Havana, 11 de julho de 2010 - CUBA
Pois é, a Espanha acaba de ser campeão do mundo em cima da Holanda. Quanto a isso sou indiferente, feliz porque nem a Itália nem a Argentina conseguiram o título... mas isso não vem ao caso agora.
É verão em Cuba, e creio que devo tomar mais água, pois hoje amanheci com uma dor nos rins. Bom, pra resolver o caso, enquanto escrevo eu tomo um chimarrão com erva argentina, fumo um charutinho cubano, escuto Manu Chao e Engenheiros do Hawaii. Se Deus permitir, dentro de alguns dias eu irei ao Brasil, curtir um pouquinho do inverno no Rio Grande.
Ah, sim, agora lembrei o que eu ia dizer, quer dizer, sexta de tarde, dia nove, fui até o bairro de Santa Fé, aqui perto em busca de uma livraria, que estava fechada. Bom, me informo e descubro que há uma senhora que vende livros, pergunto onde é e me dizem que é perto da padaria. Já deviam passar de umas 3 e meia da tarde, fui à padaria, comprei uma espécie de bolo inglês e perguntei onde era a casa da senhora dos livros. Ok, segui pela calçada comendo meu bolo inglês e tal.
Encontrei, bom, comprei alguns exemplares que buscava e outros que a mesma senhora me indicou. Era uma casa modesta, com uma grade que fazia a fronteira entre a entrada e a calçada e as prateleiras bem ali, e se via que dentro da casa havia mais prateiras cheias de livros. Via-se que a família tinha esse pequeno negócio de livros usados, mas não era por necessidade, creio que era por hobby dessa simpática senhora. Ela tinha mais de 80 anos e explanava sobre cultura, história (inclusive sobre história do Brasil), política literatura. A sua “escolta” era feira por um cusco da raça pastor alemão, e o nome do cusco era Marcelo. Sei que o Marcelo chegava na beirada da grade e latia pra mim. Aí a senhora dizia:
- Mi hijo, tranqüilo, el perro no te vá a hacer daño.
Sei que daí eu largava algum pedaço de bolo pro cusco, aí ele parava de latir. Bom, depois que ele comia, ele voltava a grade, ficava quieto só me olhando, começava a latir e não parava até que eu lhe desse outro pedaço do bolo. Sei que comprei alguns livros (entre eles “Fidel y La religión”, de autoria do brasileiro Frei Betto), outros, ela me deu. Aí fui pra Baracoa.
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