Camagüey, 10 de dezembro de 2010 – CUBA
E aí, meu povo, tudo bem? Espero que sim... outro dia estava eu em mais um dos meus passeios cibernéticos, na “highway” da super-informação, aí me deparei com a Ana Carolina, uma guria paulista que estuda medicina na USP. Papo vai pão vem... aprendi uma palavra nova “serendipidade”, que ainda não está no dicionário de português, o que eu posso mais aproximar ´”insight”, ou, algo importante que o cara descobre no caminho de outra busca, que a principio não tem nada a ver com a descoberta. Bem melhor que essa minha descrição manca é visitar o blog WWW.nossaserendipidade.blogspot.com. Lá há descrições de coisas que muitos de nós já pensamos, talvez um mergulho em que seja feito um corte transversal para dissecar a ciência e explicá-la de uma maneira mais humana. Ela talvez traça as linhas fixas (talvez até dogmáticas) da ciência e busca seus contornos, podendo traduzi-los como variáveis.
Essa madruga estava meio que de novo assistindo o filme “Gifted Hands”, não sei com que nome foi lançado no Brasil. O papel principal tocou ao conhecido ator Cuba Gooding Jr, é aquele negão que faz “Homens de honra” e “O cruzeiro das loucas”. Bom, é a história baseada no livro da biografia do neurocirurgião pediátrico estadunidense Benjamin Carson, por sinal, uma bonita história de superação. No blog dessa guria tem uma frase de Louis Pasteur que fala: “O acaso só favorece a mente preparada”. Podemos encaixar a frase em várias situações, por exemplo:
Quando o Bem Carson era um “simples” residente em neurocirurgia, chegou uma emergência, era um acidentado com lesão cranial. Acontece que os médicos supervisores de Benjamin não estavam presentes, então ele teve “segurar los pantalones”, como se fala aqui em Cuba, manejar a situação e mandar pra sala de cirurgia, e única salvação do vivente era uma lobotomia, como ele mesmo disse: “Se não fizermos uma lobotomia, ele morre.” Antes de entrar na sala, enquanto fazia a lavagem cirúrgica das mãos, fez uma breve prece: “Seja feita a Tua Vontade.”
Depois do fato “assucedido” (como diz o Pedro Ortaça cantando a “Bailanta do Tibúrcio”), o supervisor o chamou ao escritório e começou a dar a “puteada”, que ele não levou em conta os riscos do hospital, o nome do hospital estava exposto e em jogo, que ele não poderia ter operado sem a supervisão, mas que ele estava de parabéns, pois assim age um neurocirurgião e a operação foi um sucesso. Pois como ele diz, escolheu a neuro porque o cérebro é um milagre, os milagres acontecem no cérebro e há poucos médicos que crêem em milagres. Acontece que o acaso passou pro Bem Carson e felizmente ele estava preparado, graças a esse acaso ele ganhou “moral’ no meio médico (visto que muita gente tinha preconceitos por ele ser negro e vir de família humilde).
Ou então, como diz aquela música dos Titãs, “Epitáfio”, “O acaso vai, me proteger....”. em que estar preparado para o acaso. Ou como diz o camarada de militância Rafael Kapron, até dito em ares épicos em conversar informais em círculos de amigos: “Eu sou bolchevique e como bolchevique tenho de estar preparado”.
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