reunidos lá na frente, entre eles o Hofman, a Joana, A Aline, a Riana e a Greice (que me foi apresentada nessa festa). A gauchada foi à loucura quando a banda tocou “cachorro louco” do TNT. É o Rio Grande, Tchê! Sem demora eu e a Joana começamos a gritar o sapucay!!!

Pois é, seguimos na festa, ouvindo rock´n´roll e trocando idéia com a galera, até o momento em que começamos a “Mostra brasileira de cantadas de pedreiro em uma festa cubana”, nobre iniciativa esta executada por mim, pelo Tiago Bahia, pelo baianinho e pelo Febre do Rato (as cantadas eram tipo as do Arlindo[i]). A verdade é que platéia feminina não faltou, e as que escutavam adoravam (e se mijavam rindo), mas claro, só com brasileiras, até porque as hispano-hablantes não iriam entender os trocadilhos. Nossa primeira ouvinte era a Aline (de Alegrete), que ao escutar dava risada e chamava suas amigas para que às cantadas fossem reproduzidas às mesmas, que adoravam – até acho que nunca foram obordadas de maneira tão “lírica e romântica”.

Tipo uma ou duas da manhã, a festa acaba e o povo vai em direção “hacia El Oro Negro”. Onde encontro muita gente, índio bêbado e percanta mais atirada que bicicleta de pedreiro.

No more coments.



[i] “Oi, gata, meu nome é Arlindo, mas tu pode me chamar de LINDO, porque só de te ver eu fiquei sem AR”!

Saudade de Santa Maria

José Friedhëin Anáthemus

Chegou mais um novo dia
Era frio e eu com sono
Tomar banho, eu sempre tomo
Inalar monóxido de carbono
Saudade de Santa Maria

Oh vida minha, que ironia
Quero adrenalina nos ossos
Me coço o saco, se posso
Me “recuerdo” da guria que gosto
Nessa aula chata de patologia

Por mais louco que eu seja
Sei que tu lês lixo, veja
Não to aqui pro deboche
È caro esquiar em Bariloche
E baratinha uma cerveja


Viver à noite, dormir de dia
Faz tempo que não saio
Deixei de ser lacaio
A sorte vem de balaio
Não saì mais com vadia

Liberdade custa sangue
E sangue è vida
Não ando metido em gang
Nem em filme de bang bang
È noite chuvosa e ando errante
Busco um amor que me dê guarita




Texto escrito no primeiro semestre de 2010

Motivos de um canto triste

José Friedhëin Anáthemus

Meu canto às vezes é triste
É desafinado meu canto
Não é nem chique
Meu canto é desafinado e triste
Porque eu canto meus desencantos
Quando eu canto, as pessoas espanto
Não tenho soluço nem pranto

Queria cantar à liberdade
E cantar à vida
Cantar a realidade da utopia
Antes era o que eu fazia
Só queria cantar
Pra cortejar qualquer vadia
Meu canto é triste
Faz tempo que não canto à alegria

Queria cantar uma cantada
Cantada ao ouvido dela
Sem ninguém “segurando vela”
Versos em todos os idiomas
Português, espanhol, francês
Árabe, grego, inglês
Nunca viajei à Roma
Sem nenhum espanto
Depois da cantada
A levo pro canto




Texto escrito no primeiro semestre de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

DIA MEIA BOCA

Camagüey, 26 de setembro de 2010
O texto que transcrevo é de uns dias anteriores.

Camagüey, 22 de septiembre del 2010

Como diria o Mussum: “Bom dia, negadz”!
Bah, hoje, mais um daqueles dias em que o xirú vai dormir depois das
duas da manhã e acorda às seis da manhã. O índio velho se levanta com
o barulho da porcaria do despertador e os movimentos da galera no
dormitório. Um banho frio pra despertar, ainda assim o cara vai
escovar os dentes meio dormindo.
Tá certo, se veste, pega a mochila e vai com a galera até a parada do
busão (eu; Tiago Bahia; Neto, de SP, Febre do Rato e Carlos , do
Equador). O busão não vinha e o caminhão (caminhões adaptados para o
transporte de passageiros, tipo pau de arara – CUBA ainda apresenta
resquícios e seqüelas materiais do período especial) estava já lotado.
[Pretendo, o quanto antes possível, escrever um texto tentar explicar
o que foi o período especial, o que é o bloqueio, e a situação de Cuba
antes e depois da queda do campo socialista do leste europeu].
Havia uma carroça, e o Michel (do RJ) já estava montado nela. Fomos
de carroça até “El ferro carril” (a estação de trem). De lá pegamos um
caminhão até o hospital. De manhã era medicina interna e imagenologia.
O almoço no refeitório (em espanhol se diz “comedor”, mas se eu usar
esse termo, pode pegar mal, hehehe) do hospital é um caso à parte,
pois além de a comida ser boa, as tias servem os bandejões e os trazem
à mesa pra nós. ISSO É INCRÍVEL. Sem falar que o xirú não precisa
pagar um puto centavo.
E de tarde, o porre da aula de inglês, I AM fucking crazy, inclusive
as falar e explicações da professora são em inglês. Aula do tipo em
que o xirú está apenas de corpo presente.
Acho que era isso.

sábado, 25 de setembro de 2010

CHARME PECULIAR

Pois é, uma guria com um charme peculiar, com e fosse algo do cinema
francês com trilha sonora de Bidê ou Balde, Los Hermanos, Janis Joplin
(por que não? - Matanza e Velhas Virgens). A ilustração de fotos em
preto e branco, como se tomasse com ela um café em uma estação de
trem, em uma tarde nublada e fria. Ela possui charme em combinar lenço
no pescoço com a intensidade da luz do dia. Eu fico a contemplar, a
cada sorvo do café, eu de boina e all star no melhor do meu estilo
proletário revoltado com o sistema. E ao extremo de duas crianças
loucas dançando rock´n´roll em uma boate. “Hei, você vem sempre aqui?
Desculpe-me pelas vulgares e proletárias cantadas, mas tu gostaria de
dançar “Amigo Punk” comigo? pois Woodstock é longe mas eu chego, mas
enquanto não chegamos lá, vamos pra sala VIP do meu sindicato”.
Que ela dizia se molestar pelos meus charutos cubanos, mas era só cu
doce, até porque estou ciente que nem comigo ela se importa. Porque
foi algo em um passado, agora já (des)consolidado por cordiais e
amistosos diálogos e eu recebendo bombardeios de críticas sobre meus
procederes e condutas político ideológicas y con las muchachas. E
também sendo criticado pelo meu cepticismo. Sobre meus procederes
emocionais, após um óbito na família, evitei de sair, pois eu poderia
fazer merda, ela me recomendou equilíbrio. Quando eu tenha a
oportunidade vou lhe dizer: “consegui meu equilíbrio cortejando a
insanidade...”.
Olha, na minha passagem física por aí, nem deu em nada (até porque não
há outro tipo de passagem que não seja física).

OUTRO TEXTO DA CASA NOVA

Camagüey, CUBA, 25 de setembro de 2010

E aí, pessoal, tudo bem? Olha, nem tido tempo para escrever... Eis os
últimos relatos. Quinta feira de manhã, como de rotina, examinando
pacientes, primeira susto: ataque epiléptico em um paciente no momento
em que auscultávamos o pulmão do mesmo. Ok, momento susto, vem a
residente com a enfermeira e resolve o caso, tudo ok.
Sexta-feira, de praxe, um seminário pela primeira hora, depois uma
conferencia sobre propedêutica e semiologia. E depois, uma
apresentação formal dos professores e bem como regras de conduta
dentro da instituição, a que mais me incomoda e de não poder andar
barbudo, vamos ver em que pé isso vai parar, mas prefiro ficar
tranqüilo e não chocar de frente com ninguém!! E de tarde fui ao
centro, procurar um “apê” pra alugar. Aproveitei, vi uma barbearia no
caminho, já fui tentar resolver o problema... Odeio fazer a barba, mas
saibam que ela não saiu por completo hehehehe.
Beleza, a tardinha jantei e depois minhas colegas cubanas me
convidaram pra eu ir ao seu dormitório, eu falei que e iria mais
tarde. Ok, fui à internet, que por sinal estava uma bosta. Voltei ao
meu quarto, fiz um chimarrão e fui ao dormitório das gurias, ensinar
as cubanas a tomar chimarrão. A real, é que a maioria delas não gostou
hehehe. E as que meio que curtiram a coisa esperaram mais pro final, o
mate ficar lavado hehehehe. Sei que eu dei muita risada. Ok, voltei
ao meu dormitório, eu tava loco de fome... então que saí da facul
atravessei a rua fui até uma lancheria chamada “monte Sinai” (dizem os
mais fervorosos, que se tu chega bêbado, é possível ver Moisés
recebendo as tábuas da lei – capaz, to brincando.), que tinha uma fila
enorme, e que tem fome tem pressa. Fui até uma rede estatal de postos
de combustíveis, chamada “Oro Negro”, que junto tem tipo uma lojinha
de conveniências. Sei que também é “point” pra galera se encontrar.
E como disse, lá estavam alguns brasileiros (o Baianinho; o Tiago
Bahia; e o Febre do Rato, de Pernambuco). Sei que dei risada, um cara
do sexto ano saiu de mãos dadas em direção ao desconhecido noturno das
ruas desertas com uma brasileira tri feia. O cara ganhou o 1ro premio
são Jorge da noite, e por muito tempo vai ser difícil superá-lo, não
cito nomes por motivos éticos. Então eis que haviam alguns sujeitos do
quinto ano, um de Brasília e outro de São Paulo. Sei que eles também
andavam no circuito São Jorge, ganharam o troféu Jedi, da maneiram
como eles estavam, com certeza comeriam até o Darth Veder. Também a
gente apelidava os caras de anti-virus, pois só pegavam cavalo de
tróia. Um se auto intitulava Kaspersky (o de SP) e o outro era o
Norton (o do DF). Bom, sei que o Kaspersky andava com uma argetina do
norte, daquelas que parecem boliviana (imaginem o Evo Morales de saia,
pois é por aí...). O Febre do Rato já meio alegre e louco, se diria
assim à menina do Kaspersky (vulgo “culito”):
- Ei, Dragão, venha aça, não tenha medo não...

Só o começo das risadas... hehehe.

CAUSOS E COISAS DAS FÉRIAS [denovo]

Bah, acho que no meu primeiro domingo de noite em casa o Roberto
(vulgo Beto, Toninho, Mata Pasto – dizem que usa boina militar, mas
ele odeia milico). Beleza, vamos fazer o momento merchan, pois é
preciso manter o blog no ar. Quem quiser comprar ovelha e seus
derivados (carne e lã), fale com o Beto. Ah, esse vivente também pode
fazer encomenda de charuto cubano, rum e outras coisas daqui da ilha
hehehe.
Ok, nessa primeira semana dei umas saídas com meus pais, algumas
saídas pela rua, nos arredores de casa ou na casa da vó. No outro
sábado fui à igreja e tal. Conversei com o Nic, que deu umas banda
pela Nova Zelândia em 2008. Massa.
A tardinha, a Mary (Mariele da UJS e Eng. Florestal) me ligou, depois
fui pra casa dela, a galera da antiga reunida, figuras tipo Élvio
(Doutor em agronomia)(depois de circular por Porto Alegre, Floripa,
Paris, Chapecó e Restinga Seca) o Kapron (mestrado em história)(Porto
Alegre, Varsóvia, Santo Ângelo e Pelotas). Junto com a Monique e mais
umas amigas da Mary, ficamos em altos papos intelectuais e
futebolísticos, noite fria regada a vinho. Depois fomos sair, em uma
boate alternativa onde tocava blues. Bah, encontrei gente conhecida
lá, entre elas a Érika Eberline da enfermagem. Ok, baita noite essa,
aos poucos matando a saudade da vida santa-mariense, da vida
estudantil noturna santa-mariense de fim de semana. De praxe voltar
para casa quando amanhecer.
Breve mais relatos!!!!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SANGUE FARRAPO

Camagüey,CUBA, 21 de setembro de 2010

Ontem era o feriado máximo no Rio Grande do Sul, em comemoração à Revolução Farroupilha. De passagem nos corredores do Hospital Amália Somoni, encontrei o Alemão de Parobé, que me disse que a gauchada em Camagüey meio que organizou uma mateada à tardinha na Plaza de los Trabajadores. Que bosta!!! Por fim eu não pude ir.
Bom, o que quero dizer, é que o Rio Grande do Sul é um dos únicos estados do Brasil, isso se não for o único, a cultuar e preservar suas tradições. Motivo pelo qual muita gente de outros estados meio que tem uma certa implicância com gaúchos, seja acusando de separatismo ou fazendo piadinha de que gaúcho é veado... Alguns se irritaram comigo, por eu, nas marchas do Primeiro de Mayo, na Praça da Revolução, carregar uma bandeira do Rio Grande. Outra coisa, uma vez, em que enfrentávamos uma dessas críticas fúteis em rancorosa contra nossa cultura, respondemos assim, ao camarada de outro estado:
- E tu sabe cantar o hino do teu estado? (não digo o nome da pessoa e estado por motivos éticos)
O xirú larga a desculpa:
- É que eu não lembro. E vocês, sabem o do Rio Grande?
Eis, que o Saulo de Porto Alegre:
- Se tu queres, a gente reúne a gauchada aqui e faz um coro!!!
Depois dessa o cara ficou quieto!
Tenho boas lembranças das minhas semanas Farroupilhas de quando eu morava no Rio Grande...
Hoje pela manhã eu escutava umas canções nativistas (Mano Lima; Cesar Oliveira e Rogério Melo; Lizandro Amaral, etc.), e de tarde saboreava um amargo. Fico a pensar, esse sangue farrapo que todos carregamos nas veias, na formação sociológica e territorial do RS, baixo de mau tempo, peleias com os castelhanos ou contra o Império Brasileiro, por exemplo, dentro do séc. XIX, houve um período de 11 campanhas militares em 70 anos. Não havia uma geração que não passasse por uma guerra, como diz o personagem Dr. Rodrigo Cambará, de “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo: “trabalhávamos com a enxada em uma mão e a arma na outra”. Comecei a imaginar, meus ancestrais, alguns que deve ter morrido a pontaço de lança nas batalhas farroupilhas, ou na Revolução Federalista, sendo degolado,, ou algum que a “rebencaço” mandou algum castelhano de volta pra “Banda Oriental”. Ou de meu avô, em algum passado remoto, abaixo de frio e geada, domando algum potro xucro. O outro em algum galpão, cevando um mate e contando causo ao pé do fogo, depois de um dia de lida bruta. Entristece saber, que em campos de onde antes se produzia arroz, feijão e gado, hoje empresas estrangeiras plantam eucalipto (Essas empresas que plantam eucalipto devem ter suas terras expropriadas pelo Estado e utilizadas para reforma agrária).
Deve-se estimular na gurizada de hoje nossos valores de tradição, chega a doer a alma ao ver essa gurizada com essas calças coloridas e apertadas e ainda de franjinha na testa... se fosse no meu tempo, meu pai iria me dar uns “chacoalhão” e dizer: “Toma tenência, guri!! Te orienta!!”
Lembro da época o velho me dava carona pro colégio, e ligava a porcaria do toca-fitas (do tempo do toca fita) em alguma rádio nativa, e eu criticava que era música de veio, huahuahuahau. Mas pelo menos não usava calça colorida nem franjinha, nem maquiagem nem andava chorando por causa de percanta.
Além disso, há idéia da Pátria Gaucha, o mesmo país separados por três bandeiras (Argentina, Brasil e Uruguay), porque compartilhamos costumes e tradições. A Pátria Gaucha abrangeria o Estado do Rio Grande do Sul, a República Oriental do Uruguay, e algumas províncias da Argentina (se não me engano Corrientes, Misiones, Entre Rios, Santa Fé e Buenos Aires – se me esqueci algumas, por favor, me corrijam).
Além da Revolução Farroupilha, há também a Campanha da Legalidade, em 1961, liderada por Leonel Brizola, que declarou a República Riograndense, e colocou metralhadoras no Palácio Piratini.
Cito uns versinhos de Luiz Coronel:
“Domador de potro xucro
Tocador de bandoneon
Vem, morte, cobrar teu lucro
Te espero de adaga na mão”

E dá-lhe um grito de sapucay, viva o Rio Grande, tchê!!!
WWW.zecaliveinhavana.blogspot.com

Causos das férias II

Bom, depois de chegar em Porto Alegre, à seis da manhã do dia 24 de julho, a 2 ºC , um frio de “renguiá cusco”, até porque eu estava aos 40 ºC do maldito sol caribenho que dificulta minha estadia na ilha heheh. Tava era com saudade do frio...
Bom, minha chegada já descrevi!!!!
Já em casa, em Santa Maria, aquele banho quente e tal, depois a mãe e o pai saíram e fico eu pendurado na porra da internet, falando pro povo que eu havia chegado...
Liguei pras Muris (minhas irmãs, uma enfermeira e a outra fisioterapeuta). Para a enfermeira, eu falei em espanhol e disse que era da embaixada da Colômbia, que ocorreu um incidente, e que a pessoa que veio a óbito havia deixado Muriel como contato para avisar caso acontecesse algo. Ela perguntou o que era, eu perguntei se ela conhecia um tal de Zeca, aí ela começou a dar risada e não acreditava que eu já estava em casa, hehehe. Depois liguei pra outra Muri, que não identificou minha voz, e eu falei ser um admirador desde os tempos do cursinho, inventei mil histórias, depois de tanto dar pistas ela me identificou huahuahuaha.
No domingo de noite, a Muri (enf) e a Mi (colomerda, minha irmã caçula) pra tomar uns mate, matar as saudades, eu contar minhas patifarias e elas me contarem o últimos “causos” do povo. Hhuahauhauhau, foi massa...
Na segunda feira de tarde eu fui ficar nos hospital com minha avó (que em dita ocasião apresentava estabilidade no caso).
Acho que era isso...
Ah, na terça-feira, a Muri (fisio) foi lá em casa, pra gente conversar, tomar uns mate, café e uns run. Matei um pouco da saudade, soube alguns causos do povo, fiz algumas confissões também, de praxe, ela me fez outras. Lembramos coisas hilárias dos velhos tempos hehehe. Na última semana fiquei tri feliz, ela me deixou um recado dizendo que eu vou ser tio hehehhe!!!
Bom, vou indo lá!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SANGUE FARRAPO

Camagüey,CUBA, 21 de setembro de 2010

Ontem era o feriado máximo no Rio Grande do Sul, em comemoração à
Revolução Farroupilha. De passagem nos corredores do Hospital Amália
Somoni, encontrei o Alemão de Parobé, que me disse que a gauchada em
Camagüey meio que organizou uma mateada à tardinha na Plaza de los
Trabajadores. Que bosta!!! Por fim eu não pude ir.
Bom, o que quero dizer, é que o Rio Grande do Sul é um dos únicos
estados do Brasil, isso se não for o único, a cultuar e preservar suas
tradições. Motivo pelo qual muita gente de outros estados meio que tem
uma certa implicância com gaúchos, seja acusando de separatismo ou
fazendo piadinha de que gaúcho é veado... Alguns se irritaram comigo,
por eu, nas marchas do Primeiro de Mayo, na Praça da Revolução,
carregar uma bandeira do Rio Grande. Outra coisa, uma vez, em que
enfrentávamos uma dessas críticas fúteis em rancorosa contra nossa
cultura, respondemos assim, ao camarada de outro estado:
- E tu sabe cantar o hino do teu estado? (não digo o nome da pessoa e
estado por motivos éticos)
O xirú larga a desculpa:
- É que eu não lembro. E vocês, sabem o do Rio Grande?
Eis, que o Saulo de Porto Alegre:
- Se tu queres, a gente reúne a gauchada aqui e faz um coro!!!
Depois dessa o cara ficou quieto!
Tenho boas lembranças das minhas semanas Farroupilhas de quando eu
morava no Rio Grande...
Hoje pela manhã eu escutava umas canções nativistas (Mano Lima; Cesar
Oliveira e Rogério Melo; Lizandro Amaral, etc.), e de tarde saboreava
um amargo. Fico a pensar, esse sangue farrapo que todos carregamos nas
veias, na formação sociológica e territorial do RS, baixo de mau
tempo, peleias com os castelhanos ou contra o Império Brasileiro, por
exemplo, dentro do séc. XIX, houve um período de 11 campanhas
militares em 70 anos. Não havia uma geração que não passasse por uma
guerra, como diz o personagem Dr. Rodrigo Cambará, de “O tempo e o
vento”, de Érico Veríssimo: “trabalhávamos com a enxada em uma mão e a
arma na outra”. Comecei a imaginar, meus ancestrais, alguns que deve
ter morrido a pontaço de lança nas batalhas farroupilhas, ou na
Revolução Federalista, sendo degolado,, ou algum que a “rebencaço”
mandou algum castelhano de volta pra “Banda Oriental”. Ou de meu avô,
em algum passado remoto, abaixo de frio e geada, domando algum potro
xucro. O outro em algum galpão, cevando um mate e contando causo ao pé
do fogo, depois de um dia de lida bruta. Entristece saber, que em
campos de onde antes se produzia arroz, feijão e gado, hoje empresas
estrangeiras plantam eucalipto (Essas empresas que plantam eucalipto
devem ter suas terras expropriadas pelo Estado e utilizadas para
reforma agrária).
Deve-se estimular na gurizada de hoje nossos valores de tradição,
chega a doer a alma ao ver essa gurizada com essas calças coloridas e
apertadas e ainda de franjinha na testa... se fosse no meu tempo, meu
pai iria me dar uns “chacoalhão” e dizer: “Toma tenência, guri!! Te
orienta!!”
Lembro da época o velho me dava carona pro colégio, e ligava a
porcaria do toca-fitas (do tempo do toca fita) em alguma rádio
nativa, e eu criticava que era música de veio, huahuahuahau. Mas pelo
menos não usava calça colorida nem franjinha, nem maquiagem nem andava
chorando por causa de percanta.
Além disso, há idéia da Pátria Gaucha, o mesmo país separados por
três bandeiras (Argentina, Brasil e Uruguay), porque compartilhamos
costumes e tradições. A Pátria Gaucha abrangeria o Estado do Rio
Grande do Sul, a República Oriental do Uruguay, e algumas províncias
da Argentina (se não me engano Corrientes, Misiones, Entre Rios, Santa
Fé e Buenos Aires – se me esqueci algumas, por favor, me corrijam).
Além da Revolução Farroupilha, há também a Campanha da Legalidade, em
1961, liderada por Leonel Brizola, que declarou a República
Riograndense, e colocou metralhadoras no Palácio Piratini.
Cito uns versinhos de Luiz Coronel:
“Domador de potro xucro
Tocador de bandoneon
Vem, morte, cobrar teu lucro
Te espero de adaga na mão”
Causos das férias

Eita indiada véia... férias.. dia 23 de julho eu saí de férias pro
Brasil... na noite do dia 22 saí com a galera pro terceiro ranchão em
Baracoa e dei muita risada, virei a noite e cheguei em casa nas
madruga. Eram umas oito da manhã a tia Patrícia bateu na porta pra eu
acordar, que tinha que terminar de arrumar as malas e ainda pegar
algumas coisas lá no colégio (faculdade, mas eu digo colégio, pois
lembra muito um colégio interno). Pois, é depois que fui no colégio,
busquei umas coisas que faltavam, me despedi do povo, fiz alguns
vídeos, tirei algumas fotos e blz. Na correria ajeitei o que faltava,
com sorte consegui uma máquina (carros velhos que funcionam como táxi
a preços bem mais baratos) de última hora para me levar ao aeroporto,
o velho da máquina me cobrou uns 15 CUC. Pra quem não sabe, CUC é um
tipo de divisa interna que circula na ilha, já que internamente
circulam duas moedas, o CUC é o chamado Peso Cubano Conversível. 1 CUC
vale 24 pesos cubanos (chamado moneda nacional). US$ 1,20 (um dólar e
vinte centavos) valem 1 CUC. Bom, cheguei no aeroporto José Martí,
plastifiquei as porcarias das malas, fiz a porra do checkin e blz. No
outro dia às seis da manhã eu chego em Porto Alegre. Saindo da sala de
desembarque, a tal da Receita Federal me tira pra “corinho de pica” e
me chama pra revisar minha bagagem. È foda, com mais de duzentas
pessoas na porra do vôo e essa gente vai escolher eu (a mãe do Tiago
Maciel disse que é pela minha cara de “Pablo Escobar”, hauhauhau). Eu
questiono as autoridades brasileiras sobre o proceder deles, mas eu
questionei de forma educada e civilizada sem me alterar (pois o pobre
quando anda mal, até cagando se descadera). Eles alegaram que isso é
como uma loteria, que todos jogam, mas só um sortudo ganha – além de
irônico e sem graça. E afinal, quem sou eu para questionar as
“idôneas” autoridades brasileiras. Pois como diria o poeta gaúcho
Mário Quintana “ELES PASSARÃO, EU PASSARINHO”. Ou como diria o
trovador Belchior, “SOU APENAS UM RAPAZ LATINO MAERICANO, SEM DINHEIRO
NO BANCO, SEM PARENTES IMPORTANTES, VINDO DO INTERIOR”.[ Mas como há
quem diga que “as autoridades são estabelecidas por Deus”, eu pergunto
“e Deus, é estabelecido por quem”? E se Deus estabelece as
autoridades, eu fico pensando, que espécie de Deus estabeleceu o viado
do Hitler, o bichona do Mussolini, os infelizes milico, o safado do
FHC, o sem vergonha do Collor, o desgraçado do Rigotto, o otário do
Britto, a feiosa da Yeda e a receita federal... mas deixA quieto, isso
dá pano pra manga pra outro post.]. Os infelizes fiscais implicaram
com a porra da nota fiscal do meu computador, que segundo eles não
tinha número de série. O que me salvou, segundo as “autoridades”, foi
que meu maldito e pobre computador, no qual eu lapido as presentes e
insanas palavras, é de fabricação brasileira – CCE- começou comprando
errado, que até a porra da bateria já viciou, por falar nisso aceito
doações, aceito um PC novo, aceito um carro, um apartamento, uma
passagem pro Brasil no fim do ano, uma viajem pra Moscou... Aceito
também algum amigável e sincero convite pra um café ou um chimarrão,
pra jogar conversa fora, aceito também cafuné de alguma morena.
Lembrem-se, sou estudante e não tenho rendimento$. Mas agora não vem
ao caso, até pode ser assunto pra outro post.
Tah, que se dane, depois de liberado pelas autoridades (até parece
que andei preso), saio no saguão do aeroporto, encontro a senhora
minha mãe, o meu pai, o Claiton, a Negra, O Nícolas e o Joabner.
Também estava a família da Dienifer, colega de Sapiranga, que veio no
mesmo vôo que eu.
Depois, cafezão da manhã na casa do Joabner, da Negra e do Nícolas em
Canoas. Tchê, tava bem bom, comi que nem um condenado. Depois dei uma
de cachorro magro e me fui pra Santa Maria, que tem pegar um desvio, e
aquelas estradas na região de Agudo – RS estão uma bosta.
Cheguei em Santa Maria, com a noticia de minha avó hospitalizada, e
daí que cheguei e fui direto pra porra do hospital.
Bom, depois fui pra casa...
Aos poucos vou contando os causos dessas férias... as quais foram
limitadas em termos anímicos, psicológicos, sentimentais e espirituais
pra mim. Mas isso não é coisa pra estar falando em blog...
Continuando os causo das férias

Camagüey, 20 de setembro de 2010-09-20

Saudações farroupilhas, especiais pra gauchada, que hoje celebra mais
uma data especial, em homenagem à Revolução Farroupilha. Digo-lhes com
saudade, pra mim, umas das melhore épocas do ano, tenho muitas
saudade.
Depois eu continuo escrevendo, que agora eu tenho net e só vou ter
mais tarde...

domingo, 19 de setembro de 2010

NA CASA NOVA

Camagüey, 19 de setembro de 2010

E aih meu povo, tudo bem? Espero que sim... pois é, esse blog tah
meio atirado às cobras, mas confesso, que não tive tempo para
atualizá-lo, quando eu tinha tempo eu não tinha ânimo. Tive um mês e
uns dias de férias no Brasil, que foram bons e ao mesmo tempo não
foram, vi muita gente de quem eu gosto, mas também não vi muita
gente. Também teve o fato de chegar e minha avó estar doente!!!
Bom, pretendo largar um tópico especial sobre as férias.
Pois é, comecei o terceiro ano de medicina, saí de Havana e estou na
província de Camagüey. Era dia dois de setembro de 2010, o aeroporto
Salgado Filho em Porto Alegre, encontro a gauchada reunida pra vir pra
ilha, um cara da Faculdade de Medicina Salvador Allende que não me
lembro o nome, o Tiago e o Lucas de Parobé; a Riana, a Giovana e o
Saulo de Porto Alegre; e a Joana de Porto Alegre. Bom, fizemos escala
em Lima (Perú) e depois La Habana. Ok, fui para a Escuela Latino
Americana de Medicina (ELAM) para cumprir com a quarentena preventiva
do paludismo, que consistia em ficar uns cinco dias isolados, fazer
exame de gota grossa e receber doses de cloroquina e primaquina. OK,
passados esses dias viria a odisséia de carregar as bagagens no
caminhão e no ônibus para enfrentar oito horas de viagem e instalar-se
no albergue estudantil do Instituto Superior de Ciências Médicas
Carlos Finlay. Odisséia concluída na manhã de sábado (11 de setembro).
Na segunda-feira era dia de ajeitar matrícula e essa porra toda... Na
mesma noite, eu conecto na rede mundial de computadores (vulga
internet) e acidentalmente descubro que minha avó morreu. Logo depois
tomo umas cervejas e vou pro albergue dormir, pois no outro dia de
manhã cedo eu teria aula no hospital. Na terça-feira já comecei as
aulas (eu e meus colegas oriundos de Havana com, tipo, uma semana de
atraso) no Hospital Amália Simoni. Levantamos cedo para pegar alguma
condução, pois Cuba ainda apresenta algumas debilidades no transporte,
reflexos de problemas oriundos do bloqueio econômico imposto pelo
“livre e democrático” Estados Unidos da América e também com o
chamado Período Especial (pretendo em breve postar um texto sobre o
que é o bloqueio e o que foi o período especial). Já começou o inferno
em que eu nem tenho tempo pra me coçar, mas o pior é que eu gosto
dessa vida corrida.
Acho que era isso.. a qualquer momento eu posto mais alguma novidade
estúpida a meu respeito...

CAUSOS DAS FÉRIAS

Eita indiada véia... férias.. dia 23 de julho eu saí de férias pro
Brasil... na noite do dia 22 saí com a galera pro terceiro ranchão em
Baracoa e dei muita risada, virei a noite e cheguei em casa nas
madruga. Eram umas oito da manhã a tia Patrícia bateu na porta pra eu
acordar, que tinha que terminar de arrumar as malas e ainda pegar
algumas coisas lá no colégio (faculdade, mas eu digo colégio, pois
lembra muito um colégio interno). Pois, é depois que fui no colégio,
busquei umas coisas que faltavam, me despedi do povo, fiz alguns
vídeos, tirei algumas fotos e blz. Na correria ajeitei o que faltava,
com sorte consegui uma máquina (carros velhos que funcionam como táxi
a preços bem mais baratos) de última hora para me levar ao aeroporto,
o velho da máquina me cobrou uns 15 CUC. Pra quem não sabe, CUC é um
tipo de divisa interna que circula na ilha, já que internamente
circulam duas moedas, o CUC é o chamado Peso Cubano Conversível. 1 CUC
vale 24 pesos cubanos (chamado moneda nacional). US$ 1,20 (um dólar e
vinte centavos) valem 1 CUC. Bom, cheguei no aeroporto José Martí,
plastifiquei as porcarias das malas, fiz a porra do checkin e blz. No
outro dia às seis da manhã eu chego em Porto Alegre. Saindo da sala de
desembarque, a tal da Receita Federal me tira pra corinho de piça e me
chama pra revisar minha bagagem. È foda, com mais de duzentas pessoas
na porra do vôo e essa gente vai escolher eu (a mãe do Tiago Maciel
disse que é pela minha cara de “Pablo Escobar”, hauhauhau). Eu
questiono as autoridades brasileiras sobre o proceder deles, mas eu
questionei de forma educada e civilizada sem me alterar (pois o pobre
quando anda mal, até cagando se descadera). Eles alegaram que isso é
como uma loteria, que todos jogam, mas só um sortudo ganha – além de
irônico e sem graça. E afinal, quem sou eu para questionar as
“idôneas” autoridades brasileiras. Pois como diria o poeta gaúcho
Mário Quintana “ELES PASSARÃO, EU PASSARINHO”. Ou como diria o
trovador Belchior, “SOU APENAS UM RAPAZ LATINO MAERICANO, SEM DINHEIRO
NO BANCO, SEM PARENTES IMPORTANTES, VINDO DO INTERIOR”.[ Mas como há
quem diga que “as autoridades são estabelecidas por Deus”, eu pergunto
“e Deus, é estabelecido por quem”? E se Deus estabelece as
autoridades, eu fico pensando, que espécie de Deus estabeleceu o viado
do Hitler, o bichona doMussolini, os infelizes milico, o safado do
FHC, o sem vergonha do Collor, o desgraçado do Rigotto, e o otário do
Britto a feiosa da Yeda e a receita federal... mas deixA quieto, isso
dá pano pra manga pra outro post.]. Os infelizes fiscais implicaram
com a porra da nota fiscal do meu computador, que segundo eles não
tinha número de série. O que me salvou, segundo as “autoridades”, foi
que meu maldito e pobre computador, no qual eu lapido as presentes e
insanas palavras, é de fabricação brasileira – CCE- começou comprando
errado, que até a porra da bateria já viciou, por falar nisso aceito
doações, aceito um PC novo, aceito um carro, um apartamento, uma
passagem pro Brasil no fim do ano, uma viajem pra Moscou... Aceito
também algum amigável e sincero convite pra um café ou um chimarrão,
pra jogar conversa fora, aceito também cafuné de alguma morena.
Lembrem-se, sou estudante e não tenho rendimento$.
Tah, que se dane, depois de liberado pelas autoridades (até parece
que andei preso), saio no saguão do aeroporto, encontro a senhora
minha mãe, o meu pai, o Claiton, a Negra, O Nícolas e o Joabner.
Também estava a família da Dienifer, colega de Sapiranga, que veio no
mesmo vôo que eu, que eu cumprimentei.
Depois, cafezão da manhã na casa do Joaner, da Negra e do Nícolas em
Canoas. Tchê, tava bem bom, comi que nem um condenado. Depois dei uma
de cachorro magro e me fui pra Santa Maria, que tem pegar um desvio, e
aquelas estradas na região de Agudo – RS estão uma bosta.
Cheguei em Santa Maria, com a noticia de minha avó hospitalizada, e
daí que cheguei e fui direto pra porra do hospital.
Bom, depois fui pra casa...
Aos poucos vou contando os causos dessas férias... as quais foram
limitadas em termos anímicos psicológicos, sentimentais e espirituais
pra mim.

PORQUE ESCREVO

Por que escrevo...

Primeiro porque eu gosto, eu gosto de ler, gosto de escrever, gosto
de me expressar. Gosto de escancarar a verdade, ainda que algumas
vezes ela tenha de ser vomitada e tenha um gosto amargo!!! Gosto de
poder intervir e desmentir de maneira simples, humilde e singela as
calúnias que falam sobre Cuba e etc. Escrever é tipo um hobby, mas as
vezes há épocas em que i xirú está cansado e não tem ânimo, tempo nem
saco de escrever, há momentos em que perde o tesão pra escrever (só
pra escrever, não pra outras coisas heheh).
Escrevo porque é uma terapia, escrevo porque no exercício da escrita
posso expressar meu sofrimento, ou até desviar meus pensamentos dos
motores propulsores do sofrimento e esquecer toda essa porra. Escrevo
pra me comunicar com vocês, distante 8 mil km, mas distantes apenas
fisicamente, não na minha mente que viaja, sem fazer uso de
substancias químicas hehehe. Escrevo porque é necessário...
Escrevo porque, apesar de tudo, estou bem, estou em Camagüey. Desses
dois anos que estou aqui, nunca me senti tão bem como me sinto agora.