segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Férias em Santa Maria e a conjuntura


Outras férias em Santa Maria e sua conjuntura

            Ah, as férias... quem diria, ficar o ano inteiro nessa ansiedade, e por fim almejar passar férias em Santa Maria. Que beleza, graças a D-us rever família, amigos, etc. Bah, mas teve algo, dessa vez é ano de eleições municipais.... sim, cheguei a ver o início dessa “odisseia” de campanhas eleitorais.
            O Brasil vive uma democracia jovem, e até se pode dizer ainda imatura, após um período de 21 anos de trevas da nossa inquisição da ditadura militar. Pois bem, o fato de essa democracia ser jovem, não a torna imune de certas palhaçadas... vejamos em um contexto santa-mariense....   A disputa da prefeitura está sendo disputada aparentemente por 5 projetos diferentes. Eu não diria tanto, em resumo são apenas 2: os exploradores e os explorados, a história e os fatos não nos permitem negar a existência da luta de classes, por mais sutil que seja.  Não vou seguir nessa ideia, mas sabemos que é verdade... ok, faz de conta que eu não disse nada. Pronto, vamos trabalhar com a perspectiva de que há 5 forças “diferentes”. Santa Maria é a noiva donzela e as 5 forças são os 5 pretendentes.... bah viajei, ok vamos voltar....
De um lado, estão os conservadores, que oscilam desde uma “suave” direita até figuras de matizes fascistas.  Bem, essas forças reacionárias se subdividem na chapa da situação, composta majoritariamente por fisiológicos e ultraconservadores. A outra chapa direitista compõe-se dos declaradamente neoliberais, que em seu desespero buscam apoio, marketing e propaganda entre as camadas sociais menos favorecidas.
Após isso, vem a chapa de centro,um forte matiz socialdemocrata com suas oscilações à direita e à esquerda, aparentemente opaca e sem muita força política. Continuando, vem duas forças trotskistas... uma, aglutinando basicamente uma juventude universitária alternativa, e a outra fazendo o “bloco do eu sozinho”.
Falta ainda analisar os personagens que irão povoar os contos do parlamento municipal.... bom, eles fazem parte das forças descritas anteriormente, mas muitos deles nem sabem o que significam as tendências, ideologias e práticas das agremiações políticas as quais estão filiados... ok, vamos começar nosso “freak show” do horário eleitoral... tem o “Tiozão do Gás”, o “Homem estátua”, “o Palhaço Bobão”, o “tio dono do Bailão”...  Faltou também  que sempre tem a galerinha do rádio, promovendo-se em suas campanhas assistencialistas. Tem também os religiosos em todas as tendências eclesiásticas, do alto clero, baixo clero, etc, tipo o pastor Aleluia Irmão, ou pai axé, etc.
O que eu digo, bem, todas as pessoas tem o direito de se candidatarem ao que quiserem, desde síndico do edifício até manda chuva do Planalto... mas cabe ao eleitor critérios pra votar.... É inadmissível eleger ao parlamento municipal pessoas sem critério nenhum.... não quero propor nenhum critério excludente, mas não podemos ser governados por analfabetos! E quando digo analfabetos, não em refiro ao sentido acadêmico da palavra... há muitos políticos com curso superior, mas como dizia minha avó “diploma não diminui a orelha do burro”.
Sobre a disputa da prefeitura, houve um debate em um canal local de TV. Ok... Pena que excluíram (um eufemismo para boicote) um dos candidatos, isso é uma agressão à nossa jovem democracia. Não que eu esteja de acordo com as propostas do candidato afetado, mas ao menos ele teria direito ao debate.
Quanto às propostas, as mais bonitas, de fato são da chapa da esquerda universitária trotskista, ousadas e românticas, mas não faço a mínima ideia de como eles conseguirão tais avanços. Agora, quanto ao fato de ser realista, de praticidade e para que não sigamos em um retrocesso histórico, a chapa centralista socialdemocrata me parece mais viável... até  pra ir preparando terreno e assentando alicerces para que num futuro próximo  avanços sociais e econômicos de abrangência ampla e popular sejam conquistados. Ainda acredito na utopia, mesmo que tenhamos que 

domingo, 23 de setembro de 2012

The war on democracy

The war on democracy




Há pouco eu estava revendo um documentário, de um jornalista australiano gabaritado e mundialmente reconhecido por seus inúmeros trabalhos e prêmios, falo de John Pilger. Bom, me refiro especificamente a um documentário chamado “The war on democracy”. Bom, ele faz, digamos uma investigação pela América Latina!!!! Começa pela Venezuela, mostra as situações de pobreza e que o governo do Chávez faz para que a situação melhore!! Ah, mas antes que acusem o senhor Pilger de não ser imparcial, ele também pára para escutar o que os opositores de Chávez tem a falar! Eles se queixam que se está levando a cabo uma “revolução bolchevique”... Pois bem, a análise feita é que os ricos continuam com suas belíssimas mansões em seus “cowntry clubs”, continuam com seus jatinhos e viagens de fim de semana à Miami e Nova Iorque. A Venezuela, país com uma arrojada economia petroleira, fonte infinita de riquezas, sedia feiras de automóveis, e não são simples automóveis, trata-se de Ferrari, Maserati.... Os ricos continuam em suas mansões e com suas vidas, em momento algum foi feita alguma intervenção em suas vidas ou patrimônios. Antes, as empresas de cunho estratégico para o país (como petroleiras e de energia elétrica) estavam sob o domínio de multinacionais de capital estrangeiro, ou seja, os lucros não ficavam dentro do país... Nisso sim o governo teve culhão para nacionalizar, e o lucro canalizar para investimentos de infraestrutura e desenvolvimento social. O programa “Bairro adentro” começou a subir morros (favelas) com escolas e programas de alfabetizações, clinicas e assistência médica para as famílias, salários para as donas de casa. A constituição do país foi impressa e distribuída gratuitamente, para que o povo tenha conhecimento de seus direitos. Também há supermercados estatais onde o povo pode comprar comida e produtos de limpeza a preços de baixo custo e nas embalagens vem impresso trechos da constituição.

Ainda é feita a análise de que o capitalismo nunca esteve tão bem na Venezuela. É também feito uma pequena análise da tentativa de golpe de estado na Venezuela em 2002, arquitetado por alguns setores militares, as oligarquias (entre eles proprietários de canais de TV) e “El Império”.

E durante parte da entrevista, o presidente Hugo Chávez fala:





“te digo que acá tratamos de no tener choques com ‘El Império’, pero es inevitable. Yo fui a la Casa Blanca, le di la mano a Clinton! Incluso por teléfono: ‘How are you, Mr Clinton?’ / ‘How are you, Mr Chávez?’. Nosotros aqui tratamos lo imposible: hacer una revolucion sin chocar con “El Império”, pero eso es imposible…”







Desde 1946, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles eleitos democraticamente, desses, 40 com intervenções militares diretas. E também indiretas, como as ditaduras militares na América Latina ocorridas na segunda metade do século XX. Exemplos de países que sofreram interferência dos E.U.A. : Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Equador, Granada, Guatemala, Guiana, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Outro exemplo, é da intervenção dos EUA na Guatemala, ainda nos anos 50. Pois bem, 2% da população local, em conjunto com multinacionais estadunidense controlavam a economia e os recursos naturais do país, cujo um dos grandes acionistas de uma das principais empresas era da Secretaria de Estado do governo estadunidense, e o irmão dele, um dos comandantes da “Agencia Central de Inteligencia”. Havia sido eleito democraticamente para a presidência da república um sujeito chamado Jacobo Arbenz Guzmán. Era um presidente progressista, no que se diz respeito à soberania nacional, desenvolvimento econômico e distribuição de renda. Começou uma tentativa de reforma agrária, e foi nacionalizando as terras das empresas multinacionais estrangeiras (dentre elas da American United Fruit), o que irritou Washington, que atacou diretamente em uma intervenção armada sob o pretexto de uma ameaça comunista, pois aqueles eram tempos de “Guerra Fría”. O interessante, é que o documentário apresenta depoimentos de ex- agentes da CIA que na época trabalharam nos bastidores do golpe e admitem suas ações. Bom, depois de consolidado o golpe, foi instituído um governo que era conveniente aos interesses imperiais.

O filme também discorre sobre o golpe de estado no Chile em 11 de setembro de 1973, encabeçado pelo general fascista Augusto Pinochet contra o então presidente eleito democraticamente Dr. Salvador Allende. A sede do governo (Palácio de La Moneda) foi bombardeado por aviões, e o Presidente Allende e seu correligionários firmes na resistência até que foram assassinados pelas forças reacionárias. O documentário apresenta documentos comprovando ações diretas da CIA, bem como entrevistando ex-agentes que participaram nessa ação infame.

A “Escola das Américas” também é apresentada, trata-se de uma instalação militar estadunidense no estado da Geórgia, onde militares latino-americanos iam para fazerem seus “cursos de atualização e formação militar”, que consistia em aprender técnicas de tortura para serem usadas contra os subversivos capturados.

Em Cochabamba, na Bolivia, no ano 2000 a água foi privatizada e estava sob as mãos de uma multinacional extrangeira. Em 2003, o então presidente Gonzalo Sánchez, o qual passou boa parte de sua vida nos EUA, e falava inglês melhor que espanhol, recuou em uma lei de proteção aos recursos naturais do país... era uma contradição exportar gás a preço de banana enquanto a população cozinhava com lenha. O povo foi às ruas protestar, então o presidente mandou o exército reprimir a manifestação, o que gerou o assassinato de vários civis inocentes.



Bom, eu fiz um breve “resumão” do documentário, é interessante vê-lo, pois faz uma abordagem profundas de inúmeras questões de interesse de nosso continente.







link do vihdedo no youtube



http://www.youtube.com/watch?v=YoJOVNbz0l4


quinta-feira, 5 de abril de 2012

um labirinto?






Camagüey, CUBA, cinco de abril de 2012


E naquela paisagem onírica surreal, como se tivesse saído de um quadro cubista... e na paisagem haviam labirintos!! A iluminação de um dos labirintos era, digamos, “diferente”, partes chegavam a luz do sol, outros a luz da lua, e outras partes luz de neon. Bem como haviam partes nubladas, partes em penumbra. No caminho havia algumas portas e janelas, uma abertas, outras entreabertas e outras fechadas com cadeado e correntes! No caminho espalhados vários quebra cabeças com peças misturadas, incrivelmente, uns quebras cabeças era complementários dos outros. Havia também alguns jogos de tabuleiro, e as peças posicionadas como se os jogos seguissem em andamento!!! Havia uma suave brisa, que carregava páginas soltas de inúmeros livros e tentativas de esboços de um mapa do labirinto.
A cada pouco, encontrava-se pedaços pequenos de espelho, que ao todo poderiam juntar-se e fazer um espelho do tamanho de uma porta. Havia também muitas fotos de pessoas e cartões postais de várias cidades, e cartas também. Em uma mesa repousava um cálice de vinho e no cinzeiro um cigarro aceso, dando a entender que aquilo era tudo tão recente, mas ao mesmo tempo a pessoa “dona do cigarro” se divertia com o labirinto. Na cadeira havia um lenço feminino, e tinha um cheiro particular, um suave perfume!!! Havia trilha sonora o tempo todo, mas era bem suave, bem como haviam risadas femininas ao fundo,intercaladas poucas vezes por soluços de pranto.
Entrei em um corredor que aos poucos ficava mais estreito e ao final havia uma porta, fácil de abrir, que depois dava para uma ampla ante-sala, como se fosse uma sala de espera de um consultório, uma secretária bonita, educada, no canto um revisteiro, e no outro canto um desses bebedouros de água mineral. Nessa ante-sala havia 3 portas, e todas trancadas. Tentei a primeira, forcei com o ombro, e até que consegui abrir. Era um céu azul, mas recuei, a porta dava para um abismo. Fechei rápido!!! Tentei a segunda: dava para o mar.... um infinito, uma partes cristalinas e outras mais escuras... fechei de novo. Forcei a fechadura da última e voltei ao início do labirinto.